Feminismo

Feminismo Radical esquematizado

São quatro da manhã de uma sexta-feira quando eu começo a escrever esse texto, a hora em que habitualmente Gata Mabel fica subitamente carente no meio da madrugada e eu começo a revidar os puxões de cabelo dela com a expulsão da cama. Mas a semana toda eu tenho estado em um surto de energia provavelmente só explicável por psiquiatras, esse blog está às moscas — mais por falta de tempo do que de ideias –, minha cabeça começou a pensar e eu vim parar aqui, cumprindo uma promessa mais ou menos antiga que eu fiz a uma amiga quando me identifiquei como RadFem aqui um tempo atrás: falar um pouco mais sobre feminismo radical.

Como eu não começo nada sem divagar um bom tanto, eu preciso explicar primeiro as causas da minha demora. A principal é que eu simplesmente não me sinto qualificada o suficiente para fazer esse texto. Eu me considero muito nova no feminismo em geral, e principalmente no feminismo radical em particular, e não dedicada o suficiente aos estudos para chegar aqui e dizer que o feminismo radical isso ou aquilo, sabendo que a partir do momento que esse texto sair das minhas mãos para a internet ele vai ser usado por qualquer um que o encontre como uma fonte de informação digna de mais ou menos crédito — e naturalmente tanto mais crédito quanto menos conhecimento a pessoa já tiver sobre o assunto. É um tema sério e isso é muita responsabilidade, motivo pelo qual a princípio eu considerei tratar dele no ambiente mais limitado da newsletter ou por e-mail diretamente com a minha amiga.

Em segundo lugar, a questão é que eu tenho medo. Por causa de um ponto específico que consiste mais em uma não pauta do que em uma pauta do feminismo radical, essa vertente e quem se alinha a ela são muito frequentemente expostas e atacadas na internet, ao ponto de nós termos, sim, medo de nos identificarmos publicamente como feministas radicais e de todos (literalmente) os grupos e coletivos feministas radicais serem secretos e de difícil acesso. Falar abertamente sobre algumas questões é algo que pode gerar consequências e, acreditem vocês ou não, mulheres são inclusive ameaçadas por expor essas ideias, mesmo dentro do próprio feminismo.

Apesar disso tudo, e após muito refletir, eu resolvi vir aqui abraçar essa responsabilidade de tentar repassar um pouco do que eu aprendi para outras mulheres que por acaso tenham algum interesse ou curiosidade sobre os fundamentos mais básicos do feminismo radical e — com alguma sorte — ajudar a atenuar o tanto de informação enganosa e incompleta que existe por aí sobre o tema. Pode parecer que só essa introdução já tenha ficado extremamente longa, e pode ser que esse post acabe sendo dividido em mais de uma parte, mas considerando que eu estou mais preocupada em passar informação do que em receber comentários, possivelmente eu siga de uma vez até o fim e volte depois para tratar com mais especificidade e mais a fundo pautas mais complexas. Quem tiver interesse vai ler até o final, mesmo que em parcelas; quem não tiver, não vai ler de jeito nenhum.

Lembrando sempre que tudo o que eu escrever aqui tem origem, claro, nos meus estudos sobre o tema, mas que qualquer estudo necessariamente passa por reflexões pessoais e ideias individualmente minhas, que podem variar de alguma forma com relação às de outras mulheres dentro da mesma linha. Minha ideia é abordar alguns temas bem introdutórios, seguindo o roteiro abaixo (podem apreciar o didatismo):

  1. Feminismo radical: conceito e nomenclatura
  2. Conceitos relevantes dentro do feminismo radical
  3. Recortes no feminismo radical
  4. O que nós não contemplamos e por que
  5. Algumas pautas principais
  6. Por que eu escolhi o FemRad (ou por que o FemRad me escolheu)
  7. Algumas indicações de leitura

Texto atualizado em 06/08/2016, e eternamente aberto a atualizações porque ainda tenho muito a estudar.

 

Feminismo radical: conceito e nomenclatura

Na linguagem popular, o termo “radical” acaba sendo sempre relacionado à ideia de extremismo, quando em sua origem as duas ideias não tem nenhuma ligação necessária. O termo “radical” significa relativo a raiz, que busca as raízes de determinada coisa. Feminismo radical, especificamente, tem a pretensão de identificar, analisar, refletir sobre e desconstruir a opressão feminina a partir de suas origens — sim, é algo tão complexo quanto parece, e por vezes doloroso também.

Não é à toa que falar de feminismo radical é falar, mais cedo ou mais tarde, de Simone de Beauvoir — frequentemente considerada a mãe e inegavelmente uma das maiores, se não a maior, pensadoras dessa vertente. A obra principal dela é O Segundo Sexo, um livro imenso (composto na verdade por dois volumes, que às vezes se encontram reunidos em um único exemplar), denso, de leitura difícil e com uma carga de pesquisa e informação estratosférica. (Que eu ainda não terminei de ler.) Para quem não conhece, nessa obra Simone mergulha a fundo em pesquisas e dados sobre o que é ser mulher sob diversos prismas — biológico, histórico, social, cultural etc. O livro é considerado uma bíblia do feminismo radical por seus próprios méritos, mas obviamente é um investimento imenso de tempo e energia mental, e nem toda feminista radical já leu, está lendo, ou vai lê-lo em algum momento — assim como nem todo católico já leu ou tem interesse em ler a bíblia deles — e isso não faz de ninguém menos feminista radical, o que não significa que quem não bebeu diretamente na fonte não vai conhecer as ideias dela, mesmo que nem sempre saiba que são dela. Se você tem interesse, disposição e tempo para investir na leitura, é bem interessante.

