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Brooklyn, solidão e família
Filmes, Livros, Pessoal

Solitários S/A: a família que se encontra pelo caminho

 

Quando assisti Brooklyn pela primeira vez, o começo do filme estraçalhou meu coração; talvez porque eu tenha me visto na Eilis, ainda que em um futuro hipotético. A sensação de definitividade daquilo tudo: dar as costas a toda uma vida e partir sozinha para o próprio destino, em um lugar estranho onde não se conhece ninguém e sem previsão de voltar, me deu uma sensação de vazio e solidão tão grandes que eu não consigo traduzir bem em palavras. É algo que eu anseio e temo ao mesmo tempo.

Mesmo que eu não tenha passado por nada daquilo ainda, eu automaticamente me coloquei no lugar dela, e senti (talvez de forma mais aguda do que se fosse realmente eu ali) toda a estranheza daqueles jantares na pensão, a disciplina dissociada do ambiente familiar, os costumes estranhos, o novo emprego. Mesmo eu não sendo uma jovem irlandesa de uma cidade do interior antes dos tempos da comunicação fácil e irrestrita, eu senti saudades e chorei e quis voltar. E então a vida começou a acontecer.

Para Eilis, veio na forma de uma paixão, um casamento e a perspectiva de uma nova família nos moldes tradicionais. Para Angela Clark, personagem principal de I heart New York (livro que a mamãe comprou quando nós realmente estivemos em NY e quem acabou lendo fui eu), foram amigos.

A história da Angela é peculiar porque ela não planeja conscientemente emigrar. Um belo dia, em um casamento, ela descobre em primeira última mão a traição do noivo, pega um avião e vai parar… Também em Nova York. Também sozinha, também sem nada concreto e também construindo uma nova vida. E até o último segundo ela nem tem certeza se vai mesmo construir uma nova vida nesse novo lugar.

Mais uma história, ainda em Nova York, sem relação aparente. A Redoma de Vidro. Talvez esse seja mais difícil de associar, na prática, com as histórias anteriores, mas por algum motivo, a sensação que me passa é a mesma. Ainda que a Esther só esteja por lá de passagem e acabe voltando para a casa da mãe, a história de desconexão dela começa bem antes, quando ela entra na faculdade, e se estende mesmo com a volta para casa.

O essencial para a associação possivelmente aleatória que se formou entre as três histórias na minha cabeça é justamente o estranhamento de estar em um ambiente novo, diferente, segregado de tudo aquilo que conhecemos pelo conceito tradicional de família. É a sensação de alheamento que essas três personagens específicas, dentro todos os exemplos de personagens na mesma situação, me passam.

O ponto central entre essas três histórias, além da cidade que serve de plano de fundo (e, algumas vezes, de personagem), é justamente essa redoma de vidro em torno das personagens principais e que varia, entre elas, de um estágio normal da mudança de vida radical pela qual se está passando até um estado realmente patológico. Na maioria dos casos, essa redoma começa a desmoronar à medida que novas conexões são formadas com as pessoas em volta. Existe vida ali, existem seres humanos. E como eu me identifiquei com essa sensação, mesmo que eu não tenha deixado a minha própria cidade.

O momento de deixar o ninho é cheio de muitas emoções, boas e ruins — geralmente boas e ruins ao mesmo tempo. É assustador e solitário pensar em chegar em casa e não encontrar os rostos familiares que antes estavam ali. É assustador pensar em encontrar, nesse mesmo lugar, rostos diferentes, possivelmente menos amigáveis. É assustador pensar que os rostos que você foi ensinado a acreditar que sempre estarão lá para correr em seu auxílio em caso de colapso agora vão estar a duas horas de distância, ou três ou cinco ou doze. Ou do outro lado do oceano. É assustador pensar que mesmo que todas essas pessoas continuem existindo em algum lugar, você pode estar só.

A princípio parece mesmo que você está só. Então as pessoas começam a aparecer de todos os lados. E a sensação passa.

Passa porque estar sozinho não é o fim do mundo. E passa porque novas conexões começam a se formar, mais fortes justamente porque se está sozinho. Conexões com pessoas possivelmente tão merecedoras do título de família quanto a anterior. São novos amores, novos amigos, novos rostos que já não são mais tão desconhecidos. Novos abraços e novos gestos mostrando que incondicional é um conceito mais relativo do que se podia imaginar, e que essa história de que amor e dedicação têm alguma relação necessária com sangue e genética não faz sentido nenhum. No fim, quem vai estar ali para você é quem quer estar, e não quem tem alguma obrigação natural questionável de estar.

Não é um conceito fácil de formular, quando fomos ensinados desde sempre que as pessoas com quem podemos contar são a família e que a família é formada por laços de sangue. Chega a ser subversiva a ideia de que esse líquido vermelho que corre nas nossas veias sirva mesmo só para carregar oxigênio e exercer um punhado de funções biológicas, enquanto o essencial para a conexão entre os seres humanos é determinado por outros fatores. Pela química, pela energia, pela alma — cada um dá o nome que quer — que pode ou não vir no pacote. Mas uma vez que se pensa o suficiente sobre isso, o bastante para desconstruir a ideia de que amor e identificação são compulsórios, é algo libertador e reconfortante. Porque significa que, independente do que aconteça no caminho e da sua sorte ao nascer, o jogo nunca está perdido, e nós nunca estamos realmente sós.

Isso foi só uma das muitas coisas que a Eilis, a Angela e, sim, a Esther também, me re-lembraram, e uma das lições mais importantes que eu aprendi na vida: família não é um conceito fechado, é algo que a gente constrói à medida que a gente caminha. Deixando para trás esse determinismo genético, e incorporando novas pessoas que antes nos eram completamente estranhas.

Filmes

Somos as netas das sobreviventes (ou precisamos falar sobre A Bruxa)

 

Após uma campanha intensa dos meus amigos, ontem eu interrompi meu regime militar de estudos pra ir ao cinema ver A Bruxa. Antes disso, é claro, fiz meu dever de casa e vasculhei a internet atrás de tudo o que eu pudesse encontrar sobre o filme. Em resumo: independente, premiado, produzido por um brasileiro, perfeccionista e muito assustador (segundo Stephen King). Um filme feito com amor que por acaso saiu do circuito alternativo e foi parar no cinemark. Fiquei muito animada e numa expectativa intensa.

Não vou fazer nenhum suspense, até porque quem me segue no twitter e/ou é minha miga já sabe muito bem a minha opinião, a saber: GENTE QUE FILME INCRÍVEL ASSISTAM.

