Filmes

Meus pensamentos sobre Cinderela (o filme)

Texto-resposta a esse post aqui da Analu sobre o filme.

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Sem querer, roubei seu coração eu e Analu fomos simultaneamente ao cinema assistir Cinderela, a adaptação live action da animação que reinou soberana durante toda a minha infância (dentre as princesas da Disney). Depois de descobrirmos essa coincidência linda, ela veio com a proposta “tô postando sobre o filme, posta também!”.

Vocês estão achando que foi assim que chegamos aqui, mas não foi. Minha resposta pra ela foi que eu achei fofo, mas não amei, e portanto ficaria com uma preguiça enorme de escrever sobre (o ânimo só costuma vir mesmo quando a gente ama ou odeia alguma coisa). Falei também que tinha achado super “sessão da tarde mid-90’s” (vulgo creiço), o que ela totalmente interpretou errado.

Saiu o post dela (e o da Anna também, vocês deviam ler ambos) e lá fui eu comentar, só que o comentário foi ficando grandinho, e maior, e gigante, e achei por bem que era melhor eu fazer um post logo de uma vez. E assim surgiu esse post-resposta.

Disse Srta. Ana Luísa que a Cinderela do desenho era uma alpinista social. Sinto que minha primeira obrigação é, então, defender a coitada.

coitada

Em toda a minha vida cinderelesca, nunca jamais em momento nenhum enxerguei a moça dessa forma. Muito pelo contrário, ela nunca foi pra mim nada mais do que a mais realista das “princesas”. Como assim? Caramba, a menina trabalha igual uma corna de domingo a domingo — e quando tem um tempinho ela sonha com a vida das celebridades. O que tem diferente nisso do que eu e você fazemos todos os dias? E isso faz de alguma de nós alpinistas sociais? Talvez, mas estaremos então todas no mesmo barco e não cabe a nenhuma de nós julgar Cinderela.

Um dia, surge a notícia de um baile aberto, no qual uma penca de celebridades vai estar presente. Você imediatamente pensaria: ( ) não sou boa o suficiente, vou ficar em casa e assistir alguma coisa no netflix, ou (x) oba! Vou colocar um vestido divo, ficar gata, dançar a noite inteira e espiar os famosos pra ver se eles são gente como a gente.

Tô gata pracaralho.

Tô gata pracaralho.

Gente, é um conto de fadas, mas nem toda princesa precisa ser songa-monga. Acho que é direito de toda mulher cair na noite e curtir a vida de quando em quando.

Essa pode ser a sua única oportunidade na vida de estar com o seu ídolo, mas você precisa ir pra casa cedo e não tem essa chance. Não importa quão boa tenha sido a noite, eu ficaria chateada. Desculpem a ousadia.

Enfim, todo o meu amor pela Cinderela se deve a isso aí que eu falei: como não amar uma pessoa que resolve que está a fim de se arrumar e cair na gandaia, e vai? Sem precisar de nenhuma amiga a tiracolo, ainda por cima. Essa moça merece respeito.

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E então veio o filme. (e daqui em diante é possível que haja algum spoiler, então leiam por sua conta e risco.)

No live action, a gente dá de cara com uma Cinderela completamente diferente. Mais complexa, talvez; mais explicada, com certeza; com um lema ótimo, definitivamente (“have courage, be kind” foi parar no meu journal com letras garrafais, me julguem). Mas nem tudo foram flores.

Aqui é hora de explicar minha definição do filme como “sessão da tarde mid-90’s”. Claro que a história tem tudo a ver com essa definição, mas o que me levou a dizer isso foi a resolução da imagem e os efeitos visuais tão gritantemente creiços. E também algo naquelas sobrancelhas pretas enervantes dela. Mas isso não significa que eu não gostei do filme.

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Quem explica essa obsessão do Tim com borboletas?

Gostei, sim, bastante. Por todos os motivos que a Anna Vitória já explicou muito bem e eu não preciso repetir. E também porque eu sou uma idiota romântica que nunca resiste a uma história de amor, uma mocinha pobre-coitada e um monte de gliter (e magia, claro). Eu chorei e tudo, juro.

Mas o que me impediu de amar enlouquecidamente e querer abraçar o filme é que ele matou as minhas partes favoritas da outra Cinderela, lá de cima.

