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Além do tempo, a novela, e suas #referências

Acho que já disse mil-e-muitas vezes que desde criancinha eu assisto novela. Literalmente. Desde uns dois anos, sei lá. Nos últimos anos fui me afastando mais e mais desse mundo (talvez porque esteja ficando difícil achar um plot que eu ainda não tenha assistido nesses anos de estrada), mas esse mundo mágico vai permanecer para sempre como um elemento importante da formação do meu caráter, e volta e meia ainda aparece uma novelinha que conquista meu coração. Curiosamente, muitas das minhas queridinhas passam no horário mais marginalizado das emissoras: 18h.

Fiquei com muita vontade de assistir A vida da Gente Sete vidas logo que começou, mas quando fui me coçar, duas semanas já haviam passado e eu nunca mais consegui acompanhar.

Então ela acabou e começaram a anunciar Além do Tempo. Novela de época (pelo menos no começo), amor que transcende o tempo e essa história toda. Caralho, PRE-CI-SO. É exatamente o tipo de história que faz meu coração sofrer cantar e mexe com os meus brios sentimentalóides. Sou tão dessas.

Aí a novela começou, e eu comecei a correr atrás porque esse horário é apenas impraticável para seres humanos adultos normais que precisam trabalhar para pagar as contas. Então eu assisto tudo na internet quando chego em casa, sem falta. E gente. Que decisão acertada que eu tive.

Verdades sejam ditas, até agora o casal principal teve seus momentos, mas ainda não decolou (eles se encontraram o que, meia dúzia de vezes?), mas ainda confio no potencial deles, e a novela tem TANTAS outras coisas maravilhosas. Tipo? Tipo #referências.

Oi? É. Referências. Pra começar, referências ao meu livro favorito de todos os tempos para todo o sempre amém. Aquele que eu já li seis vezes e planejo chegar pelo menos à leitura número 50 antes de morrer. Orgulho e Preconceito. Sim, tem Jane Austen na novela das 18h, bjos sociedade. Não uma referência, mas várias. Então resolvi fazer uma listinha, caso alguém por aí esteja perdido.

1. A família Bennet Pasqualino

Não dá para confundir. Eles são os Bennet, com algumas filhas a menos. As personagens e a dinâmica Massimo/Salomé é Sr./Sra. Bennet dos pés à cabeça, Bianca é Lydia até dizer chega. Situações são reproduzidas, o clima é mesmo. É a coisa mais descarada que já vi na vida, e eu amo cada minuto.

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2. Lady Catherine de Bourgh Condessa Victória Castellini

Ricas, nojentas, têm certeza que são superiores a todos os outros seres do universo, são tias do protagonista masculino (e tentam arrumar casamento pros coitados), têm títulos de nobreza, mandam e desmandam na vida todo mundo porque podem. E ainda são muito — MUITO — parecidas.

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3. Mr. Darcy Conde Felipe e Lizzie (marromeno) Lívia

O orgulho e o preconceito são bem atenuados, mas a dinâmica cara rico e de família/moça meio pobre e sem freios sociais e que está decidida a só se casar por amor ta toda aí. Também temos mocinha rejeitando mocinho em belas paisagens rurais, e tia-esnobe-intrometida decidida a separar o casalzinho. Estou louca?

felivia

4. Caroline Bingley Melissa

Último item da lista: a moça de família, possivelmente interesseira, que está determinada a se casar com o mocinho rico e nobre: Caroline Bingley, ops Melissa. Fina, bem criada, cheia de vestidos maravilhosos demais meu deus, nariz empinado e apenas desesperada para agarrar o ome.

carolmel

Não bastasse tudo isso, ainda temos referências maravilhosas a Noviça Rebelde, gente. Elizabeth Jhin não tem nenhum respeito com o meu coração. Para quem não captou, estou falando da Rita, essa pessoa maravilhosa que deixa o convento para cuidar de uma menina super comportada (só que ao contrário) e costura calças com cortinas velhas. Sim, essa novela tem meu coração, me julguem.

E deem licença que eu preciso ir ali assistir os últimos capítulos. Volto amanhã.

Esse post é parte integrante do meu BEDA. Para saber mais sobre essa cilada leia esse post. Tem sugestão de tema ou pergunta para a minha pessoa? Deixe nos comentários ou entre em contato.