Sendo sinceramente sincera, não me deu medo no sentido tradicional da palavra. Exceto em uma parte extremamente específica (possível spoiler: a morte do filho), que calha de ser a MELHOR CENA DO FILME. Nem o final me deixou apavorada, apesar de ter ficado um pouco mais tensa. Mas não deixa de ser um filme assustador de uma forma diferente. Antes da sessão, eu estava pronta pra esquecer toda a minha maturidade e dormir com a minha mãe se preciso fosse, mas não foi. O que não quer dizer que o filme seja fraco, é só um tipo diferente de medo.

Acontece que tudo ali é muito real — mas não muito real no contexto atual, muito real no contexto que se passa. É tudo muito cuidadoso; o cenário, o script, o figurino, a forma de falar (os atores tiveram aulas e praticaram inglês do século XVII), a fotografia, os efeitos, as atuações. AS ATUAÇÕES. Dá pra acreditar que de algum jeito foram até a Nova Inglaterra de 1630 e filmaram acontecimentos reais (os diálogos foram inclusive produzidos a partir de documentos reais). E ele te convence de tudo o que está ali, dentro do contexto dele. Gente, estamos em 1630, morando SOZINHOS na beira da floresta, excomungados da comunidade, e coisas estranhas e horríveis começam a acontecer. No meio disso tudo, temos uma filha adolescente. É claro que bruxas.

Não é um filme pra qualquer um. Mas é um filme grandioso, PERFEITO, e muito muito muito bom. Duas coisas que li por aí se provaram verdades supremas: (1) é um filme artístico de terror, e (2) é um drama familiar. Até chorei, juro. Se você gosta do estilo, ou se interessou pelo que eu acabei de dizer e tem a mente aberta: por favor, assista.

abruxa

Se você queria uma resenha do filme, pode parar por aqui. Se escolher ficar, senta que lá vem história, porque a partir de agora vamos falar sobre minha análise do filme a partir do feminismo. Quero debater e talvez eu me estenda bem.

Desde o começo, a culpa de todos os males do mundo é colocada em cima da Thomasin, a filha adolescente que está sempre no lugar errado na hora errada. Sua família está completamente isolada na beira de uma floresta, quatro cinco filhos — dois adolescentes. O menino, que está entrando na adolescência, começa a lidar com a própria sexualidade. A menina não tem esa chance porque ela é menina. Mas quem ele tem por perto? A irmã mais velha, só. Quem é que tem pacto com o demônio pra desvirtuar os homens? Ela, claro. Porque não é mais criança, o que significa que é… Um ser sexual. Como ousa?

Thomasin passa o filme todo sofrendo uma pressão absurda para ser perfeita. Thomasin lava a roupa do seu pai, Thomasin vigia os demônios as crianças. Thomasin vai cuidar dos bodes. E levando a culpa de tudo o que dá errado. Thomasin sumiu com o bebê, Thomasin levou o Caleb pra floresta, Thomasin sumiu com o cálice de prata, Thomasin não deu jantar pros bodes, Thomasin seduziu o irmão e o pai, Thomasin enfeitiçou os gêmeos, Thomasin é bruxa. Não existe NADA que Thomasin possa fazer porque, INDEPENDENTE DO QUE THOMASIN FAÇA, THOMASIN SEMPRE ESTARÁ NO ERRO. Porque Thomasin é mulher, e todo mundo passa o filme inteiro convencendo Thomasin de que ela é pecadora, é impura, vai pro inferno. E Thomasin tenta de verdade fazer as coisas direito, mas não dá, porque Thomasin é só um ser humano. Pior, Thomasin é só um ser humano adolescente. Sim, eu me apeguei à Thomasin. Somos todas Thomasin.

Por isso tudo que o final do filme pra mim não foi assustador. Foi REDENTOR. Foi o final mais feliz que o filme poderia ter tido. Não vou dizer exatamente o que acontece, apesar de não ser muito surpreendente. Mas se você quiser parar por aqui, tudo bem e inclusive recomendo. Volta depois que vir o filme (você vai, né?). No final, eu senti uma alegria imensa, eu — já em completa simbiose com Thomasin — me senti finalmente livre. Eu queria chorar, bater palmas, gritar YOU GO GIRL. E eu sei que foi exatamente isso que ela sentiu também porque a expressão dela foi transparente (de novo AS ATUAÇÕES SOCORRO). Em 1630 Thomasin descobriu que existia mais na vida do que isso.

Hoje mais do que nunca eu estou me sentindo a neta das bruxas que eles não conseguiram queimar.

Os babacas no final que se acharam muito espertos fazendo piada de que “elas são feministas” não fazem ideia do QUANTO ESTAVAM CERTOS.

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PELO AMOR DE DEUS ASSISTAM A BRUXA.

Filmes

Temporada Oscar 2016 #3: A garota dinamarquesa, A grande aposta, Ponte dos Espiões e Ex Machina

Me sinto muito vitoriosa na vida, por ter conseguido (talvez pela primeira vez na história), completar a meta principal de uma maratona Oscar com tanta antecedência. A vez que eu cheguei mais perto disso foi em 2015, quando eu assisti 7 dos 8 (faltou só American Sniper, mas foi de propósito), sendo que os dois últimos assisti só no dia das festividades. Nesse maravilhoso ano de 2016 estava eu, exatamente uma semana antes da premiação, assistindo o último indicado a melhor filme.

Melhor que isso, só mesmo eu ter assistido nada menos do que cinco dos indicados de outras categorias, totalizando 13 dos 23 títulos da minha lista. Estou deveras impressionada comigo mesma, desculpa se estiver me gabando demais. Se eu puder me gabar só mais um pouquinho: lembremos que ainda temos cinco dias até o prazo final, e eu ainda tenho planos de assistir pelo menos as animações (O menino e o mundo, Anomalisa, e When Marnie was there) e os documentários (Amy e What happened, Miss Simone?) que selecionei. A esperança, amigas; ela não morre nunca.

A garota dinamarquesa

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Indicações: 4 – Melhor ator (Eddie Redmayne), Melhor atriz coadjuvante (Alicia Vikander), Melhor figurino, Design de produção.

Esse era possivelmente o único filme desses óscares cuja existência eu já reconhecia antes de sair a lista de indicados desse ano. Desde então, um bom tempo atrás, estava com bastante vontade de assistir. Mas minha memória é curta e depois da vontade inicial, ele ficou lá no fundo da mente.

