Livros

É a dor que move o mundo (1/2 resenha, 1/2 reflexão)

Numa das minhas passagens pela terra da garoa esse ano para visitar amigas, acabamos, para variar, em uma livraria, onde algumas de nós deram de cara com o livro da Amanda Palmer e resolveram levar. Eu, como (a) sou do contra, (b) nunca tinha ouvido falar no bendito, (c) não achei grande coisa em uma primeira passada de olhos e (d) estava — ainda estou — tentando levar a sério essa história de não aumentar a pilha de não lidos, decidir que não.

Então elas começaram a ler e comentar e outras de nós fomos comprando e lendo e toda a internet pareceu que estava comprando e lendo e falando sobre esse livro. E no meio de tudo que eu ouvi a coisa começou a parecer interessante. E é mesmo. Comprei no kindle, parei tudo pra ler (por favor, que livro seria melhor pra uma virada de ano?).

O livro é ótimo, mudou de verdade minha vida, me fez refletir sobre tudo. Mais ainda, me fez querer lotar a caixa de e-mails da Amanda Palmer, abraçar ela, levar ela pra um bar e encher a cara junto com ela enquanto abriríamos nossos corações uma para a outra. Isso é basicamente o que eu tenho a dizer sobre o livro: vocês deviam mesmo ler. Juro. Já indiquei para todas as amigas.

Às vezes as pessoas se mostram inconfiáveis.
Quando isso acontece, a reação correta não é:
Porra! Eu sabia que não podia confiar em ninguém!
A reação correta é:
Tem uns que são uns bostas.
E segue-se em frente.

Mas meu objetivo inicial não era vir aqui falar sobre o livro como um todo. Eu queria mesmo era falar sobre uma lição específica desse livro que não sai da minha cabeça desde então. Como muitas das outras, foi passada de Anthony, o Mentor dA Amanda, para Amanda, Nossa Nova Mentora. Se resume a uma história aparentemente simples, que eu vou tentar citar de cor por preguiça de achar o trecho no livro (que eu não sublinhei porque sou idiota).

Em resumo, um homem estava sentado na porta de casa, quando um vizinho passou e ouviu o cachorro chorando do lado de dentro. O vizinho perguntou o que estava acontecendo, e o dono do cachorro respondeu que o bicho estava sentado em um prego. Por que ele não sai?

Porque ainda não está doendo o suficiente.

A gente sente a dor, chora, reclama no ouvido alheio. Mas a gente só levanta do prego quando dói pra valer. Isso não sai da minha cabeça a dias, eu queria tatuar na testa, escrever na parede, gravar em uma fita (velha) pra tocar em loop durante o sono. É uma metáfora simples e brilhante.

A gente se acomoda. Até no que está ruim. Porque todo mundo tem preguiça. Porque quando a gente tenta melhorar, pode acabar piorando. Porque o novo dá medo. Porque mudar dá muito trabalho. Porque as expectativas podem não corresponder à realidade e a gente pode terminar frustrada. Porque a gente sempre tenta se convencer de que as coisas podem melhorar sem que a gente precise levantar. da. caceta. do. prego. Quando levantar a bunda do prego de uma vez por todas seria a solução mais rápida, eficiente e menos cansativa.

A gente precisa tomar jeito. E levantar da porra do prego.

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8 Comments

  • Reply Banana 13 de janeiro de 2016 at 00:14

    Amiga, amiga, amiga!
    Adorei o post porque amei essa teoria quando li no livro, achei um puta tapa na cara, e amei você me lembrando dele. Realmente o ser humano passa muito mais tempo reclamando que as coisas estão ruins do que dando um jeito de melhorá-las. Com certeza é porque não tá ruim o suficiente, né? E a gente fica aqui, sentando em prego até levar na cara. #ai

    Te amo!

  • Reply Larie 13 de janeiro de 2016 at 08:37

    Amiga!