Mas Simone obviamente não é a única voz dentro do feminismo radical. Muitas outras mulheres pensaram e pensam a teoria radical e escrevem sobre isso, bebendo ou não (ou, talvez, bebendo em maior ou menor grau, direta ou indiretamente) na fonte de Simone. O ponto central é que o estudo — seja por meio de “obras tradicionais” de teóricas consagradas, seja por textos e/ou discussões qualificadas na internet — é importantíssimo na linha radical, porque padrões, ideais e comportamentos sociais estão sempre muito bem integrados no nosso inconsciente e na nossa personalidade para que a gente perceba espontaneamente. Ou, também, porque mesmo quando percebemos, é preciso refletir em conjunto e discutir com o objetivo de conseguir considerar qualquer tema da forma mais abrangente possível.

Por essa e por outras uma das grandes críticas à vertente é que ela seria academicista demais e se importaria mais com a teoria do que com a vivência das mulheres. Eu discordo completamente porque (1) não dá para pensar em nenhuma teoria e militância que não dialogue com a sua vivência, e qualquer teoria que contrarie a vivência (em nível coletivo, não individual) não se sustenta, e (2) fosse assim, homens poderiam apenas estudar a teoria e ter tanto conhecimento sobre feminismo quanto uma mulher — coisa que a gente não aceita mesmo (feminismo não é lugar de homem, a não  ser — talvez — para feministas liberais).

Conceitos relevantes dentro do feminismo radical

Seguindo em frente antes que eu escreva uma nova bíblia que acabe com a boa vontade de todo mundo, preciso destacar alguns conceitos que eu considero especialmente relevantes para começar a compreender a teoria feminista radical. Especificamente o que o feminismo radical entende como gêneropatriarcadoopressão estruturalsocialização.

Gênero é, desses todos, obviamente, o conceito mais importante. Socialmente falando, existem dois gêneros: o feminino e o masculino. Para nós, feministas radicais, o gênero não é algo natural. Nós encaramos o gênero como uma construção social, que se constitui e se perpetua por meio da socialização — que é tudo o que acontece com você a partir do momento em que te identificam como fêmea ou macho, muitas vezes antes mesmo do nascimento. Nós não acreditamos em nenhum “sentimento” ou “alma” ou “cérebro” femininos ou masculinos que não tenham sido socialmente introduzidos nos sujeitos em função de um conjunto arbitrário de comportamentos e regras estereotipicamente associados a determinado gênero. E, sim, a socialização acontece a partir do momento em que o ser humano é identificado como fêmea ou macho com base, principalmente, nos genitais.

A tão repetida (e mal entendida) frase de Simone “ninguém nasce mulher, torna-se mulher”, não é nada menos do que uma adaptação à teoria radical do conceito de materialismo histórico de Marx — em resumo: não é a consciência que determina o seu gênero, é seu gênero que determina sua consciência, por meio da socialização. Eu penso o que penso porque fui ensinada a pensar assim.

Fosse apenas uma divisão em categorias (se é que isso é possível), a ideia de gênero seria limitante, mas não danosa em si mesma. Acontece que toda categorização acaba descambando para a hierarquização, em que uma das classificações e tudo o que faz referência a ela é posta como superior. Logo, gênero é hierarquia, e por isso uma violência. O que o feminismo radical defende é a sua abolição.

A hierarquia do gênero masculino sobre o feminino — o patriarcado — está presente desde os primórdios da sociedade, configurando assim uma das três formas de opressão estrutural existentes: de gênero, de classe e de raça (das quais derivam outras opressões que podem ser consideradas sistemáticas, mas não estruturais, e que eu não vou listar porque, sinceramente, não me sinto capaz e não quero causar mais polêmica). Opressão estrutural é outro conceito que nasceu no marxismo, e tem o sentido de uma opressão que é, ao mesmo tempo, histórica e historicamente institucional.

Com esses conceitos, você já consegue muito bem sair por aí estudando sozinha na internet mesmo, então vamos seguir.

Recortes no feminismo radical

Uma outra crítica feita ao feminismo radical, em geral por gente que nunca teve contato com a teoria radical, é de que essa vertente não faria recorte (i.e. diferenciações e análises diferenciadas em intercessão com outras opressões). Pela própria apropriação do conceito de opressão estrutural pela teoria radical, eu acredito que essa crítica não se sustenta.