O filme é bem bonito, tanto a fotografia quanto a história. Obviamente que eu dei uma choradinha discreta no final, mas não me deu todos os sentimentos que eu estava esperando. O Eddie estava muito bem, mas foi um erro muito grande pegar dois papéis tão marcantes em tão pouco tempo e eu não consegui não ter Stephen Hawking na minha cabeça o tempo todo — obviamente que isso atrapalhou. Por outro lado achei a Alicia sensacional, e a Gerda idem.

A Grande Aposta

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Indicações: 5 – Melhor filme, Melhor ator coadjuvante (Christian Bale), Direção, Edição, Roteiro adaptado.

Comecei a assistir esse no sábado anterior ao que eu terminei, porque naquele fatídico dia eu tinha faxinado a casa toda sozinha e não consegui manter os olhos abertos e entender economia ao mesmo tempo. Achei melhor parar no meio e pegar em um momento melhor, porque, apesar de eu ter achado o filme mais branco e com mais homens de todos (um homem negro e uma mulher negra aparecem, mas tem TANTA GENTE nesse filme que eu achei ridiculamente pouco), as recomendações estavam boas e o assunto era interessante.

É exatamente o tipo de filme que meu professor de geografia do ensino médio teria passado em sala de aula (inclusive ele passou alguns sobre o mesmo tema que me ajudaram horrores a entender esse). Não tivesse ele falecido, certamente passaria aos novos alunos. Os atores todos estão muito bem, os recursos usados foram geniais, o roteiro era ótimo e eu demorei uma eternidade pra reconhecer o Brad Pitt. Gostei muito e não foi uma perda de tempo, recomendo (só não assistam com sono).

Ponte dos Espiões

Brooklyn lawyer James Donovan (Tom Hanks) meets with his client Rudolf Abel (Mark Rylance), a Soviet agent arrested in the U.S. in DreamWorks Pictures/Fox 2000 PIctures' dramatic thriller BRIDGE OF SPIES, directed by Steven Spielberg.

Brooklyn lawyer James Donovan (Tom Hanks) meets with his client Rudolf Abel (Mark Rylance), a Soviet agent arrested in the U.S. in DreamWorks Pictures/Fox 2000 PIctures’ dramatic thriller BRIDGE OF SPIES, directed by Steven Spielberg.

Indicações: 6 – Melhor filme, Melhor ator coadjuvante (Mark Rylance), Trilha sonora original, Design de produção, Mixagem de som, Roteiro original.

Um filme americano sobre a guerra fria é um filme americano sobre a guerra fria. Não vou dizer que não é legal. É legal. O roteiro é muito bom, Tom Hanks é mara e faz muita falta no mundo das comédias românticas. Nem reparei na trilha sonora, porque eu sou eu. Agora, sendo um filme americano sobre a guerra fria, obviamente que passei bastante raiva em vários momentos.

Ex machina

exmachina

Indicações: – Efeitos visuais, Roteiro original.

Esse estava na minha lista do talvez, porque pouquíssimas indicações e em classes escrotas, mas eu adoro ficção científica, distopias e similares. Então Craudia comentou que deveria ser promovido da turma do talvez e jogado de paraquedas no sim e eu ouvi. Provavelmente não teria assistido ainda se convenientemente não tivesse estreado no Tele Cine no sábado passado.

Gente, o filme é bom mesmo, podem assistir. Tem a casa que eu queria ter na vida (exceto pelo esquema bizarro de segurança), tem Domhnall Gleeson com aquela carinha de Domhnall Gleeson e Alicia Vikander (de novo) com aquela carinha de fofa. Os efeitos visuais são realmente bons, e a história também. Fiquei adivinhando mil finais e não acertei (o que é bem raro). O final não só me surpreendeu, como me deu uma satisfação íntima um pouco doentia por não ser óbvio. Gente, sério, é ótimo.

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>> Amigas Craudia e Sharon também estão nessa onda oscarina, vocês deviam conferir.

Filmes

Temporada Oscar 2016 #2 – Muitos, muitos filmes

Desde o último comunicado, estava eu parada nessa missão ingrata que é tentar correr atrás dessa premiação branca que nós amamos odiar e odiamos amar. Então o carnaval aconteceu.

Grande foliã que não sou, resolvi que esse ano ia tentar ser melhor e honrar meus 23 anos antes que eles não estejam mais aqui, e acho que não fui mal nesse quesito. Ainda assim, consegui tirar um tempinho para assistir nada mais que cinco dos indicados a melhor filme. Agora só faltam dois (e milhares de outros que eu resolvi que quero assistir porque sim).

Mad Max

Film Review-Mad Max: Fury Road

Indicações: 10 – Melhor Filme, Melhor Fotografia, Melhor Figurino, Melhor Direção, Melhor Edição, Cabelo & Maquiagem, Design de Produção, Edição de som, Mixagem de som, Efeitos visuais.

Eu sou o último ser humano da terra a ver esse filme. Talvez porque eu estivesse com medo. Mad Max deu muito o que falar, 90% do mundo amou e tem tantos pontos conceituais positivos que eu não queria não amar. Mas não era meu tipo de filme e as chances de eu não amar eram incrivelmente altas. Enrolei, enrolei, até que acordei no sábado e resolvi que era hora de assistir Mad Max. Não vou fazer suspense porque ainda tenho quatro filmes sobre os quais falar: amei. Usando palavras emprestadas de amiga Ana Luiza (sobre outro filme): EU AMEI ESSE FILME. TIPO MUITO. TIPO DEMAIS. TIPO MEU DEUS DO CÉU UM AMEI ESSE FILME. MEU. DEUS. DO CÉU!!111!11!1!1

Não sei o que aconteceu, mas gente, eu amei de verdade. To chocada até agora. Não sei que que tem nele, mas com certeza é alguma droga pesada. E que fotografia linda. Efeitos visuais irados. BROTHER ESSE FILME.

Perdido em Marte

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Indicações: 7 – Melhor Filme, Melhor Ator (Matt Damon), Design de Produção, Edição de som, Mixagem de som, Efeitos visuais, Melhor roteiro adaptado.

Mad Max acabou e estava eu sem fazer nada, esperando amiga chegar em casa pro carnaval. Então resolvi fazer jus ao título de ~~maratona~~ e dar logo play em The Martian. E posso dizer que meus pré-julgamentos pros indicados desse ano estavam tão negativos que eu fiquei surpresa de verdade de gostar desse também. E EU GOSTEI MUITO JURO. Não me levem a mal, eu gostei bastante de Gravidade etc e tal, mas nunca dá pra começar a assistir um filme no espaço e não esperar um pouquinho de tédio. Ainda mais um filme onde um ser humano está sozinho no espaço.