    Eu já tava com vontade de ler esse livro e agora você só reforçou a ideia. Eu fugia um pouco dele por causa da vibe auto-ajuda e medo de ser mais do mesmo, saca? Mas parece realmente muito bom. Esse ensinamento de que a gente tem que parar de se acomodar é um bom lembrete pra lidar com a vida. Acho que a maioria das pessoas tem um prego na bunda e não consegue se livrar dele. Será que dá pra se livrar de uma vez de todos os pregos sem que doa tanto? Essa sou eu questionando por ser uma medrosa de mão cheia.
    Acho que o mundo precisa de mais coragem pra tomar uma atitude. Prego na bunda dói e inflama e pode tomar proporções piores do que simplesmente tirá-lo de vez e tratar. MUITAS QUESTÕES.

    Beijo <3

  • Reply Pôdim 13 de janeiro de 2016 at 12:58

    Que post, senhoras e senhores, que post.

    Amiga, acho que esse seu último parágrafo devia estar tatuado em todo mundo. A gente sempre fica sentado no prego por tanto tempo, que depois que finalmente levanta fica se sentindo idiota por não ter feito isso antes. Levantar dói? Sim, muito. Fica ferido. Sangra. Mas eventualmente, cicatriza, e tudo volta ao normal.

    Por um 2016 sem pregos, por favor.

    Te amo!

  • Reply Alessandra Rocha 13 de janeiro de 2016 at 17:24

    Obrigada por isso Palominha <3
    Quero ler esse livro mas não acho que tô no tmepo certo pra ele, mas esse post e essa lição vieram como um tapa na cara pra mim, e eu tava precisando – vide meu último post – gosto muito das suas reflexões e o jeito como você coloca… Às vezes quase consigo ouvir você falando essas palavras do seu jeitinho fofo haha inclusive, saudade de você <3

    E saber que você gosta do que eu escrevo é mais que um consolo, é uma honra! Obrigada :3

    beijo!

  • Reply Carol 16 de janeiro de 2016 at 00:18

    Que post maravilhoso! E tão necessário. As vezes a gente precisa de um empurrãozinho pra levantar a bunda da porra do prego, ou até alguém pra avisar que a gente ta em cima do prego. Espero que sua reflexão atinja mais pessoas, que assim como eu, podem tirar uma boa lição do seu texto.

    Já pensava em ler esse livro, agora quero imediatamente hahah

    Obrigada por isso <3

    Beijo!

  • Reply Chiquinha 20 de janeiro de 2016 at 20:30

    Amiga, eu sou muito amadora. Acredita que não reparei nessa parte do livro quando li? Daí que Banana comentou do seu post comigo e eu não fazia ideia do que ela tava falando. De qualquer forma, se não tinha prestado atenção antes, agora prestei. E não consigo entender como essa lição não tinha pulado na minha cara antes porque THIS!!!!!11111111

    Se 2016 tivesse uma placa de entrada, eu estaria indo até ela agora pixar (pichar?) um recado: A gente precisa tomar jeito e levantar da porra do prego. AMEN TO THAT!

    Te amo <3

  • Reply Tary 20 de janeiro de 2016 at 23:11

    Eu preciso TANTO ler esse livro! Já tenho no kindle e estou empolgadíssima. Amei essa frase sobre as pessoas não confiáveis e a história do prego não ficou atrás. Se a gente se deparar com pregos em 2016, vamos nos emendar e levantar de uma vez, sem olhar pra trás. Te amo <3

  • Reply Sharon 23 de janeiro de 2016 at 14:57

    Tenho a sensação que quando eu finalmente ler esse livro (comprei, porém só posso pensar em ler quando terminar minha maratona de HP) vai ser um acontecimento, porque acho que ele é, de fato, o tipo de livro que muda a vida e que, principalmente, a gente leva pra vida. Mas, enquanto não leio, fico satisfeita em levar esse post pra minha vida. Obrigada.

    te amo muito <3

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