Até onde eu conheço a teoria radical, ela abraça e respeita as vivências pessoais de cada mulher, e eu até hoje não cruzei com nenhuma feminista radical que não fizesse recortes. Sim, existem mulheres negras no feminismo radical; apesar de eu entender perfeitamente bem que pessoas com pautas específicas possam preferir e se sentir mais confortáveis em espaços exclusivos que, por sua própria natureza, vão ser mais compreensivos em relação às especificidades envolvidas em determinadas lutas e na interseção entre militâncias diferentes.

Eu não posso dizer que a vertente é livre de racismo, porque onde existem brancos, existe racismo. Porque o racismo é estrutural e está na sociedade como um todo. Nesse ponto, a mesma crítica poderia ser feita ao chamado feminismo interseccional e a qualquer outra vertente, exceto aquelas exclusivas para mulheres negras.

No fim, cada um se alinha ao que escolhe se alinhar, o que não justifica fazer críticas maldosas e falsas às outras vertentes.

O que nós não contemplamos e por que

Esse é o grande ponto de discórdia no feminismo, e a origem de 90% das ofensas sofridas por mulheres alinhadas à vertente radical. Sendo generosa, 9 entre 10 perguntas feita a nós — muitas vezes com o objetivo de desmerecer a vertente e causar intriga — podem ser resumidas a “e as trans?“. Imagino que muita gente acredite piamente que feministas radicais saem por aí com tochas procurando pessoas trans na calada da noite para oprimir, quando na verdade nós só consideramos que a causa das pessoas trans* é algo a parte e que não convém misturar. É uma não pauta muito mais do que uma pauta.

Tudo isso faz referência ao conceito de socialização, explicado mais acima: o feminismo radical entende que a opressão de gênero tem origem na socialização, que — queiramos ou não — é realizada em função dos órgãos sexuais com que se nasce. E inclui o fato de que, historicamente, questões biológicas ligadas ao sexo feminino são estigmatizadas, ignoradas e/ou demonizadas e tratadas com nojo. Nada disso pode ser excluído do âmbito do feminismo sem que se esvazie e asfixie a própria essência do discurso feminista. O feminismo radical contempla todas as pessoas que sofreram socialização feminina desde o nascimento.

Nós não somos hipócritas e nenhum ponto da nossa teoria nega que pessoas trans sofrem, são marginalizadas e/ou oprimidas. Eu nunca ouvi falar de nenhuma feminista que defendesse abertamente que o transativismo não deveria existir. Mas são pautas que divergem do próprio conceito de gênero que é a base da teoria radical e, por isso mesmo, acreditamos que são coisas diferentes e que devem ser tratadas em separado, para melhor proveito geral.

Algumas pautas principais

Ultrapassado o ponto do que nossa teoria não contempla, vou apenas destacar alguns pontos que são importantes dentro da teoria radical, sem explicações no momento, e sobre os quais quem sabe eu trate especificamente no futuro, se eu não me arrepender de enveredar por esses caminhos de blogueira feminista. Enquanto isso, vocês podem pegar essa lista, o Google, e começar a aprofundar seus estudos de forma independente. Vou ajudar com uns links bacanas no final do texto.

Entre as muitas pautas importantes discutidas, temos questões como: família, maternidade compulsória, violência de gênero (que inclui, infelizmente, um leque imenso de modalidades, incluindo a violência obstétrica), aborto, prostituição, pornografia, pedofiliacultura do estupro, heterossexualidade compulsória — e, principalmente, como todos esses pontos estão ligados ao paradigma de poder e dominação masculinos sobre o corpo e o ser femininos. Basicamente, contempla todas as vivências que mulheres passam por serem mulheres.

Por que eu escolhi o FemRad (ou por que o FemRad me escolheu)

Esse ponto é 100% pessoal, ufa! Eu, pessoalmente, decidi me alinhar ao feminismo radical porque foi uma linha que me encantou desde o princípio pela coerência. Eu nunca vi o feminismo radical tratar nada superficialmente, e mesmo quem não concorda com um ponto ou outro precisa concordar que a teoria é consistente e muito forte. Eu tenho, sim, muita inclinação acadêmica — como uma pessoa que, além de sempre ter tido essa inclinação para a área, teve o privilégio de ter tido todas as condições favoráveis e frequentado uma faculdade –, gosto de estudar teoria, e não tem nada de errado nisso, mas essa coerência vem justamente porque toda essa teoria está baseada na vivência. Eu preciso de algo que me desafie, me estimule intelectualmente, e nisso o FemRad tem de sobra, porque não é fácil enxergar e desconstruir coisas que foram ensinadas direta ou subliminarmente durante uma vida inteira.

Deixando claro que essa é minha motivação pessoal. Nem todas as mulheres radicais são privilegiadas, e instrução acadêmica/formal não é um pré-requisito. Desafio vocês a encontrarem feminismo radical sendo ensinado/estudado formalmente dentro da academia — eu pessoalmente nunca vi.

Algumas indicações de leitura

Não vou indicar livros ainda porque (a) eu precisaria fazer uma pesquisa maior, e ainda assim não me sentiria confortável em indicar nada que eu não tenha lido e (b) como artigo introdutório que eu tentei fazer, acho que aqui artigos mais curtos e por vezes mais simplificados vão ser mais úteis. Segue então um materialzinho bacana para vocês se divertirem mais.