Mas esse filme foi tipo zero tédio? Eu ri tanto! Matt mandou muito bem, o roteiro é mara, engraçado sem parecer que está tentando demais. E. a. trilha. sonora. Não foi indicada, mas eu amei com força infinita. Porque eu sou distraída demais pra notar trilhas sonoras normalmente, mas essa trilha sonora me fez rir sozinha. Porque gente: o cara está sozinho esquecido em marte, com tudo contra ele, e começa a tocar ABBA.

Spotlight

spotlight

Indicações: 6 – Melhor Filme, Melhor Ator Coadjuvante (Mark Ruffalo), Melhor Atriz Coadjuvante (Rachel McAdams), Melhor Direção, Melhor Edição, Melhor roteiro original.

Então amiga Milena chega, obviamente exausta, e eu acho gentil deixar ela dormir enquanto eu assisto o terceiro filme do dia (sim), revivendo a época de ouro em que a minha vida estava ganha e eu passava o dia plantada na frente da HBO. Na fila estava Spotlight, que até o dia anterior eu esperava gostar mais do que os dois anteriores. Claro que não gostei mais que os dois anteriores, porque eu amei os dois anteriores, e Spotlight é um filme que claramente se leva muito a sério e por isso mesmo nunca vai conseguir competir com The Martian.

A história é de explodir os miolos, e só conseguia pensar que a minha mãe ia adorar esse filme. É bem bacana (entendam que é muito difícil eu não gostar de algo). As atuações foram legais, e eu nunca vou superar meu amor pelo Mark. No mundo tradicional da Academia, me parece que tem muito mais chance do que os outros dois, mas pra mim não foi nenhuma experiência de outro mundo (perdão pelo trocadilho ridículo). E amo Rachel desde Regina George, mas não achei ela isso tudo nesse filme.

O Quarto de Jack

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Indicações: 5 – Melhor Filme, Melhor Atriz (Brie Larson), Melhor Direção, Melhor Edição, Melhor roteiro adaptado.

O livro que deu origem a esse filme já fez seu primeiro aniversário na minha estante. Esse fato não tem nada a ver com essa mini-resenha, mas senti vontade de acrescentar. Um dos motivos de ele ainda estar lá é que é uma história obviamente pesada. Não é abertamente pesada, porque o narrador é uma criança de cinco anos, mas é o tipo de história pesada que fica ainda mais pesada porque você enxerga “o peso” por trás, apesar da narração. É de descaralhar a cabeça, com o perdão da palavra.

Os atores são ótimos e não me deu sono mesmo assistindo às 8 da manhã de um dia pós folia. E isso é dizer muito.  Para quem não entendeu: eu gostei. Não me empolgou, mas é um ótimo filme. Não seria minha escolha para melhor filme, mas (como minha opinião conta tanto quanto um zero à esquerda) pode ser que ganhe.

O Regresso

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Indicações: 12 – Melhor Filme, Melhor Ator (Leonardo diCaprio), Melhor Ator Coadjuvante (Tom Hardy), Melhor Fotografia, Melhor Figurino, Melhor Direção, Melhor Edição, Cabelo & Maquiagem, Design de Produção, Edição de som, Mixagem de som, Efeitos visuais.

Esse era a minha maior preguiça desse oscar. Migos, que filme chato. Duas horas e meia da minha vida que eu nunca terei de volta. Mas nem tudo foi tempo perdido, porque pelo menos é um filme esteticamente impecável. Lindo de verdade, ridiculamente bonito. E eu também adoro os jogos de câmera do Iñarritu, fica um trem bem fluído e às vezes parece que você está observando a cena de dentro (?). Então eu acompanhei a história bem por cima e foquei nas imagens porque tão bonitas.

Considerando tudo o que eu já vi e o que falta, acho que merece muito levar melhor fotografia e direção, talvez quem sabe melhor ator (nossa esperança em Leozinho é a última que morre, mesmo concorrendo com Matt e Eddie de trans). E Tom Hardy, tão fofo, quero pra mim.

Por hoje foi isso, em breve voltamos com o que falta. Se tudo der certo, podemos ter também uma edição especial de animação. (Estamos muito otimistas esse ano, estou adorando.)

Filmes

Temporada Oscar 2016 #1 – Carol & Brooklyn

Pensei um milhão de vezes se eu ia ou não fazer meus comentários toscos por aqui sobre os filmes do Oscar. Eu sempre faço, mas toda vez é com aquele sentimento único de “peloamor alguém me impeça, só falo asneira”. E é bem verdade, só falo asneira mesmo. A verdade é que eu não entendo nada de nada e raramente sei embasar minhas opiniões, e ainda assim, ano após ano, eu acabo por aqui defecando pelos dedos. Me desculpem.

Apesar de todos os milhões dos pesares, eu não resisto a uma maratona oscar, e sempre termino correndo atrás aos nos últimos trinta segundos da prorrogação para tentar ver os indicados do ano, pelo menos a melhor filme.

Esse ano organizei uma lista bem pretenciosa e enorme, com indicados de várias categorias. Ainda planejo dar prioridade aos indicados a melhor filme, mas acabei começando com um que está fora dessa categoria, porque queria muito assistir. Então vamos? Vamos

Carol

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Indicações: 6 — Melhor atriz (Cate Blanchett), Melhor atriz coadjuvante (Rooney Mara), Melhor fotografia, Design de figurino, Melhor trilha sonora original, Melhor roteiro adaptado.

De todos os filmes da lista, Carol era o que eu mais queria assistir, então achei justo começar com ele — mesmo com contraindicação das amigas. Não me arrependi. Não é só um filme de época, a abertura já tem toda cara de filminho antigo que amo. A fotografia é ótima, a trilha sonora é maravilhosa e as atuações são melhores ainda, principalmente da Cate Blanchett — sério, que classe.

Então eu fui tentar falar desse filme para as amigas, que me perguntaram sobre o que era. E eu sinceramente não soube responder. São duas horas de filme em que não acontece muita coisa. Carol (Cate) e Therese (Rooney) se conhecem, Carol e Therese interagem e são maravilhosas juntas, marido de Carol é um babaca, Carol e Therese viajam, shit happens e fim. Juro que é só isso, então eu entendo um pouco quem achou chato; não tem muitos acontecimentos, não tem uma grande trama, mas para mim foram duas horas muito rápidas. Deu para chorar, deu para torcer, deu para xingar o babaca. Foi o suficiente para mim, gostei muito. E acho que pelo menos um melhor atriz pra Cate podia sair daí.