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Como e por que Unbreakable Kimmy Schmidt virou minha nova série de comédia favorita

(Warning: post ilustrado com uma avalanche de gifs)

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Estava eu, um lindo dia, no trabalho cuidando da minha vidinha, quando recebo um e-mail do Netflix, exatamente daquele tipo que eu lindamente ignoro toda vez. Mas dessa vez eu não ignorei, sabe deus por quê. Eu abri, e o anúncio era da (então) mais nova série original deles, que já começa a ser genial ao se chamar Unbreakable Kimmy Schmidt, continua sendo original no plot incrível, e lacra sendo escrita e produzida pela Tina Fey.

Obviamente que o primeiro pensamento que passou pela minha cabeça foi “OMG, preciso assistir essa série agora“. Mas como eu sou eu, demorei umas semaninhas para vencer a preguiça e dar play no primeiro episódio.

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You have to listen to Kimmy.

Até que hoje eu resolvi finalmente sentar minha bunda e colocar em ação meus planos de assistir a série, já que estou em carência extrema de séries de comédia desde Bad Judge foi cancelada e me deixou órfã.

Kate Walsh, amo você. Vou sentir falta pra sempre da minha role model, Rebecca Write, e jamais vou esquecer as falas feministas que me faziam querer entrar no computador e te abraçar. Mas depois de uma maratona de cinco horas de Kimmy Schmidt, acho que encontrei minha nova série de comédia favorita de todo o universo pra toda vida.

Nunca vou deixar de rir de Friends, planejo voltar a me divertir com Community algum dia, mas me escutem de verdade quando eu digo que Unbreakable Kimmy Schmdt atingiu um novo nível.

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Como explicar a maravilhosidade dessa série de uma forma suficientemente didática? Não sei, mas para ajudar foi que eu selecionei esse flood de gifs maravilhosos.

Se o fato de eu ter divertido minha família com as minhas crises histéricas de riso ou a minha necessidade de pausar o vídeo a cada cinco minutos pra recuperar o fôlego de tanto rir não forem explicativas o suficiente, vamos tentar outras abordagens. Porque, gente, Tina Fey. A menção desse nome já devia fazer vocês esperarem algo genial. Tem feminismo? Tem, a rodo. Tem diversidade étnica, social e sexual? Tem também. Tem crítica política e social? Obviamente. E tem as melhores piadas que eu vi em muito — MUITO — tempo? Ã-ham. E esse é basicamente a receita do sucesso.

Nada nesse show é o que você espera, a não ser quando é pra ser algo maravilhoso. Você espera que uma personagem sequestrada com quinze anos e que passou uma década e meia reclusa sofrendo lavagem cerebral religiosa seja uma mulher independente que questiona todo tipo de comportamento repressivo e discriminatório, e ainda tenha as melhores respostas pra situações de bullying? Eu não.

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E você espera uma pá de demonstrações de amizade e lealdade feminina, incluindo entre a patroa perua e a babá ultra-estranha que tem resposta pra tudo? Não gente, claro que não. Mas tem, e é sensacional em milhões de níveis diferentes.

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Tem representatividade pra outras classes também? Pode apostar. Tem negro, tem gay, tem latinas, tem asiáticos. Só senti falta de alguma mulher negra por lá.

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Eu não sei escolher um personagem na série inteira que não seja sensacional. Mesmo porque, qualquer um que não brilhe acaba ocupando um espaço ínfimo e servindo só de trampolim para os quilos de figuras maravilhosas que a gente tem ali.

A Kimmy é uma personagem principal incrível, o Titus é ilário, e a Lilian tem seus momentos. Mas quem conquistou mesmo meu coração foi a Jacqueline. Sozinha e em dupla com a Kimmy. Ela consegue ser ao mesmo tempo um estereótipo e tudo aquilo que você não espera que ela seja. E eu amo ela loucamente.

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Jacqueline sobre o GPS

E se essa festa dos gifs não convenceu vocês, fica aqui o último apelo. Por favorzinho. Peloamor de qualquer entidade suprema que vocês acreditem (ou não). Pelo que quer que seja. Assistam essa série. Façam isso por mim. E se vocês não amarem nem um pouquinho, podem voltar aqui e me dizer que eu sou louca.

selfie

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Sobre Clarina, de uma fã

Não é segredo pra ninguém meu amor profundo pela única parte da novela das nove que não afundou imediatamente: Clara e Marina. Não preciso repetir que naquela primeira cena fatídica em que as duas se viram na exposição meu coração deu um nó cego que não quer soltar. Só que em algum ponto entre aquele momento longínquo e agora, a dor boa que eu sentia toda vez que elas apareciam virou uma dor ruim, por milhares de motivos diferentes.