Artigos/textos específicos

Alguns sites e blogs úteis (tenho uma lista muito maior, fiz uma seleção básica para vocês, mas fico feliz em dividir mais material com quem tenha interesse)

Por hoje é isso, espero não ter matado ninguém de exaustão. Se eu puder ajudar em qualquer coisa, podem me procurar (lembrando sempre que eu não sou especialista em nada). E se alguém por acaso tiver interesse em montar um grupo de estudos sobre O Segundo Sexo (um projeto real meu) ou um grupo de estudo mais geral sobre feminismo radical (outro grande sonho), me chama. Mas fiquem sabendo que eu sou uma pessoa intensa e viciada em organização e ex-frequentadora de grupos de pesquisa científica, o que significa que vai ser trabalho sério e relativamente intenso (guardando as suas proporções já que todo mundo, eu inclusive, tem vida).

Agora são sete e quinze, meu despertador acaba de tocar e eu não lembro se é dia de lavar o cabelo. Vai ser um dia intenso, preciso de café.


Editado/off topic: Caso alguém deixe dúvidas nos comentários, não esqueça de incluir o e-mail no formulário (no campo “e-mail” mesmo, só eu vou ver), porque não tenho certeza se o plugin que uso avisa quando enviam resposta ao seu comentário.

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18 Comments

  • Reply Vanessa 27 de maio de 2016 at 11:09

    Paloma, fiquei muito feliz com esse post super cuidadoso, didático e organizado.
    Eu não me alinho ao feminismo radical por 2 ou 3 divergências centrais, mas procuro ler tudo o que recomendam porque né, também fui picada pelo inseto acadêmico e isso não tem volta HAHA Muita gente gosta de palpitar sobre feminismo radical, mas eu prefiro ver feminista radical falando sobre feminismo radical do que qualquer pessoa de fora. Por isso pedi que escrevesse! Obrigada mesmo!
    Amei a ideia de um grupo de estudos sobre O Segundo Sexo (eu só li o volume 2, aquele que todo mundo lê mesmo, mas acho que é um material que rende muitas discussões e que vale reler mil vezes).
    Espero que continue estudando sobre e escrevendo sobre!

  • Reply Mayra 27 de maio de 2016 at 14:32

    Oi Paloma! Adorei seu texto! Nunca tinha lido algo escrito por alguém que se identifica como radfem e confesso que tinha preconceito com essa vertente pq quase todo dia via negras e trans reclamando de ofensas e opressão por parte de pessoas que se denominam radfem.
    Tava pesquisando ideologia de gênero (o sentido que esse termo tem pra cristãos, no caso) e fiquei refletindo muito sobre a Simone. Estou num ponto da vida que já me esqueci de como é achar que algo é inato e não cultural, que é o que os cristãos pensam sobre o gênero. Nem sei mais discutir direito sobre essas coisas, pq pra mim já é óbvio demais que a socialização/cultura é que determina uma série de coisas. Bom, gostei do jeito que vc articulou a Simone aqui e adorei a ideia do grupo de estudos!
    Mas, viu, tenho uma dúvida (é dúvida mesmo, não é pra provocar nem nada, talvez você nem saiba responder, mas é uma dúvida) – se o gênero é socialização e as pessoas trans são socializados de acordo com o órgão sexual que nasceram, mas a partir de um ponto elas espontaneamente querem mudar isso, pq percebem que não tinha a ver com elas, e decidem que querem ser ressocializadas no outro gênero (virando transgênero), pq o radfem não pode contemplar elas? Tipo, elas não negam a socialização, o ponto é todo esse… Se não existisse socialização pré determinada para gênero, elas não teriam pq se sentir mal e querer mudar de gênero. Eu não entendo direito as bases teóricas do radfem que discutem isso! Aceito qualquer luz sobre o assunto!! Obrigada 🙂

    • Reply Paloma 27 de maio de 2016 at 15:10

      Oi, May. Ia te responder por e-mail, mas acho melhor deixar registrado aqui, caso seja a dúvida de mais alguém, né? Então vamos lá — deve ficar longo e provavelmente a linguagem mais difícil, mas como o básico já está lá em cima, a gente segue. E pode deixar que eu não encarei como provocação, enquanto não houver ironia nem agressão gratuitas, entendo que estamos apenas dialogando. A resposta para as suas perguntas envolve algumas questões, acho que vou enumerar para continuar sendo didática (acho que não precisa dizer, mas leia toda a lista começando com “para o RadFem”):

      1. Gênero é violência, a gente luta com o objetivo de ACABAR com essa violência, eliminar a ideia de gênero. É uma imposição que não permite liberdade de escolha aos sujeitos. O feminismo radical é revolucionário, e não reformista. E “escolher um gênero” (sei que não é o termo correto pelo transativismo, desculpa) em função de uma identificação pessoal com estereótipos atribuídos ao “gênero desejado” (ou “gênero com que a pessoa se identifica”, para quem acredita em identidade de gênero) seria reforçar esses estereótipos de gênero — que nós encaramos como uma violência — e não romper com eles.