Inclusive, morrendo de vontade de ler The Price of Salt (livro que inspirou o filme, baseado em fatos reais da vida da autora).

Brooklyn

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Indicações: 3 — Melhor filme, Melhor atriz (Soairse Ronan), Melhor roteiro adaptado.

Brooklyn me conquistou pelo cartaz. Sei lá, parecia um filme leve e eu simpatizo com a Soairse. Coincidência ou não, aparentemente eu comecei pelas mina.

Sinceramente, se eu tivesse visto antes de sair a lista do oscar, eu jamais chutaria que seria indicado a melhor filme; mas que amorzinho. É um filme bem gostosinho de assistir, tem um romance bem fofo, muitos sotaques, bons atores. No fim, como o próprio nome deixa claro, mas eu demorei a perceber, é uma história de imigração. Uma menina emigra sozinha para os Estados Unidos e no começo ela se sente uma estrangeira e só fica chorosa, e então a vida começa a acontecer. Nada extraordinário, mas tudo bem honesto. Gostei de verdade, mas não espero nenhum prêmio.

Filmes

Top 5: Filmes da Sessão da Tarde

 

Se até hoje eu sou uma pessoa matinal, isso se deve ao fato de que pelo menos 90% da minha vida escolar ter acontecido de manhã. Além de me ensinar a pular da cama cedo e viver, esse padrão intencional me permitiu algumas experiências maravilhosas, do tipo passar a tarde toda lendo na rede, assistir cinquenta vezes as mesmas novelas no vale a pena ver de novo e, principalmente, assistir religiosamente os mesmos filmes de novo e de novo na sessão da tarde. Digamos que, apesar da rejeição que eu desenvolvi pela globo mais tarde na vida, ela teve um papel de destaque na minha formação.

É por isso que eu e minhas amigas lindas incluímos na nossa programação do BEDA um espacinho especial para relembrar nossos queridos companheiros das tardes preguiçosas da infância, trazendo para vocês uma lista daqueles que mais nos marcaram e permanecem vivos nas nossas memórias.

Importante ressaltar que o recorte temporal da minha lista vai mais ou menos de 2000 a 2007, que é basicamente até onde minha memória alcança e quando eu tinha vida para ficar à toa jogada no sofá assistindo sessão da tarde. E aviso também que foi muito difícil e escolher só 5 títulos, e que eu não possuo nenhum tipo de critérios nessa vida. Amo todos os mencionados abaixo do fundo do coração, mas a lista está sim em ordem de preferência, sintam-se livres para julgarem minhas escolhas.

5. Matilda

Eu nunca vou cansar desse filme enquanto eu viver. Apesar de a família da Matilda me deixar horrivelmente triste desde sempre, não dá para não amar uma história que junta uma professora boazinha, uma diretora malvada que literalmente tortura criancinhas, livros e — tchram! — MÁGICA. Ai gente, esse filme.

matilda

4. Meu primeiro amor

Nossa, falando em triste. Juro por deus, qual a necessidade desse filme? Ele obviamente só foi criado para me fazer chorar um milhão de vezes com as mesmas cenas, e ainda assim eu não me canso de amar. É um dos filmes com mais gosto de infância da minha vida, e sempre vai fazer parte da minha vida mesmo que eu não assista há anos. Ele consegue trazer todos os dramas clássicos da puberdade e ainda acrescentar uma pitada extra de drama apenas para pisar no seu coração.

meuprimeiroamor

3. Dirty Dancing

Quem foi o gênio que achou que esse filme era material de sessão da tarde, eu realmente não sei, mas agradeço. De nenhuma outra forma eu teria tido a chance de amar essa obra prima do cinema tão cedo quanto amei enquanto assistia um milhão de vezes depois da escola. Claro que a versão que eles passavam entre o vale a pena ver de novo e malhação era censurada e tudo mais, mas nem por isso era menos maravilhosa. Só de falar nele me dá vontade de largar tudo e assistir de novo, além de ser o único da lista que eu ainda assisto regularmente hoje em dia porque é necessário.

dirtydancing

2. As patricinhas de Beverly Hills

Quantos erros em um filme só, e que filme maravilhoso. Me julgue quem nunca sonhou em ter o armário da Cher (por causa da tecnologia, e não das roupas) e frequentar um high school legítimo. Para mim, tudo começou com esse filme. Acho que dá para dizer que 90% do que eu sei sobre drama adolescente, aprendi com a Cher.

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1. As namoradas do papai

Acho que dá para dizer que até hoje as gêmeas Olsen têm as carinhas mais familiares pra mim de todas as atrizes dessa geração, e a culpa é to-tal-men-te desse filme. Nenhum filme na minha vida foi assistido tantas vezes, nem tão amado sem o menor motivo. Sério, não consigo entender por que amo tanto, apenas amo. Se você procurar no meu dicionário a definição de “sessão da tarde” vai encontrar uma foto desse filme. E é por isso que ele ganha: porque eu não consigo entender o porquê.

asnamoradasdopapai

E se você acha que esse post me deixou com vontade de virar a madruga boladona sentada na esquina fazendo uma maratona noturna de sessão da tarde, você está nada mais que: certíssimo.

Esse post é parte integrante do meu BEDA. Para saber mais sobre essa cilada leia esse post. Tem sugestão de tema ou pergunta para a minha pessoa? Deixe nos comentários ou entre em contato.

Filmes

Beginning Again

Não, não estou trocando de blog (de novo), não resolvi dar reboot em nada, e não trouxe nenhuma novidade. O título desse post só vai começar a fazer sentido quando eu disser que assisti finalmente Begin Again (Mesmo se nada der certo) um dia desses.

Não sou a rainha das resenhas e resenhar não é meu objetivo (acaba sendo meio que uma consequência), então eu posso sentir a necessidade de dar um spoiler no final do texto para terminar de expressar meus ~feels~, mas prometo avisar antes para não estragar o fim de quem não viu ainda. Podem continuar lendo que é seguro

Para os perdidos, Begin Again é um filme estrelado pelo super combo Keira Knightley, Mark Ruffalo e Adam Levigne (é, aquele do Maroon 5, que foi indicado ao Oscar por Lost Stars, a música desse filme).

Os personagens da Keira e do Adam são namorados e ela se muda com ele para Nova York quando o sujeito fica famoso. Tudo é lindo e os dois são aquele tipo mais fofo e grudento de casal, até que ele começa a virar um babaca (nível de babaquice crescendo proporcionalmente com a quantidade de pelos faciais) e eles terminam.

