Blogagem coletiva, Ficção

Me escreva uma carta sem remetente

A campainha tocou. Era o carteiro. Isabel não entendeu porque o homem resolveu tocar a campainha justamente naquele dia, mudara-se para lá havia três anos e estava começando a acreditar que as cartas se materializavam em sua porta por intervenção divina.

Pegou o único envelope que ele lhe estendeu e agradeceu. Esperava que o carteiro se virasse e fosse embora continuar seu trabalho, mas o homenzinho continuou parado enquanto a observada. Resolveu devolver o olhar, porque ficou sem graça de simplesmente fechar a porta em sua cara, e ele finalmente se manifestou.

-– Carta estranha essa, não é? – ele perguntou.

Pela primeira vez ela prestou atenção no envelope, era vermelho e pequeno. De um dos lados, seu nome e endereço escritos em uma letra desleixada. De outro, nada.

Ela observou aquilo atordoada por alguns segundos, e então voltou a olhar para o homem tentando aparentar uma irritação indiferente.

-– Com certeza é só uma propaganda.

Finalmente entendendo a mensagem, o homem desejou bom dia e se foi.

Isabel voltou para dentro do apartamento com a carta na mão sem saber o que fazer com ela. Talvez realmente fosse apenas propaganda, mas sentia uma sensação estranha, como se algo dentro dela soubesse que não era.

De repente flashes surgiram em sua mente. “E como vou fazer se eu precisar de você?”, a voz masculina sem rosto perguntou angustiada; “me escreva uma carta sem remetente”, sua própria voz respondeu.

A moça não sabia de onde vinham aquelas lembranças, mas tinha certeza de que eram mesmo lembranças. Não reconhecia a voz masculina que falara com ela, mas sabia que havia algo que precisava lembrar.

Abriu cuidadosamente o envelope e tirou um pequeno pedaço de cartão branco e liso que continha apenas uma única palavra.

Max

A única coisa que tenho que dizer sobre esse texto é: “mil desculpas”. O tema da vez no Desafio Blogueiro foi ‘me escreva uma carta sem remetente’, e isso foi o melhor que saiu de minha cabecinha oca.

Como a estória prometia ser bem longa, achei melhor parar por aí e deixar vocês bem curiosos. Se o ibope for bom, posso até considerar continuar! Então me amem e sejam bem bonzinhos comigo.

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5 Comments

  • Reply Manie 22 de julho de 2013 at 20:05

    nossa, fantástico! sério, eu amei seu texto.
    parece até cena de filme!

    não sabia que existia esse negócio de desafio blogueiro… vou procurar saber mais sobre!

    http://www.pe-dri-nha.blogspot.com

  • Reply Alessandra Rocha 23 de julho de 2013 at 10:54

    PALOMINHA DO CÉU! Faz isso não que já fiquei curiosa pra saber de onde surgiu esse flashback e quem é o Max! Adoro e morro por dentro com esses contos misteriosos hehe

    beijos

  • Reply Paula Luz 24 de julho de 2013 at 12:33

    Ei menina, que lindo! Não, sério mesmo! Quando vc escrever um livro (se é que não já escreveu) eu irei comprá-lo. Tua escrita prende a gente…
    Ah, contitua sim, acho que todo mundo que ler vai ficar comendo as unhas de curiosidade, rs! Amei e já estou seguindo, não tinha como ser diferente, rs! Super beijos!

    vivapaulatinamente.blogspot.com.br

  • Reply Tay 29 de julho de 2013 at 02:25

    Gostei, acho que seria bem legal a continuação.
    Beijos!

  • Reply Raíssa França 8 de agosto de 2013 at 01:49

    Ficou muito legal. Cada pessoa tem uma forma diferente de escrever e eu gostei bastante da sua.

    Beijo

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