      2. A gente não acredita em “ressocialização”, para nós, a socialização é a própria base do ‘ser’, você é socializado no momento que coloca o primeiro dedinho no mundo, e muitos dos resultados disso são completamente impossíveis de se desconstruir. Você só gosta do que você gosta, pensa como você pensa e sente como você sente POR CAUSA da socialização. Mesmo que você venha no futuro a de certa forma “romper” a continuidade da socialização ou desconstruir algumas coisas, tudo o que foi socializado até ali já é parte de você. Então se você nasceu identificada como mulher, você já teve “femilidade” socializada sobre você; enquanto se você foi socializado como homem, você já traz de alguma forma uma consciência maior da sua superioridade no mundo, além da misoginia que vem no pacote porque está na sociedade (e que, na prática, a gente observa muito no discurso de algumas pessoas trans) — mesmo que de forma inconsciente.

      3. Transativistas negam a ideia de socialização. Muita gente (Rad) é exposta só por dizer que acredita em socialização. A base da teoria queer (que eu ainda não estudei diretamente, bom ressaltar) até onde eu sei é justamente a ideia da identificação de gênero, que é diametralmente oposta à ideia de socialização. As duas teorias não são conciliáveis: rad – gênero como imposição (não há possibilidade de escolha) x queer – gênero como identificação (o que gera o pressuposto que existiria, sim, um cérebro/essência/consciência feminino com que se identificar em primeiro lugar).

      Se você quiser, posso ver se eu tenho algum texto que explique mais claramente. Tenho tanto arquivo solto que nem sei mais O QUE eu tenho. Mas se tiver mais dúvidas/respostas pode seguir com o diálogo que to achando é bom.

      Beijinhos.

      • Reply Mayra 27 de maio de 2016 at 15:41

        Oba! Adorei a resposta que não me agrediu <3
        Então, minha dúvida sempre é muito em relação ao que pode ser entendido como mulher mesmo. As duas únicas possibilidades são "mulher é socialização" ou "mulher é essência"? Porque, bem, eu conheço homens e mulheres trans e, principalmente uma menina em específico, se ela não tivesse dito que era trans, eu não tinha como saber. Não porque ela "parece mulher", visto que nunca nem tinha visto foto. Mas porque ela pensa/se expressa como mulher. Eu entendo as razões pro radfem considerar que as pessoas trans "fogem do escopo do movimento" ou algo assim, mas não consigo deixar de pensar que o movimento poderia crescer ao considerar o "ser trans" como questão para com a própria socialização, pq talvez a socialização não seja tão absoluta assim! Digo, como o feminismo radical definiria uma pessoa trans? Pelo sexo de seu nascimento, ignorando totalmente a ~questão~ trans?
        Bom, acho interessante esses pontos, mas deixo claro que essa é uma análise externa, de alguém que gosta de observar funcionamentos de movimentos sociais e tal.
        Eu não consigo definir o que é ser mulher. Se me perguntam, eu não sei o que responder. Eu acho que as trans estão dizendo alguma coisa sobre o "ser mulher" que vai para além da reafirmação dos esteriótipos, que muito provavelmente elas também não gostem, mas seja a única forma de elas se aproximarem do gênero que acham que pertencem. A minha vontade é conseguir ouvir os mais diversos lados e concluir algo, mas as vezes isso é tão difícil!!!!!!
        Ah e uma outra coisa que sempre escuto sobre radfem e que vai bem contra tudo isso que você apresentou é o seguinte: muitas feministas que se dizem dessa linha postam coisas como "só é mulher quem tem vagina" e semelhantes. Eu entendo (agora) que seja por causa da socialização, MAS muitas dessas frases são jogadas fora de contexto com a explicação de que "o feminismo radical acredita no sagrado feminino" etc, ou seja, como as informações são passadas sem o devido contexto, as feministas radicais acabam sendo conhecidas por aquilo que NÃO SÃO. Caramba, como isso é complicado!!!
        Por último, confesso que o que me incomoda mais nessas discussões é que elas acabam gerando desavenças/inimizades entre as mulheres, que ao invés de construírem algo juntas acabam se separando mais :/
        Enfim, desculpe-me pela tagarelice haha

        • Reply Paloma 27 de maio de 2016 at 16:24

          Então, não sei se no mundo todo, em todas as vertentes, em todos os pensamentos, em todo o conhecimento existentes no planeta, essas são as duas únicas opções a serem consideradas — mas são as únicas ideias com que eu tive contato até hoje. Talvez o que você queira dizer com essa pergunta e o exemplo da trans que “parece mulher” seja uma tendência a encarar o “ser mulher” também como performance, e vai acabar recaindo no mesmo ponto: eu vou te perguntar por que você consideraria que o comportamento dela é feminino, e se seria diferente se ela agisse assim e se identificasse como homem. No fim, a gente voltaria à ideia de estereótipo de gênero socialmente construído e a adequação ou não a ele — socialização. Alguém do queer >possivelmente< te daria uma resposta mais próxima de uma substância feminina que seria, para eles, determinante do que é "ser mulher". E esse ponto da "substância feminina" é algo que a gente nega veementemente, a não ser que seja algo científico (biológico) do tipo hormônios, constituição física e outros elementos concretos que mais afastam os dois movimentos do que aproximam. A base de um movimento de mulheres é justamente o conceito de "ser mulher" que se tem, e é nessa parte que até hoje eu não encontrei nenhuma resposta à teoria radical que fosse convincente (para mim). Para nós a socialização é absoluta em todos os aspectos (se tiver tempo, dá uma olhada em algo sobre heterossexualidade compulsória, que dá uma ideia de até que ponto a gente acredita que a socialização vai).