Ela fica arrasada, destruída, OMG te odeio vou voltar pra Inglaterra agora, mas aceita ir a um bar onde um amigo dela se apresenta e o sujeito convence ela a subir para cantar uma música. Pois é, ela também é artista e no filme é ela quem escreve Lost Stars.

Enquanto ela toca, um produtor musical decadente e bêbado na pele do Mark Ruffalo entra e curte o som, e se oferece pra assinar um contrato com ela e, coisa vai, coisa vem, eles resolvem gravar um CD low budget alternativo com as músicas dela.

A história se desenvolve sem que nada aconteça enquanto eles gravam esse CD pela cidade, e é total e completamente concentrada em relacionamentos humanos. Não tem nenhuma grande reviravolta e te deixa 90% do tempo sem muita certeza do que está acontecendo. Eles tão se curtindo? Vão se apaixonar? Ela ainda ama o cretino? Ela vai voltar para o cretino? Existe algum cretino na história? Ela vai ficar com os dois? Ele vai ficar com as duas? Ela vai ficar sem ninguém? A gente tenta encaixar o filme em tudo quanto é caixinha e ele apenas não cabe.

Eu esperava uma comédia romântica, apenas porque sim. E não foi isso o que eu ganhei. Em condições normais eu teria me sentido traída, mas acabei amando o filme em níveis estratosféricos pelo rumo que ele toma.

Não consegui parar de enxergar a Keira para enxergar a Gretta, mas eu consegui ver a Gretta mesmo assim e me apaixonar por ela, porque ela é o tipo de personagem feminina super forte que você não percebe que é super forte enquanto você não para pra pensar sobre isso. Ou até que ela cante I have loved you like an idiot para ele na caixa postal. Porque – sem or! – como ela cresce. Basicamente, ela é eu e você.

Os outros personagens são muito bacanas. Mas o filme é da Gretta.

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Se você não assistiu ainda, recomendo que pare pule os próximos dois parágrafos e vá direto para o fim do texto. Pode deixar que eu aviso quando for seguro.

Precisei incluir esse spoiler, porque mesmo amando o filme todo, foi o final que me quebrou em duas. Foi quase como se alguém pensasse “o que essa garota (e muitas outras, com certeza) precisa ver agora?”, então foi lá e fez. Não havia outro final possível e, mesmo que houvesse, não seria tão maravilhoso.

Aquelas expressões faciais, quando ela se dá conta de que o que ela quer não é homem nenhum, é muito mais do que isso, e chuta gentilmente as duas bundas para ser feliz sozinha com as coisas que ela ama, com o sonho dela, ao invés de se contentar em ficar em segundo lugar para outra pessoa. Não dá para explicar, eu só queria abraçar a guria ali e chorar para sempre. Porque foi uma lição e uma identificação sem tamanho.

Okay, é seguro, podem voltar.

Recomendo esse filme com todo o meu amor para todo mundo. Mas recomendo com toda a minha insistência para todas as amigues da minha geração, que eu sei que uma hora ou outra na vida acabam passando por algo do tipo (a coisa toda, não necessariamente a parte ‘coração partido’ da coisa). Nós somos maravilhosas, nós somos suficientes, nós somos donas dos nossos narizes e definitivamente não precisamos seguir o caminho conhecido das comédias românticas padrão, e nem nos contentar com nada.

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Beijos no nariz.

Filmes, Listômetro

Meus 6 filmes favoritos da adolescência (que continuam na minha vida até hoje)

Sou, sempre fui e sempre serei louca por filmes adolescentes, e não me envergonho nadinha disso. Até hoje, sempre que vejo uma dessas belezuras no ar, paro tudo para assistir. Quando não está no ar, mas me dá vontade mesmo assim, paro tudo do mesmo jeito.

Não sei qual a receita desse tipo de filme para mexer com as minhas entranhas, talvez (provavelmente) eu ainda tenha espírito de adolescente e aqueles dramas sem fundamento nenhum apenas dialoguem belamente com os meus sentimentos. Talvez eles sejam feitos à base de crack. Talvez eles só sejam bons (ainda que daquele jeito “tão ruim que chega a ser bom”), mesmo que a gente se recuse a admitir.

Independente disso, esses abaixo são aqueles filmes que ocupam um lugar grande no meu coração até hoje. Do menos ao mais amorzinho.

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  1. Operação cupido

Nem sei nem se esse se qualifica como filme adolescente considerando que a LiLo era nada mais do que um baby nele. Sei apenas que vi esse filme pela primeira vez em épocas tão remotas que eu fiquei na dúvida se existiam duas meninas ou uma só, na “vida real” (sim). Provavelmente ele estaria mais apropriado em alguma lista de filmes de criança, junto com As Namoradas do Papai (amor eterno, amor verdadeiro), mas por algum motivo ele pareceu se encaixar na lista.

Para quem não conhece: LiLo1 e LiLo2 são menininhas que vão passar o verão em um acampamento e descobrem que são na verdade gêmeas idênticas separadas quando eram bebês pelos pais que tiveram a ideia mais imbecil do século acharam que seria bacana dividir a dupla para nunca mais ter que olharem para a cara um do outro, já que elas são iguais mesmo. Thumbs up pra eles.

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  1. Paixão de Aluguel

Hilary Duff, o que dizer dessa mulher sensacional? Só sei que Holly tem um blog, e que toda vez que eu vejo esse filme eu fico com uma vontade louca de blogar, porque sou esse tipo de pessoa. Ela tem a ideia mais estapafúrdia do século, só para enxergar a merda que fez quando não dá mais para voltar atrás. E isso, amigos, é totalmente a minha cara.

Para quem não conhece: Holly, sua irmã caçula e a mãe solteira vivem se mudando por aí cada vez que a mãe termina um namoro, até que a menina não aguenta mais e resolve criar um plano extremamente imbecil para fazer elas ficarem em NY (quem nunca?).

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  1. As Patricinhas de Beverly Hills

O mais antigo da lista, e sensacional em tantos níveis. Meu sonho de toda a vida é um armário igual ao da Cher (não pelas roupas, obviamente), e frequentar o Ensino Médio em alguma escola dos Estados Unidos só pra ver se alguma coisa nesses filmes é real ou se a minha infância/adolescência foram uma mentira completa.

Para quem não conhece (really??): o filme conta basicamente a história de um grupo de patricinhas ricas e populares no ensino médio, com ênfase em uma delas: a Cher. Poderia ser parecido com o próximo da lista, mas não é, porque o filme não sala nada sobre como elas são pessoas escrotas, muito pelo contrário. São as cool kids mais gente como a gente que eu já vi por aí.