Passei mais capítulos do que seria saudável para qualquer mente suspirando, grunhindo e chorando em cada cena, cada toque, cada olhar. Depois de um tempo, essa espera começou a me agoniar, porque era óbvio que a estória já devia ter avançado em alguma direção, mas nós continuávamos virtualmente estacionados no mesmo lugar de sempre. E então pareceu que a trama ia andar, passou o divórcio, só para me mostrar a definição mais verdadeira da palavra decepção.

Juro pela minha mãe que elas eram muito mais casal antes de assumirem o romance do que quando as coisas teoricamente começaram a acontecer. Me apontem algum outro casal, ficcional ou não, que mantenha uma margem mínima de um metro de distância em todos os momentos e se despeça com beijo na bochecha e eu prometo uma retratação formal. Todos os abraços românticos, as cenas maravilhosas, as declarações apaixonantes praticamente sumiram. As duas foram colocadas em banho maria e a única explicação racional que eu consegui foi: covardia.

Isso sem falar na polêmica do beijo. Primeiro Manoel Carlos diz que não sabe ainda se vai acontecer. Um pouco mais tarde, anunciam a tão esperada notícia que os tais beijos [dois, supostamente] foram autorizados pela globo e deveriam acontecer no último capítulo (que original!). Então, para surpresa geral da nação, vem finalmente o anúncio de que o beijo aconteceria dia 30 (ontem), a duas semanas do fim da novela. Aleluia! Quem se importa com a coincidência de a tão esperada e temida cena sair justamente no meio da copa, quando tudo e todos estão cem por cento concentrados no futebol?

A foto que acompanhava a notícia já me deixou com um pé atrás. Por algum motivo, a única parte delas que se tocava eram os lábios. Não sei no seu mundo, mas no meu, um clima de romance convincente (especialmente se duas pessoas já estão em um relacionamento) exige “um pouco” mais de proximidade física. Mas continuei animada. E durante a cena que antecedeu o grande acontecimento, meu coração quase saiu pela boca simplesmente porque sou uma boboca iludida que suspira com qualquer cena romântica. E então veio aquele beijo miado e tão rápido que eu perderia se tivesse parado para piscar, sem falar na postura claramente (sem trocadilhos) desconfortável da Giovana Antonelli; mas eu ainda estava feliz.

Só que toda felicidade e alienação tem limite, e me enfiar na cara dois beijos hétero estilo desentupidor de pia sucessivos de um mesmo homem com duas mulheres diferentes é um passo muito fora da linha. É uma afronta, um tiro na cara de todo mundo que esperou o beijo Clarina. Foi olhar na minha cara e dizer: “olha! não é legal que elas deram um selinho? agora dá uma olhada nesses beijos de língua cheios de saliva e engole o fato de que é algo que elas nunca vão poder ter, porque são gays.”

Sinceramente, eu devo ser muito iludida por ter pensado algum dia que o beijo de Félix e Niko (apesar de incrivelmente romântico e lindo) seria algum tipo de “turning point” na programação da Rede Globo de televisão. Por algum motivo eu realmente acreditei que, depois daquilo, a tolerância seria um pouco mais valorizada e casais homoafetivos gozariam de um pouco mais de igualdade nas telinhas. Mas o que eu vi foi exatamente o oposto, foi um tiro que saiu pela culatra.

Se o Félix era uma personagem gay, brilhante e divertido, e o romance para ele aconteceu de forma incidental e cresceu sem enrolação até aquele ápice fantástico; a proposta de “Em família” era completamente diferente. Nunca houve um personagem gay como foco. O objetivo declarado era muito mais ambicioso: um casal gay. Casal, expressão que implica amor, carinho (físico também), e B E I J O. Uma vez lançada a proposta, não dava pra voltar atrás. Desculpa minha mente deturpada, mas casal sem beijo não é casal.

Depois de tudo isso, a impressão que eu tenho é que o Manoel Carlos simplesmente desistiu, ficou com medo, colocou o rabinho entre as pernas e se escondeu na toca, se acovardou. E no fim das contas acabou foi fazendo um grande desserviço à toda a população brasileira. Ao invés de tratar a situação com um mínimo de naturalidade, pregar a tolerância, tudo o que ele fez foi marginalizar as duas; foi pintar a palavra gay na testa delas e deixar bem claro que elas nunca vão ter o mesmo status de um casal hétero, que elas vão ter que se contentar com um mísero selinho de cala-boca, que muito mais estigmatizou do que valorizou qualquer coisa. Foi muito mais do que uma cena de novela, foi uma declaração ideológica carregada de preconceito que deixou a mim (e a muita gente, creio) profundamente decepcionada.