          Sobre a questão da definição da pessoa trans, considerando que a teoria realmente NÃO CONTEMPLA elas, TUDO o que qualquer pessoa ligada ao radical pode te responder vai ser SEMPRE posicionamento pessoal, e não vai ter relação com a vertente em si. (Não são gritos, juro, só ênfase.) Existem feministas radicais transfóbicas? Sim. Existem >>indivíduos< < que se alinham ao feminismo radical e se recusam a adotar nome e gênero sociais dessas pessoas. E existe quem apenas não contemple, mas respeite. Em linhas gerais, feministas radicais vivem no mesmo mundo que todas as outras pessoas e sabem que pessoas trans são realidades sociais (que, de acordo com a nossa teoria, seriam levadas a crer que estão "no corpo errado" ou que não pertencem ao gênero em que foram socializadas por não se identificarem com os padrões/estereótipos sociais de gênero e levadas a buscar a realização pessoal no gênero oposto por meio da transição), a questão é escolher ser mais agressiva ou mais gentil. E existem N coisas que fazem as feministas radicais adotarem uma postura ou outra, inclusive o fato de os ataques entre feministas radicais e transativistas serem >mútuos< . E, independente de qualquer coisa >>>nenhuma postura de feminista radical nenhuma vai refletir uma ideia do Feminismo Radical enquanto teoria, porque a teoria não toca nesse ponto< <<.

          Sobre definir o “ser mulher”, o Segundo Sexo pode te ajudar muito a analisar a questão, caso você tenha interesse em passar da curiosidade e analisar mais a fundo (mesmo que no fim você acabe não concordando com a conclusão da autora, porque o trabalho é bem científico e interessante mesmo). Acho que tenho arquivos dele aqui, se quiser. E acho super bacana você querer ouvir todos os lados e refletir sobre tudo. Inclusive, se chegar a fazer isso e tiver alguma conclusão bacana, favor dividir. Muitas feministas radicais se informam seriamente sobre o queer, porque a gente não tem interesse em fazer acusação ou crítica vazia. Caso queira procurar, uma teorica queer importante é a Judith Buttler.

          A questão do “só é mulher quem tem vagina” é justamente o cerne da questão. Porque a socialização é feita a partir da leitura da pessoa como fêmea, que é feita a partir da vagina. Logo, a conclusão lógica é que quem não nasceu com vagina não foi socializada como mulher. A questão toda é muito complexa, e muitas feministas radicais acabaram com o tempo perdendo a paciência para explicar porque pouca gente tem a disposição e o interesse necessários para realmente parar e entender o que estamos falando, normalmente as acusações e agressões são mais rápidas que esse processo de raciocínio. Agora essa história de que “o feminismo radical acredita no sagrado feminino” eu realmente nunca ouvi falar na minha vidinha e não me parece muito compatível com a teoria que eu conheço e sigo.

          No fim das contas, a minha conclusão acaba sempre sendo que são dois movimentos que (em um mundo ideal, se respeitariam, mas) precisam caminhar separadamente. Não significa que precisamos ser inimigos, assim como eu não sou inimiga de nenhum homem gay e respeito o movimento deles, mas sei que eles têm o lugar deles, e eu, o meu. E eu também estou convicta que essa separação seja realmente melhor, porque cada um pode priorizar suas pautas específicas sem detrimento da do outro (e sem machucar ninguém, considerando que questões feministas podem ser gatilho para trans e vice-versa).

          Pode continuar tagarelando à vontade. Amo tagarelice e amo tagarelar de volta. Suas dúvidas deram a oportunidade de desenvolver mais a questão (escrevi quase dois posts extras nesses comentários).

        • Reply Vanessa 27 de maio de 2016 at 16:27

          Oi? Posso me meter? Chegando então, dá licença.
          Pra teoria queer, gênero é performance. Não é nada pronto e prévio, é construção e movimento. Isso quer dizer que gênero é uma repetição de atos e gestos e é essa repetição que nos daria a “ilusão de um eu permanente marcado pelo gênero”, nas palavras da Judith Butler. A Butler também lembra que “as normas de gênero requerem a incorporação de certos ideais de feminilidade e masculinidade”, mas essa incorporação nunca será completa, ou seja, a gente nunca vai se adequar às normas, ao que é idealizado como ser homem e ser mulher. Daí vem todo o problema da identidade-identificação.
          Eu recomendo a leitura da Butler porque ela tem umas sacadas boas sobre o questionamento da estrutura binária e do sujeito para o feminismo. Aproveito pra lembrar que a Butler fala em subversão da identidade, mas na real não vejo tanta gente dando a devida importância para essa parte.