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  1. Meninas Malvadas

Eu sei que vai ter gente por aí (cof cof) um tanto chocada por esse filme estar só na terceira posição. Não me entendam mal: eu amo esse filme e pra mim ele sempre vai ser um clássico da minha geração (me julguem). Já assisti um milhão de vezes e vou continuar assistindo até eu morrer, e forçarei meus filhos a assistirem também. As piadas nunca deixam de ser incríveis, a história nunca deixa de ser sensa e as personagens ainda são maravilhosas. É só que eu estou me esforçando muito para fazer uma escala sincera, e para a minha versão adolescente, os filmes abaixo são imbatíveis.

Para quem vive em marte: o filme conta o que acontece quando Caddy, uma menina que acaba de se mudar da África e nunca frequentou uma escola, entra no ensino médio e começa a andar com as meninas populares e babacas da escola. Pura intriga adolescente e girl power.

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  1. Sexta-feira muito louca

Esse é o filme que me inspirou a começar a tocar violão/guitarra aos 12 anos. Esse é o filme que me fez querer desde sempre estar em uma banda (e ser ruiva). Esse é o filme que fez minha tia tirar a porta do quarto da minha prima uma vez (sim, e eu achei relevante mencionar). Esse é o filme que eu assisto agora muito menos que eu gostaria, mas que sempre vai ter um lugar único no meu coração. Cara, Jamie Lee Curtis; LiLo rebelde sem causa; terremoto terremoto; e, principalmente, aquela lição de moral brega e tão verdadeira. Já devo ter assistido esse filme mais de cinquenta vezes.

Para quem não conhece: LiLo (ops, Anna) e a mãe vivem brigando igual cão e gato, até que uma magia chinesa muito louca faz elas trocarem de corpo, e então elas precisam começar a se entender para poderem voltar ao normal. Rola toda aquela história de enxergar o mundo pela perspectiva da outra e bla bla bla assistam.

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  1. A Nova Cinderela

Campeão eterno. Aquele filme que eu estou nesse segundo morrendo de vontade de assistir e que foi a inspiração suprema para a criação dessa lista. O filme que eu assisti cinco vezes em loop na primeira vez que aluguei na locadora, uma década atrás, e o que mais faz o meu coração doer (talvez por ser um remake da história da Cinderela que, como eu falei, eu amo de paixão). E só por isso encerrarei o post com um gif dele (apesar de ainda não ter encontrado pelas internetes o gif que eu mais quero na vida desde sempre).

Para quem não conhece: um soco no nariz. Brimks (?). É basicamente a história da Cinderela, mesmo. Sam era uma menina criada só pelo pai, Hal, que um belo dia resolve se casar com uma mulher muito escrota (e ilária) e morrer. Aí a Sam vira a empregadinha da família e vai morar no sótão — aquela história que a gente vê todos os dias — até que ela resolve ter seu dia de princesa e dar uma virada nessa história. E, claro, tem a Honda, a fada madrinha mais sensacional do universo inteiro.

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Se você não viu algum desses filmes que eu listei, lembrem-se sempre: ser adolescente depois de adulto pode e é muito diver. Então baixem essas preciosidades, sentem suas bundinhas e façam uma maratona.

Apenas porque não custa lembrar.

Apenas porque não custa lembrar.

Durante esse mês de abril, estarei eu participando do BEDA (blog every day in april), o que significa que todo dia tem post saindo do forno pra vocês. Me amem.

Filmes

Meus pensamentos sobre Cinderela (o filme)

Texto-resposta a esse post aqui da Analu sobre o filme.

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Sem querer, roubei seu coração eu e Analu fomos simultaneamente ao cinema assistir Cinderela, a adaptação live action da animação que reinou soberana durante toda a minha infância (dentre as princesas da Disney). Depois de descobrirmos essa coincidência linda, ela veio com a proposta “tô postando sobre o filme, posta também!”.

Vocês estão achando que foi assim que chegamos aqui, mas não foi. Minha resposta pra ela foi que eu achei fofo, mas não amei, e portanto ficaria com uma preguiça enorme de escrever sobre (o ânimo só costuma vir mesmo quando a gente ama ou odeia alguma coisa). Falei também que tinha achado super “sessão da tarde mid-90’s” (vulgo creiço), o que ela totalmente interpretou errado.

Saiu o post dela (e o da Anna também, vocês deviam ler ambos) e lá fui eu comentar, só que o comentário foi ficando grandinho, e maior, e gigante, e achei por bem que era melhor eu fazer um post logo de uma vez. E assim surgiu esse post-resposta.

Disse Srta. Ana Luísa que a Cinderela do desenho era uma alpinista social. Sinto que minha primeira obrigação é, então, defender a coitada.

coitada

Em toda a minha vida cinderelesca, nunca jamais em momento nenhum enxerguei a moça dessa forma. Muito pelo contrário, ela nunca foi pra mim nada mais do que a mais realista das “princesas”. Como assim? Caramba, a menina trabalha igual uma corna de domingo a domingo — e quando tem um tempinho ela sonha com a vida das celebridades. O que tem diferente nisso do que eu e você fazemos todos os dias? E isso faz de alguma de nós alpinistas sociais? Talvez, mas estaremos então todas no mesmo barco e não cabe a nenhuma de nós julgar Cinderela.

Um dia, surge a notícia de um baile aberto, no qual uma penca de celebridades vai estar presente. Você imediatamente pensaria: ( ) não sou boa o suficiente, vou ficar em casa e assistir alguma coisa no netflix, ou (x) oba! Vou colocar um vestido divo, ficar gata, dançar a noite inteira e espiar os famosos pra ver se eles são gente como a gente.

Tô gata pracaralho.

Tô gata pracaralho.

Gente, é um conto de fadas, mas nem toda princesa precisa ser songa-monga. Acho que é direito de toda mulher cair na noite e curtir a vida de quando em quando.

Essa pode ser a sua única oportunidade na vida de estar com o seu ídolo, mas você precisa ir pra casa cedo e não tem essa chance. Não importa quão boa tenha sido a noite, eu ficaria chateada. Desculpem a ousadia.

Enfim, todo o meu amor pela Cinderela se deve a isso aí que eu falei: como não amar uma pessoa que resolve que está a fim de se arrumar e cair na gandaia, e vai? Sem precisar de nenhuma amiga a tiracolo, ainda por cima. Essa moça merece respeito.

