Blogagem coletiva, Ficção

Noite na ilha

Estava visitando a Bienal no sábado quando no meio da confusão e empolgação acabei presa lá durante a noite. O que não imaginava é que aquela noite não seria apenas eu e os livros. Algo impensável e que talvez você nem acredite aconteceu.

Tudo começou quando eu aproveitava para conhecer tudo de novo em paz e silêncio. Entrava em todos os lugares proibidos, lia um trecho de livro aqui, outro ali. Foi então que comecei a ouvir um barulho. A princípio parecia um zumbido, como um mosquito, mas pouco a pouco foi aumentando. Parei no meio de um corredor e olhei para a fonte daquele ruído, forçando os olhos para enxergar na semi-escuridão. E então veio o choque.
Eis que vem em minha direção uma onda gigante. De onde veio água no meio de uma feira de livros?, você pode perguntar, mas não era de água que a onda era feita. Era de livros. Uma verdadeira maré de livros. A tal onda tinha uma dimensão tal que chegava a tocar o teto. Vinha a uma velocidade enorme pelo corredor onde eu estava. E o barulho já era ensurdecedor.
Tomando finalmente consciência da situação, desatei a correr e fugir da ameaça, mas não importava o quando eu me esforçasse, ela estava cada vez mais próxima. Finalmente, quando ela estava a menos de dez metros de me engolir por completo e uma parece interrompeu meu caminho, desisti e resolvi aceitar meu destino. Pelo menos era uma maneira poética de morrer. Ainda deu tempo de vislumbrar em um átimo de segundo as manchetes de jornal do dia seguinte contando minha história e meus pais chorando, até que um barulho diferente e abafado pelo som da onda atingiu meus ouvidos.
Olhando para os lados, vi algo vindo em minha direção, parecia uma vassoura. Quando chegou perto o suficiente percebi que havia alguém montado nela, e o barulho que ouvia era uma voz.
A figura sobre a vassoura estendeu uma mão, que eu segurei firmemente, e subimos no ar, para longe da ameaça. Foi só então que percebi de quem se tratava. “Harry Potter?!“, perguntei. E não é que era ele mesmo? Voamos por pouco tempo, até pousarmos em um lugar alto. Uma ilha rodeada de livros.
Está com fome?“, Harry perguntou. Ao que assenti com a cabeça. A corrida tinha servido para abrir meu apetite. Ele me guiou por alguns caminhos, até que chegamos a uma enorme mesa que parecia posta para o chá. Havia algumas pessoas já sentadas.
Assim que nos aproximamos, ele me apresentou a uma menina que ocupava a cabeceira. “Paloma, essa é Alice“. Cumprimentei Alice e os outros integrantes e sentei no lugar que me indicaram. Harry desculpou-se por não poder ficar e sumiu pelo mesmo caminho que tínhamos usado para chegar até ali.
Depois do chá, andamos um pouco olhando o mar de livros em volta ir e vir ao sabor da maré. Conheci, então, Sarah Crewe, que me contou algumas histórias, até que finalmente adormeci.
Quando acordei, já era dia e os primeiros visitantes já andavam em volta de mim. Olhei em volta e nada dava a menor pista do que tinha acontecido ali na noite anterior. Levantei e me preparei para ir para casa. Sabia que não adiantaria procurar nenhum de meus novos amigos por ali, e para mim só restaram as lembranças daquela noite fantástica.
Quer saber o que realmente aconteceu no meu passeio na Bienal? Leia aqui.
Previous Post Next Post

You Might Also Like

No Comments

Leave a Reply