Listômetro

Inaugurando 2015

No final do ano passado, em um momento de tédio e desânimo, acabei sentando minha bunda em uma cadeira e rabiscando em um pedaço de papel aleatório as minhas metas de ano novo, carinhosamente apelidadas de “os 15 para 2015“.

Pensei em colocar a lista aqui como uma espécie de compromisso público comigo mesma, mas no fim acabei desistindo por (a) preguiça, (b) preguiça, (c) preguiça e (b) quem realmente ia se importar com essas coisas? Então deixei essa ideia para lá, até que a Rafinha levantou a ideia de uma espécie de meme para reativar nossos bloguinhos abandonados chamado “5 para 2015“, e eu nunca rejeito uma ideia potencialmente errada.

Não, não vou burlar o meme e postar as minhas quinze resoluções. Mesmo porque muitas não dizem respeito a ninguém nesse mundo além de mim. Ao invés disso, escolhi os cinco itens mais caros ao meu coraçãozinho e que também vão servir para mostrar ao mundo que se eu não sei ainda o que fazer da minha vida, pelo menos eu estou tentando.

1. Me mudar.
Sim, eu sou uma pessoa relativamente adulta, de 22 anos e meio, formada, empregada e com um gênio bem ruinzinho que ainda mora com os pais. Nada de errado com isso. Só que está na hora de voar do ninho. Nos últimos meses comecei a sentir a necessidade de mandar no meu próprio nariz e começar a cuidar de mim mesma. Sendo eu uma advogada bem resolvida(?) com capacidade de pagar as próprias contas(??), me mudar não apenas parece uma ótima ideia, como perfeitamente razoável. Além de quê, as horas preciosas que eu passo em ônibus todos os dias indo e voltando do trabalho poderiam ser muito melhor investidas em outros projetos de vida.

2. Aprender uma língua nova.
Essa vontade não é nova; eu gosto de línguas como área do conhecimento, e eu gosto da ideia de poder me comunicar de “formas” diferentes, e eu gosto muito da ideia de poder me comunicar perfeitamente durante minhas voltas pelo mundo (que, afinal, são minha meta de vida). Aprender um novo idioma nada mais é que um investimento em um sonho, certo? Além do que, na minha área de trabalho saber inglês não me faz bilíngue, me faz apenas normal. E eu odeio ser normal.

3. Provar uma comida nova por mês.
Se você almoçasse comigo uns três anos atrás, não reconheceria a Paloma de hoje. Nos últimos anos, minha alimentação melhorou de forma inacreditável, tanto em qualidade, quanto em variedade. E tudo isso aconteceu porque um dia eu tive um estalo mental e resolvi que eu precisava começar a comer coisas novas. Nos primeiros vinte anos da minha vida eu não comia salada, não comia legumes, não comia um milhão de coisas que agora eu como (e gosto). Mas ainda existe um trilhão de outras coisas que eu digo que não gosto, mas nunca provei. Essa meta é uma tentativa de ampliar meu paladar mais ainda e evitar que o monstro do comodismo que me segue por aí o tempo todo me agarre e me prenda de novo.

4. Ir à psicóloga.
No meu primeiro ano de faculdade, a professora mais incrível e louca que eu já tive na vida falou (sem nenhum propósito aparente) que na opinião dela todo mundo devia fazer terapia, que era ótimo. Eu nunca tinha pensado sobre o assunto antes, mas naquele momento nasceu minha vontade de colocar meus pézinhos no consultório de uma psicóloga. Nunca fui. Mais de uma vez na vida isso me pareceu uma necessidade urgente, já separei vários telefones e andei com eles por dias, mas nunca liguei. Por algum motivo, sinto pelo consultório do psicólogo a mesma coisa que muita gente sente com dentista. Isso não faz o menor sentido, e é por isso que essa meta vale por duas: primeiro, vou estar superando uma barreira pessoal; segundo… bem, é autoexplicativo.