Em uma tentativa de amarrar pontas ou sabe-se lá o que (talvez desviar do te vi-te amei-vamos nos casar pela manhã), eles tiraram a garota que só queria uma noite de folga e um vestido bacana e colocaram uma guria levemente(?) irritante  que cometeu abusos contra animais só pra correr atrás de um homem que ela viu uma vez na vida (seja ele um príncipe ou não) vestindo um sapato de gosto extremamente duvidoso.

O filme é fofo — fofíssimo –, tem mais que meia dúzia de lições morais bacanas e piegas, e eu definitivamente gostaria de ter amado. Mas preciso dizer que, se me derem a opção, escolherei o desenho everytime.

Eu juro que nunca mais vou beber tanto.

Eu juro que nunca mais vou beber tanto.

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5 Comments

  • Reply Analu 29 de março de 2015 at 21:29

    Amiga, socorro! Morri de rir com a legenda das suas fotos e esse post irreverente cheio de grosserias e piadinhas. Então, adorei seu ponto de vista sobre o desenho porque ele é mais favorável à moça que o meu. Entendo o lado que você diz, mas ainda sinto um pouco de aflição dela só falar em castelo e príncipe a vida toda. E POR FAVOR, ela indo sozinha gandaiar é realmente maravilhoso, eu certamente ligaria pra vocês antes e pediria foto dos vestidos e tal. Agora, não entendi nada o que você falou sobre como foi a ida dela ao baile no filme, porque pra mim foi EXATAMENTE igual o.O
    Os bichos fazendo parte da transformação, ela indo para o castelo encantada com a possibilidade… Também me irritou aquela borboleta no sapato (WHY) mas só isso ué.
    Te amo! <3

  • Reply Alessandra Rocha 29 de março de 2015 at 21:29

    HAHHAAHAHAHAHAHAHHAA PALOMIMNHA VOCÊ É ÓTIMA!
    Eu já comentei pras duas An(n)as que nunca vi nem o desenho da cinderela porque preguiça, acho eu, mas porque meus dois filmes preferidos dessa princesa são releituras live action que eu amo e todo mundo conhece a história então eu nunca me senti na obrigação de ver o original clássico!
    Amei essa sua reflexão com toda essa coisa de “alpinista social”e ela é mesmo bem interessante… Acho que vou ter que ver o desenho depois desse fuzuê todo!

    Sinto saudade de você, do seu sotaque carioca gostoso e te amo!
    Beijos

  • Reply Tary 30 de março de 2015 at 23:16

    Amiga, eu amei esse post de um TANTO. Estou encantada com sua defesa apaixonada e bem-humorada da Cinderella. Acho que faz todo o sentido do mundo ela ser uma garota indo para uma festa de celebridades e querendo encontrar o cara mais famoso de lá! Muito melhor do que passar a noite fuçando no Netflix, como eu faria. Teve muita coragem e sambou na cara de todo mundo.
    Como eu não lembro absolutamente nada do desenho, tenho quase certeza que vou adorar o filme, mas repito: estou encantada com o que você escreveu.
    A LEGENDA DESSE ÚLTIMO GIF, PFVR. TARYNE ESTÁ DEVIDAMENTE DESMAIADA HAHAHAHAHAHA

    Te amo <3

  • Reply Lilica 31 de março de 2015 at 11:46

    Achei tão fofo você, a Ana e a Anna terem assistido Cinderela no mesmo dia! Que gente mais sincronizada essa!!! Eu digo como a Alê, tenho um pouco de preguiça desses contos da Disney. Nem lembro direito da história da Cinderela (é a do sapatinho de cristal né?), mas acho que não vou me debandar ao cinema para ver o filme não. Se for pra ver, ainda prefiro no estilo desenho!

    Mas deixando a Cinderela de lado, seus posts são tão bons! Tô morrendo de rir com esses gifs e suas legendas maravilhosas! 🙂

    Saudades Palo!
    Beijos <3

  • Reply Meus 6 filmes favoritos da adolescência (que continuam na minha vida até hoje) ◂ Vizinha da Capitu 9 de abril de 2015 at 09:38

    […] e o que mais faz o meu coração doer (talvez por ser um remake da história da Cinderela que, como eu falei, eu amo de paixão). E só por isso encerrarei o post com um gif dele (apesar de ainda não ter […]

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