Minha chateação é tanta que eu não sei nem como terminar esse texto. Com certeza deixei tanta coisa de fora, apesar de ter me estendido demais, que daria para construir um outro texto inteirinho. De qualquer forma, aí vai meu grito no vazio para que o mundo saiba que eu e várias outras pessoas por aí não estamos satisfeitas e não concordamos com nada disso. Considerem isso minha carta de repúdio à péssima forma como o assunto foi tratado pela Globo e pelo Manoel Carlos.

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Problema no coração: Parte II – Marina e Clara

Quando a novela “em família” começou, eu estava animadíssima. Sempre adorei as novelas do MC, as Helenas, o Leblon. Estava na hora de uma nova para a coleção.

Acontece que a novela começou uma droga. Eu esperei a passagem de tempo, porque tinha certeza que ia melhorar, mas o negócio continuou ruim. Em tempos normais, isso não me impediria de persistir e assistir, nem que fosse apenas para ter o direito de dizer OMG-como essa novela é ruim e correr para ocupar meu lugar cativo na frente da TV assim que o relógio batesse 21h (mesmo sabendo que a novela nunca começa às 21h).

E foi assim que eu desisti. Porque tempo é uma coisa preciosa demais para mim no momento. E continuei basicamente desistida, até que o aparelho da sala permaneceu ligado nela sem querer uma vez e eu fell in love. Com quem? Com o casal fictício mais amor da atualidade (Toni e Hilda que me desculpem): Clara e Marina.

Não é só o fato de que a Tainá Müller é ridiculamente linda. Não é só todo o clima “gata-borralheiresco” que rola entre elas. Acho que, como bem disse minha companheira para fins noveleirísticos, a grande questão é esse amor doído. O amor sofrido que esfaqueia seu coração, joga sal nas feridas e depois lança o pobre-coitado na frigideira pelo simples prazer de te fazer sofrer – e eu caio 100% no truque todas as vezes.

A questão é que não existe expressão apaixonada em toda a dramaturgia brasileira que se aproxime da cara que a Marina faz quando olha para a Clara. E que ela insiste que não é boba, que vai desistir da outra, que não tem dom para o amor platônico, que é artista-free spirit-não se prende a ninguém; mas é tão óbvio para qualquer um que tenha olhos que ela não consegue “demitir a Clara do coração dela” (graças a deus para nós).

E o mais lindo de tudo é que nem precisa rolar a polêmica do beijo gay por enquanto (apesar de eu ter fé que eventualmente vai rolar, e será a ruina do meu coraçãozinho), porque cada abraço delas é muito mais romântico e significativo que qualquer beijo de língua que qualquer outro casal dê por aí. Está ali, na cara, é só que as pessoas não querem ver, porque está todo mundo preocupado demais com o próprio preconceito para aproveitar o momento.

Concluído esse pequeno manifesto procrastinatório-porém-sincero, o melhor que eu faço é ir estudar, resolver a minha vida e tentar fazer qualquer coisa que me ajude a tirar essas duas da minha cabeça pelas próximas 11h. Como alguém disse nos comentários do último texto, acho que eu sou uma romântica incorrigível.

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Problema no coração

Eu sofro de um problema muito sério no coração. Mas não precisam se preocupar, porque não é nada clínico. A origem do meu problema é uma infância superlotada de novelas, livros e princesas da Disney, e agora eu simplesmente tenho uma incapacidade crônica de viver no mundo real.

É quase como o problema das crianças viciadas em pornografia, que com o tempo não conseguem mais se satisfazer com as experiências da vida real. Eu sou viciada em romance fictício. A tal ponto que qualquer experiência real que eu presencio/ouço falar me arranca um “aw” e um suspiro, mas só aquelas cenas bem melosas e clichês da ficção conseguem fazer meu coração se contorcer como roupa molhada na mão de lavadeira.

É por isso que A Nova Cinderella é o filme da minha vida e, por mais que eu curta um Almodóvar, jamais me lembrarei de “A Pele que Habito” quando me perguntarem meu filme favorito. Não me importa o valor artístico, o nome do diretor, o gênero. Para mim existe uma pergunta crucial no momento de determinar se eu quero assistir um filme, ou se… eh, pode ser.