5. Ser uma amiga melhor.
Sim, essa é a mais abstrata das minhas metas, e na lista original ela aparecia de forma mais concreta: “encontrar cada grupo de amigos pelo menos uma vez por mês”. Mas encontrar um grupo de pessoas uma vez por mês não fortalece a amizade, só significa que a cada trinta dias, mais ou menos, passaremos algumas horas no mesmo ambiente. Além de que, isso excluiria todas as amizades que não estão à distância alcançada pelo transporte público. E isso não faria de mim uma amiga melhor, que é o que eu quero realmente. Eu não sou e nunca fui uma amiga exemplar, nem qualquer coisa perto disso. O ano de 2014 foi um avanço considerável para mim nessa área, mas eu ainda tenho muito caminho pela frente.

Essas resoluções, mesmo quando não parecem, são coisas que vão impactar na minha vida de forma geral. Muita gente não gosta de estabelecer metas porque acredita que isso limita e causa frustração. Eu não encaro as coisas dessa forma. Para mim, o fato de eu eventualmente não comer realmente uma comida nova a cada mês, rigorosamente falando, não vai mudar o fato de eu ter me esforçado para experimentar coisas novas e sair da minha zona de conforto — que é meu objetivo no final das contas.

Eu me sinto bem tendo metas, não por precisar me lembrar o tempo todo de algo que eu preciso atingir, mas porque é uma forma de expressar desejos íntimos e profundos meus, independente de estarem ou não em uma lista.

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5 Comments

  • Reply Ana Luísa 19 de janeiro de 2015 at 12:38

    Meu amorzinho, eu amei esse post! Olha, já estou ouvindo tanto falar sobre essa sua mudança que quero tanto quanto você que ela aconteça, porque sinto que você precisa muito disso na sua vida, e se você precisa de algo na sua vida, acredite, EU preciso disso na sua vida também, porque sempre estou torcendo pra te ver realizada e feliz <3
    Preciso aprender com a Paloma essa história das comidas, porque eu continuo comendo arroz, batata, bife e milho TODO SANTO DIA nos self services perto do meu trabalho.
    Agora, quanto a ser uma amiga melhor, quero te dizer que você é uma amiga incrível do jeitinho que você é. Juro juradinho. E te amo muito por isso! <3

  • Reply Gab Irala 19 de janeiro de 2015 at 20:29

    Amiga, eu te apoio e estou aqui torcendo para que cada uma dessas metas seja realizada. EXCETO, a número 5, porque, meu amor, minha esposa, se tu não é uma EXCELENTE amiga, eu não sei como tu pode ser. Tu é incrível e eu te amo exatamente assim. Quero mais de você esse ano, por favor.
    TE AMO. <3

  • Reply Vanessa Bittencourt 20 de janeiro de 2015 at 17:18

    Jura que você planeja se mudar? Que lindo plano para 2015! A meta das comidas diferentes é muito interessante. Acredita que eu tenho a capacidade de ir sempre no mesmo restaurante para comer sempre a mesma coisa? Até que um dia o restaurante ficou sem frango grelhado e eu olhando pro lado, pro chão, percebendo que tinha alguma coisa errada comigo hahahahaha Também preciso variar e deixar de ser boba.
    Já fiz terapia e não curti muito. Mas me imagino voltando um dia.
    Olha, adorei sua lista e fico aqui desejando que 2015 seja um ano incrível na sua vida!

  • Reply Ana Luíza 21 de janeiro de 2015 at 11:33

    Palo, que post maravilhoso <3
    Quando li sobre a mudança, pensei em todo tipo de mudança possível, menos na literal. Mudar de casa, caixas mil e esse tipo de coisa. Eu tinha muito essa necessidade quando era mais nova, hoje sei que ainda vai demorar um pouquinho e fico tranquila com isso, mas acho que é um passo importante. É um passo grande. Deve dar medo (a gente vai com medo mesmo), mas deve ser incrível também e é por isso que, se tu acha que é sua hora, eu também acho e vou apoiar. Abre suas asas e vai com fé, Passarinha <3

    beijo!

  • Reply Kamilla Barcelos 21 de janeiro de 2015 at 22:26

    Sair da casa dos pais é bom. Traz muito crescimento e liberdade.
    Realmente, na área do Direito é mais que obrigação saber inglês. Interessante você ir atrás de outra língua mesmo, Palo.
    Adorei a meta da comida. Estou inclinada a fazer. hahaha
    Eu chego a afirmar que todo mundo deveria ser acompanhado por psicólogo desde o nascimento. Vale a pena!
    Estou torcendo muito para que você realize suas metas e tenha um ano incrível!

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