          • Paloma 27 de maio de 2016 at 16:31

            Por favor, se meta sempre, não pare nunca. Ainda mais se for um “se meter” esclarecedor igual a esse. Tenho curiosidade de ler Butler para poder entender e, possivelmente, rebater melhor, mas ainda não fiz isso, então é um ponto que não posso tocar. Mas algumas outras RadFem já fizeram, se vocês tiverem interesse em procurar.

  • Reply Mayra 27 de maio de 2016 at 16:39

    Mais uma vez feliz com sua resposta!
    Então, eu conheço um tanto de Beauvoir e Sartre e gosto muito da ideia de ambos sobre como a socialização priva a liberdade do homem, que deveria ser absoluta. Mas, confesso que acabo tendendo mais pro Sartre que pra Beauvoir :/ Quanto à Butler, acho as reflexões dela incríveis! Em “Problemas de Gênero”, por exemplo, ela discute várias coisas sobre como o gênero deveria ser apagado e como a existência dele acaba “minimizando” nossas potencialidades de pensamento e ação.
    Sobre o radfem “acredita no sagrado feminino” eu tô ligada que não, mas por alguma razão esquisita essa crença existe – já vi em várias páginas do facebook e tal. E eu fico muito incomodada com pessoas que saem falando coisas sobre as coisas sem terem lido/vivido ou conversado com alguém que leu/viveu. Suas explicações me fizeram bastante sentido, deram clareza mental e paz de espírito e te agradeço!
    Mas, vamos às questões HAHAHHAHAH
    Pelo que entendi, a questão das trans não é tratada teoricamente porque a teoria não aborda essa questão, é isso? Tipo, “ser trans” não é um problema que a Beauvoir discute, por exemplo. Então o movimento não tem bases teóricas pra falar sobre e prefere não falar – mas não significa que as radfem sejam transfóbicas, isso?
    Outra coisitcha: se o radfem vê a existência de gênero como problema, pq gera supremacia/opressão e quer acabar com o gênero, em que isso se diferencia do queer, que (pelo menos na Butler) quer desmanchar as fronteiras de gênero? A meu ver, são dois métodos diferentes pra chegar no mesmo fim: um mundo ideal onde os esteriótipos de gênero não prevaleçam e as pessoas apenas ~~sejam~~ sem a pretensão de ~~terem que ser~~, é isso ou tem alguma diferença para além do método?

    • Reply Vanessa 27 de maio de 2016 at 16:45

      Eu também vejo como dois métodos para um mesmo fim.
      Sobre as trans, entendo o sentido do posicionamento da teoria radical, acho que tem uma coerência, mas negar o questionamento sobre gênero que pessoas trans levantam não é fechar os olhos para alguma coisa importante para todo o sistema? Se trans incorporam normas/ideais de feminilidade, refletir sobre esse aspecto não ajudaria a entender o alcance das normas e o quanto podem ser repressoras ao tentar colocar pessoas em caixinhas?

      • Reply Mayra 27 de maio de 2016 at 16:50

        Oi Vanessa, te amo, obrigada por ajudar a gente a pensar aqui, principalmente pq eu sou péssima em lembrar de citações e você falar sobre a Butler esclareceu bastante!!!
        E esse seu questionamento aí falou de forma sintética, coesa e clara o que estou tentando entender também! Na real, essa conversa toda está sendo muito esclarecedora e agradeço demais às duas por isso.

        • Reply Vanessa 27 de maio de 2016 at 16:53

          May, eu to adorando e aproveitando pra aprender horrores e para perguntar, ainda mais porque estamos aqui com a Paloma, que explica tudo da forma mais didática.

        • Reply Paloma 27 de maio de 2016 at 17:03

          Então, acho que talvez tenhamos atingido os limites do que eu possa te responder nesse ponto, porque estamos chegando em Butler que é uma área ainda inexplorada para mim. Felizmente, temos Vanes aqui para jogar um pouco de luz nessa área. Infelizmente vou ter que me abster de responder essas perguntas e deixar com ela, e/ou com alguma Rad que eventualmente chegue com respostas (e vou ficar de olho, moderando os comentários no caso de as coisas ficarem ofensivas, vaiq).

          Apesar disso, o que eu acho importante lembrar é que o RadFem não exclui pessoas trans pelo prazer excluir pessoas trans. Sobre questões que sejam deixadas de fora por isso eu não posso responder no momento porque (de novo) não li Butler nem nada de teoria queer propriamente dita. Ainda assim, o que eu considero é que o espaço do feminismo também serve como uma área “livre de julgamento” e acolhedora para tratar de questões com pessoas que têm a mesma vivência que você — e isso inclui questões biológicas como menstruação, vagina, aborto, maternidade compulsória e várias outras coisas que a gente luta todo dia para desestigmatizar, e são muitas vezes consideradas como gatilhos por trans. Eu não considero que isso faça da teoria transfóbica, só que existe a necessidade de espaços exclusivos para discutir pautas exclusivas.