Como o “paradoxo piraquê”, eu coloco aí a culpa da minha assumida noveleirice. Afinal de contas, nada como um bom romance de novela, com aquela velha fórmula (casal se conhece-vilão separa casal-a trama é descoberta-casal termina junto) para fazer meu coração bater mais forte. E não precisa nem ser o casal protagonista.

Quando a novela das seis (Joia Rara) começou, eu realmente queria assistir, por causa do tema. Com o passar do tempo, ficou óbvio que novela das seis simplesmente não é compatível com meu atual (e temporário) estilo de vida. E eu larguei. Mas continuei acompanhando de longe, por meio da mamãe. Foi desse jeito mais ou menos que eu vi Hilda conhecer Toni, Hilda namorar Toni, Toni descobrir a verdade sobre Hilda, Toni e Hilda casarem (…) e, finalmente, Toni e Hilda se separarem. Ai, que tristeza. O maldito do Toni lá com a maldita da ex-mulher, e a pobre da Hilda sofrendo. Eu já tinha perdido a esperança.

Até que, outro dia, estou por acaso assistindo a novela, e meus sonhos se realizam: Hilda vai cantar no rádio e Toni fica desesperadamente se doendo em casa. O que poderia melhor? Claro: Toni enchendo a cara e uivando para quem quiser ouvir que precisa da Hilda de volta. Atingi meu êxtase novelístico. Isso, sofre fdp, mas sofre logo porque a novela está acabando e vocês precisam ficar juntos antes do final.

Depois disso, o desfecho estava traçado. O que não me fez menos babaca-imbecil-babona-chorosa quando o rapareco descobre que o pai da rapariga está no hospital e corre para lá, para depois levá-la até em casa e presenciar enquanto um terceiro (que surgiu na história do nada) corteja e moça, para coroar a minha vingança pessoal. Êxtase, êxtase, êxtase. O que mais eu poderia querer?

Só sei que agora perder os próximos capítulos dessa novela vai me doer muito mais.

Ai, que casal lindo :'(
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Palomas (ou ‘sobre a estréia de Amor à Vida’)

Narcisismo puro, mas eu não resisto a uma história em que alguém tenha o mesmo nome que eu. Se tem o meu nome e ainda é interpretada pela Paola Oliveira, melhor ainda – uma Paloma horrorosa na televisão seria meio queima-filme, né. No momento em que eu ouvi o meu nome no comercial, decidi que assistiria à novela (já falei do meu problema com novelas aqui). 
Assim, enquanto minha mãe está lá se revirando na cama e sentindo falta da Dona Helô (sdds), eu estou tentando acompanhar a novela nova. 
Não sei quanto tempo vai durar – porque meu vício não vai embora e ainda assim há um bom tempo eu não consigo acompanhar uma novela como se deve – mas enquanto as coisas vão, eu vou também. 
E a minha xará conseguiu já entrar no ar me irritando. Mimada demais para o meu gosto (deve ser mal de Paloma, mas eu não fico parindo por aí no chão de bares imundos). E toda vez que aparece alguma cena dela com a filha perdida – só quem assiste entenderá – minha vontade é entrar na tela da televisão e cobrir a cara dela de bolacha. Sou violenta. 
Vamos lá, minha gente. Que tipo de pessoa grávida de 8~9 meses acha que pode sair pelo centro da cidade  dançando e pulando de bar em bar como se nada estivesse acontecendo? Pelamor, né.
Não bastasse a óbvia falta de cérebro demonstrada aí, eu ainda tenho que ser mais rígida com ela do que seria com qualquer outra personagem, porque ela leva meu nome, oras. Temos uma reputação a zelar.
Ainda assim, a história me deixa triste. Sempre rola aquela empatia de nome (com personagens ficcionais, na vida real not so much), mas deve ser ruim demais perder um filho assim (tá, deve ser ruim de qualquer jeito). E olha que eu nem tenho filhos. É uma coisa que eu não desejo para ninguém. 
Bem, ao fim e ao cabo, acho que a novela vai bem, por enquanto. Vamos ver no que vai dar essa segunda fase. Só resta esperar os próximos capítulos. 
[Susana vieira, o problema é com você, minha filha] 

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A primeira a gente nunca esquece