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E então veio o filme. (e daqui em diante é possível que haja algum spoiler, então leiam por sua conta e risco.)

No live action, a gente dá de cara com uma Cinderela completamente diferente. Mais complexa, talvez; mais explicada, com certeza; com um lema ótimo, definitivamente (“have courage, be kind” foi parar no meu journal com letras garrafais, me julguem). Mas nem tudo foram flores.

Aqui é hora de explicar minha definição do filme como “sessão da tarde mid-90’s”. Claro que a história tem tudo a ver com essa definição, mas o que me levou a dizer isso foi a resolução da imagem e os efeitos visuais tão gritantemente creiços. E também algo naquelas sobrancelhas pretas enervantes dela. Mas isso não significa que eu não gostei do filme.

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Quem explica essa obsessão do Tim com borboletas?

Gostei, sim, bastante. Por todos os motivos que a Anna Vitória já explicou muito bem e eu não preciso repetir. E também porque eu sou uma idiota romântica que nunca resiste a uma história de amor, uma mocinha pobre-coitada e um monte de gliter (e magia, claro). Eu chorei e tudo, juro.

Mas o que me impediu de amar enlouquecidamente e querer abraçar o filme é que ele matou as minhas partes favoritas da outra Cinderela, lá de cima.

Em uma tentativa de amarrar pontas ou sabe-se lá o que (talvez desviar do te vi-te amei-vamos nos casar pela manhã), eles tiraram a garota que só queria uma noite de folga e um vestido bacana e colocaram uma guria levemente(?) irritante  que cometeu abusos contra animais só pra correr atrás de um homem que ela viu uma vez na vida (seja ele um príncipe ou não) vestindo um sapato de gosto extremamente duvidoso.

O filme é fofo — fofíssimo –, tem mais que meia dúzia de lições morais bacanas e piegas, e eu definitivamente gostaria de ter amado. Mas preciso dizer que, se me derem a opção, escolherei o desenho everytime.

Eu juro que nunca mais vou beber tanto.

Eu juro que nunca mais vou beber tanto.

Filmes

Correndo atrás do Oscar 2015 – Parte 1

Mesmo acordando cedo no dia seguinte, eu adoro assistir a cerimônia do Oscar. Falando a verdade verdeira, eu não entendo muito das partes técnicas, e fico boiando frequentemente, mas sempre tento assistir o maior número de indicados possível, não porque me ajude a entender melhor, mas porque assim eu não me sinto uma fraude tão grande.

Esse ano estou obviamente atrasada na maratona e até agora só assisti três dos indicados a melhor filme, mas acredito que (talvez pela primeira ver ever) eu vá conseguir assistir todos os indicados dessa categoria, e talvez alguns de outras, porque vou passar alguns dias em casa de molho me recuperando de uma cirurgia.

Achei então que essa seria uma boa oportunidade para dar minha opinião não-solicitada por aqui, já que faz um bom tempo que não falo de filmes por essas bandas. Por algum motivo, em algum momento eu me toquei da minha completa falta de qualificação pra falar do assunto e parei. E agora eu resolvi que — bem, que foda-se — e resolvi voltar. Tem gente falando asneira por todo canto, por que não eu? (ah ah por que não eu?)

Grande Hotel Budapeste (2014, Wes Anderson) – Vi o trailer pela primeira vez quando fui ao cinema assistir Hoje eu quero voltar sozinho (outro sobre o qual preciso comentar aqui uma hora dessas), e a primeira coisa que eu pensei e falei foi “preciso ver esse filme”. Foi o primeiro que eu vi e o único que eu vi no cinema até agora. Mesmo antes de ver os outros, eu achei que seria o meu favorito desse ano, porque é tão engraçado, de verdade. Eu também achei toda a produção muito bonita e todos os personagens bem convincentes. O Ralph Fiennes, em especial, me pareceu muito bem no papel de M. Gustave (melhor personagem). No geral, o filme me passou uma impressão de pseudo-simplicidade pretensiosa, mas não me decepcionou e me divertiu muito.

A Teoria de Tudo (2014, James Marsh) – Esse foi escolha do meu irmão (não embarco em aventura furada sozinha), já que por algum motivo eu não tinha muita expectativa com ele e tinha a impressão de que seria um filme chato. Acho que não ando muito na vibe pra filmes biográficos, mas fiquei muito feliz de ter dado uma chance e não ter criado um bloqueio prévio. A história é obviamente feita para apelar para o emocional, e não tem como não ser. Apesar disso, a impressão que ficou em mim não foi tanto de tristeza, mas de melancolia. Também tem uma fotografia bem bonita e ótimos atores. Não assisti todos os filmes ainda, mas acho que o Eddie Redmayne merecia melhor ator, porque a caracterização dele como o Stephen Hawking em todos os estágios da doença foi incrível.

Boyhood: Da infância à juventude (2014, Richard Linklater) – Finalmente, mas não menos importante, esse foi o filme que eu estava assistindo uma hora atrás e que me motivou a vir aqui e fazer esse post. Acho a proposta do filme sensacional e é um dos que eu estava com mais vontade de ver desde o começo. Andei vendo umas críticas bem variadas sobre ele e isso me desanimou um pouco, mas na hora de escolher qual seria o filme de hoje, acabei optando por ele. É um filme bem linear, sem picos e, para quem está focado na história, imagino que possa ser bem monótono; mas eu fiquei o tempo todo tão entretida com a própria proposta do filme que eu sinceramente nem notei isso. Aceitem minha palavra quando eu digo que não me flagrei ficando entediada nenhuma vez nas quase 3h de filme. Achei que o resultado final ficou sensacional e me deixou com um sentimento de nostalgia de um jeito bom. Só consigo descrever esse filme como um amor <3

~Bônus~

Para sempre Alice (2014, Richard Glatzer e Wash Westmoreland) – Sim, eu sei que esse não está indicado a melhor filme, mas foi o primeiro que eu vi depois do começo oficial da “maratona oscar” porque eu estava muito ansiosa por ele desde que descobri que tinha virado filme (pois é, sou desinformada). Eu li o livro que baseou o filme alguns anos atrás e ele é apenas uma enxurrada de ~feels~ simultâneos. E é claro que isso afetou minha experiência com a adaptação. O filme é muito bom, e é bem emocionante, mas — como era de se esperar — passa aquela sensação (muito comum em adaptações) de que tudo está muito corrido e tem muita coisa faltando. Gostaria de ter assistido antes de ler o livro, com certeza teria aproveitado muito mais, mas de qualquer forma é um bom filme.