Ficção

E depois? (17/29)

Ele me abraçou apertado e beijou o topo da minha cabeça da forma carinhosa que só ele consegue fazer. Notei que ele tremia um pouco, provavelmente por causa da adrenalina, somada à fraqueza e e à pressão da situação.
– Sem tanta pressa, meu amor. – ele pediu com carinho – Só quero ouvir sua resposta quando eu tiver te explicado todos os detalhes. Quero que você esteja totalmente consciente da situação, entes de aceitar qualquer coisa. E, acima de tudo, quero que você pense muito bem se vale a pena.
– Claro que vale! – falei, um pouco mais alto do que planejava – Não importa o que seja, se for para ficarmos juntos, vale a pena.
Eu tentava aparentar mais confiança do que realmente sentia, mas de uma coisa eu tinha certeza: não sabia mais viver sem o Alex, e não estava nem um pouco disposta a tentar. Endireitei-me no banco e lembrei que não estávamos sozinhos no carro. Alice, Clarice e Helena estavam em silêncio absoluto, tentando nos dar alguma privacidade.
– Vai, me conta. – pedi.
– Podemos conversar quando chegarmos em casa? – ele pediu, e deitou a cabeça em meus ombros, sem esperar resposta, fechando os olhos. 
A viagem pareceu se estender por quilômetros. Chegamos em minha casa e insisti que as meninas fossem embora. Alex e eu precisávamos de privacidade. Elas não pareceram satisfeitas, mas concordaram em voltar de manhã e nos dar algum tempo para conversarmos. 
Sozinha, servi de apoio para que o Alex pudesse chegar até a cama, então sentei ao seu lado. Ele parecia realmente cansado e eu senti um impulso fortíssimo de protegê-lo de todos os males do mundo, como uma criança órfã e vulnerável.
– Que tal se você dormir um pouco, e conversarmos de manhã? – sugeri passando os dedos de leve por seus cabelos. 
Ele acenou a cabeça negativamente e segurou minha mão, puxando-me para seus braços. Deitamos juntos, encarando o teto branco por alguns instantes. 
– O que a injeção vai fazer comigo, Alex?
– Você sabe que a razão de eu estar nessa situação é eu estar dando amor, certo? – ele perguntou e eu concordei com um aceno de cabeça – Bem, o coração é um músculo, e como qualquer músculo ele tem uma capacidade máxima. Você me ama com toda a capacidade do seu coração, e é só isso que me mantém vivo, só isso que me fez acordar quando eu provavelmente deveria ter morrido. O problema é que a capacidade dos nossos corações é praticamente equivalente, e se eu te dou quase tanto amor quanto você pode me dar, então eu entro em colapso. O que essa injeção faz é aumentar a capacidade do seu músculo cardíaco, o que vai permitir que você me ame mais e, consequentemente, vai criar um “saldo positivo” em meu favor.

Ele concluiu a explicação e parecia um pouco envergonhado. Eu não conseguia entender o motivo.

– Parece uma solução brilhante, Alex. – exclamei verdadeiramente impressionada – E qual o problema disso tudo?

– O problema é que eu não suporto a ideia de que você vai me amar mais do que eu jamais vou poder te amar, e que eu morro de medo de um dia você perceber o quão injusto isso é, e então resolver procurar alguém que possa retribuir todo o seu amor sem entrar em colapso por isso. – confessou.

– Não seja bobo, meu amor. – segurei seu rosto entre as mãos para forçá-lo a olhar para mim – Eu vou fazer isso, vou fazer por nós. E porque não consigo imaginar uma coisa que eu queira fazer mais do que te amar.

– Mas não é só isso. – ele apertou meu corpo contra o seu e continuou – Eu fiz todos os testes que eu pude para garantir que a injeção é segura, mas meus recursos são muito limitados. Tenho medo de que possa acontecer algum efeito colateral. Não quero te causar nenhum mal.

– Alex, eu já resolvi. – afastei-me um pouco e olhei dentro de seus olhos decidida – Eu quero fazer isso.

(1/29) (2/29) (3/29) (4/29) (5/29) (6/29) (7/29) (8/29) (9/29) (10/29) (11/29) (12/29) (13/29) (14/29) (15/29) (16/29)

Esse é o meme de comemoração do aniversário de 1 ano da Máfia! É um conto escrito a 29 mãos, começando pela Rafa e passando por todos esses links aí em cima. A primeira frase do texto é um link para a última parte, escrita pela Ana Char e não percam amanhã a continuação no blog da Tary!

Previous Post Next Post

You Might Also Like

7 Comments

  • Reply Ana Luísa 17 de setembro de 2012 at 23:22

    Gente, confesso que essa história de amar mais e amar menos doeu no meu peito! Mas pra mim amor não é quantitativo! É amor! Então, vai ser lindo! Ansiosa pelo da Tary! <3

  • Reply Taryne 17 de setembro de 2012 at 23:49

    Arrasou, Palomitcha!

    E eu já escrevi a minha parte. Vou postar daqui a pouquinho (:

    Beijos!

  • Reply Anna Vitória 18 de setembro de 2012 at 16:31

    Alex tá com frescura gente. Deixa a menina amar mais. Analu falou bem, não é quantitativo.
    ~polêmica~

  • Reply Mayra 18 de setembro de 2012 at 20:14

    Amei tua explicação pra injeção Pah! Tomara que dê tudo certo! hihihi
    Abraços! <3

  • Reply Vanessa 19 de setembro de 2012 at 10:08

    Pensei que ela já fosse tomar a injeçãohahah Essa conversa antes foi fundamental. Mas foi de cortar o coração essa da Diana ser obrigada a amar mais.

  • Reply Carolinda 21 de setembro de 2012 at 18:31

    SOCORRO QUE LINDO. Sério, que coisa mais linda. Esse dilema aí do saldo de amor pode deixar uma mulher pancada, Diana tem que pensar direito nisso 🙁 hahaha. Super beijo, Pa! Arrasou <33333

  • Reply Rúvila Magalhães 23 de setembro de 2012 at 15:47

    Ahhh, ela precisa virar zumbot pra história que eu tenho em mente dar certo!!!
    Ela não pode tomar a injeção e continuar humana!

    beijos <3

  • Leave a Reply