          Sobre a sua primeira pergunta (“Então o movimento não tem bases teóricas pra falar sobre e prefere não falar – mas não significa que as radfem sejam transfóbicas, isso?”), é isso, sim. Nossa teoria não engloba a questão trans, ela é voltada a mulheres socializadas por mulheres, então qualquer posicionamento/comportamento que você veja sobre a questão, é pessoal.

  • Reply Gabriela 27 de maio de 2016 at 16:59

    Embora pouco tenho tido acesso à teoria do feminismo radical, eu entendo (tudo o que você escreveu e algumas coisas que já me disseram), mas não concordo. Por exemplo, uma mulher trans, pra mim, enfrenta uma opressão enquanto mulher e outra enquanto trans, o que seriam duas lutas diferentes, mas não indissociáveis na prática, por isso acabo abraçando um feminismo interseccional. O sexo biológico determina como a pessoa será socializada, ok. Mas outros determinantes como cor da pele e classe social atuam em conjunto e eu não sei (não sei MESMO) como o feminismo radical trata essa complexidade de coisas que não se dão de forma segmentada. Vou ler mais sobre feminismo radical a partir das suas indicações, mas como sou perfeccionista vou montar um programinha pessoal pra estudar feminismo, pois preciso de algumas leituras básicas que nunca fiz ou fiz apenas fragmentadas por causa da faculdade.

    Aff, já disse quanto amor eu sinto por esse blog atualizado? <3

    • Reply Paloma 27 de maio de 2016 at 17:08

      Estude, estude sempre, que eu vou continuar estudando também. Inclusive estou montando um grupo de estudos (it’s real!) e se tiver interesse, pode colar. Mas eu sei e respeito que você não se alinhe com o Rad, não to tentando te arrastar e é só se você tiver interesse mesmo. O resto, a gente debate com amor e cerveja no bar <3

      (La lará se quiser fazer um post de Feminismo Interseccional esquematizado vou amar la lará)

  • Reply Nicolle 5 de julho de 2016 at 07:27

    Quero dizer que gostei muito do post e a forma como várias coisas mais foram elucidadas nos comentários. Muito didática e cuidadosa você, Paloma, como uma moça disse lá em cima.
    Estou cada vez mais próxima do feminismo radical e seu post é um ótimo link pra passar pra meninas que querem conhecer um pouco da vertente.

  • Reply Nathália 22 de agosto de 2016 at 10:08

    Oie!
    Então, eu, como a maioria, comecei no feminismo pelo libfem. No início era tudo maneiro haha mas com o aprofundamento dos estudos eu fui cada vez mais me distanciando. Aí eu conheci o rad e gostei bastante, mas como tem muita coisa deturbada eu nunca sei o que é verdade ou não sobre essa vertente. Eu gostei muito do seu post porque apesar de ser bem inteligente é de uma leitura fácil e tá bem acessível até pras mulheres não acadêmicas. Parabéns, eu vou adorar se você continuar falando sobre isso!

    E eu gostaria muito de mais materiais de estudos! <3 E também gostaria muuuuuuito de alguém pra conversar, a maioria das minhas amigas são intersec, eu sou a única com "tendência" pro rad.

    Um beijo!

    • Reply Paloma 29 de agosto de 2016 at 14:40

      Oi, Nathália! Muito obrigada pelo comentário e desculpa a demora para responder.
      Eu tenho falado por aqui de tempos em tempos, é só ir acompanhando. Fica tudo na categoria “feminismo” do blog, dentro dos textos eu também coloco sugestões de leitura, e posso sugerir mais se você quiser.
      Quando a conversar, estou aqui quando precisar! Pode me mandar e-mail ou um olá pelas redes sociais, os links/informações estão todos na barra lateral do blog e na página “contato”.
      Beijos.

  • Reply Fernanda Telles Meimes 11 de setembro de 2016 at 01:57

    Paloma, adorei seu texto, estudou estudando o feminismo radical, que eu tinha muito preconceito, e estou percebendo que não era nada do que eu pensava. Estou entendendo a teoria de gênero (sei que deve ser chato pra vocês, a gente só pergunta sobre isso, mas acho que é o que mas se diferencia das outras vertentes e por isso gera polêmica), estou concordando com a questão do gênero ser algo construído e que o ideal seria não existir, tomara que um dia não exista. Mas uma duvida me vêm à cabeça, é claro que mulheres cis têm a socialização completamente diferente das mulheres trans, compreendo isso e concordo, a base desse pensamento é a crítica do feminismo radical em relação ao comportamento feminino, que é algo construído para nos diferenciar dos homens e portanto, para nos reprimir, não é algo legal. Entendo às criticas às trans nesse sentido, por exaltarem e defenderem um comportamento que foi criado para nos oprimir. Mas a minha questão é a seguinte, mulheres cis, rads, também incorporam essa performance de gênero (seja na saia, no batom, no salto alto, na forma de falar, nas atitudes…), então não seria hipocrisia criticar as trans quando nós mesmas incorporamos essa performance que criticamos? Como se dá essa questão da feminilidade no feminismo radical? Como se dá essa performance feminina? Há críticas em relação à isso?
    Me desculpa se pareci agressiva ou se a pergunta é idiota, ainda estou aprendendo.
    Beijinhos…

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