Eu nunca fui daquelas que gostou das vilãs. Claro, eu queria – como todo mundo – ser diferente, mas nesse quesito eu sempre fui cem por cento igual. Para mim, as vilãs eram simplesmente gente que deu errado, e estava ali porque se uma história fosse feita só de mocinhos e mocinhas, não teria a menor graça. As mocinhas eram aquelas que tinham que vencer no final, sempre. E quanto mais clichê, melhor.
E foi aí que a Regina entrou na minha vida; depois de vinte anos de caretice. E me mostrou que uma vilã de verdade vale por mil mocinhas insípidas. Porque a melhor das mocinhas não é nada mais do que superficial, mas a Regina é a personagem mais profunda e bem construída da história da minha vida.
Claro que a personagem não leva todo o crédito. Depois de quase duas temporadas de Once Upon a Time eu não posso negar que babar ovo é pouco para o que eu faço para a atuação da Lana Perrilla – se eu tivesse em qualquer área o talento que ela tem para atuar, seria uma pessoa realizada. Mas a Regina é minha nova personagem favorita. Ponto, decidi.
O que eu acho fantástico na série como um todo é o fato de todo personagem – não importa o quão minúscula seja a participação – tem uma história. Eles não simplesmente surgem do nada ou de um passado genérico. Cada um tem sua própria trama, sua própria vida; como seria no mundo real. Mas, claro, nenhuma delas é tão boa quanto a da Rainha, que é tipo arroz de festa em está em todas.
Pensando agora, pela primeira vez parece absurdo que ninguém antes tenha pensado em contar a história da Rainha Má. Não é possível que ninguém tenha se perguntado de onde vem toda aquela maldade. Ou será que temos que aceitar que tem gente que simplesmente nasce com o cão no corpo e pronto? Não curto, desiste.
A Regina é uma personagem absurdamente densa, profunda e comovente. Pelo menos me comoveu. Ela é carente e revoltada com tudo o que o mundo tirou dela, a ponto de acreditar realmente que ela tem que se vingar de todos, e que precisa conquistar sozinha – não importa por quais meios – o que ela quer ou precisa.
E ela é capaz de amor, então nenhum cara de pau pode chegar e dizer que ela é má e ponto, certo? Por amor ela está sempre tentando mudar. E até eu, que estou aqui do lado de fora e sei que a história é uma obra de ficção, me revolto com o fato de que ninguém parece reconhecer isso. Todos aqueles que deveriam ser bons só excluem ela. E a coitada é tão solitária que dá pena. Se você não tem dó da Regina, você definitivamente não tem coração.
E se isso tudo não foi o bastante, vamos ser sinceros: quem não acha que ela é a fairest of them all, que atire a primeira pedra.
P.s. E que fique registrada minha revolta com o Henry, aquele pestinha ingrato que só sabe dizer “prova que me ama”, e nem um abraço dá em troca.
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Capitu

Ontem começou na globo o especial Capitu, que é a adaptação de Dom Casmurro, de Machado de Assis. Passa tarde, grande estímuo à cultura do público brasileiro que acorda cedo pra trabalhar. Tirando essa parte, eu fiquei absolutamente encantada por ele. É bem ao estiloHoje é dia de Maria, que eu adorei tanto o original quanto a continuação e assisti até o fim, apesar de também ter passado tarde demais.

Eu tenho que dar meus parabéns mais essa vez à Globo, apesar de eu odiar ter que fazer isso. Mas eles tem gente com muito talento lá dentro, e apesar deles às vezes fazerem coisas que eu não concordo muito, eu tenho que assumir quando eu vejo uma coisa legal.

É tudo bem teatral, por isso naturalmente exagerado, mas eu gosto da simplicidade do cenário, que é outra coisa que lembra bastante o teatro, e das caracterizações também exageradas. É tudo bem fantasioso, leva pro lado da imaginação. Faz eu me sentir criança. ‘Me faz feliz’, plagiando a Jessy. É muito diferente das outras coisas na televisão, e isso também me agrada. Porque tudo tem que tentar tanto se parecer com a verdade e esquecer a arte?

Quem mandou ser bom? Vou ser obrigada a assistir até o fim, consequentemente ficar acordada até um pouco mais tarde (sim, eu durmo cedo e gosto disso), e provavelmente passar os primeiros dias parecendo um mini-zumbi. Despois eu me acostumo, além do quê, eu tô de férias, e é pra isso que elas servem. Quem puder assistir assista. Por quem não puder eu realmente sinto muito.

Texto originalmente postado no Uol blog.