Livros

Minha vergonhosa lista de leituras de 2015

Preciso confessar que eu estava considerando minha análise estatística das leituras dos últimos cinco anos como a retrospectiva desse ano e estava prontinha para seguir em frente e esquecer essa página vergonhosa na minha vida literária. Mas aí recebei um comentário da Fernanda naquele texto, que ficou curiosa para saber quais tinham sido os livros lidos. Achei uma dúvida bem justa, e lembrei também que eu uso as retrospectivas anuais para manter um registro mais geral das minhas leituras. Voltei atrás na decisão.

Como eu já falei, 2015 foi longo. Longo de verdade, tão longo que eu me surpreendi em ver que as coisas lidas no começo do ano foram lidas já em 2015. Eu consegui esquecer completamente (quase) a história de um dos livros, e tive que correr atrás das migas para lembrarem por mim.

Passado desse contratempo, veio outro: minha lista de leitura pareceu um apanhado muito muito muito aleatório, e eu não sabia como lidar com ela de um jeito que fizesse algum sentido e não matasse ninguém de tédio. Ainda não sei, então acho que vou falar um pouquinho de todos e a gente segue daí. Ainda bem que foram poucos.

Comecei o ano com a sequência A Casa de Hades, Memoirs of na imaginary friend, Como eu era antes de você, Mentirosos, Contando os dias e E se fosse verdade. Eu já estava comentando todos de novo, quando fui olhar os arquivos do blog e me dei conta de que cheguei a comentar um pouquinho de cada aqui. Então, sigamos em frente. Mentirosos me empolgou tanto que também ganhou resenha própria, e cheguei a falar um pouco mais por aqui da minha experiência com Comer, Rezar, Amar.

Logo depois, embalada na vibe indiana, peguei da estante A Doçura do Mundo (que também já deu as caras por aqui), que conta a história da Tehmina, uma idosa indiana que perde o marido e precisa decidir se vai se mudar para os Estados Unidos, onde o filho mora com a família, ou continuar na Índia, onde sempre morou. O livro se passa nos Estados Unidos, mas a autora é indiana. Não é um livro empolgante e cheio de acontecimentos. É um livro tranquilo, com a mesma aura de uma senhora indiana idosa. É bem sutil e emocionante, mas não chegou a me fazer chorar.

Em maio, foi lançado o novo livro da série A Seleção, The Heir (A herdeira), e eu obviamente corri para ler. Gostei bastante, e chegou a ganhar resenha aqui no blog (to vendo que até que eu fiz jus ao meu passado de blogueira literária esse ano).

Depois disso, achei que seria uma boa ideia me meter em uma maratona literária que começou com 1Q84 (vol. 1), um livro tristemente prejudicado por uma doença peculiar que eu possuo: a síndrome de Murakami. Eu tenho essa trilogia em casa desde o meio de 2014, mas acho errado chamar de trilogia. 1Q84 na verdade é um grande livro, dividido em três provavelmente porque se fosse um volume só ele seria ridiculamente gigante, e também para arrancar mais dinheiro de nós. Não faço ideia de como fazer uma sinopse dessa história, e eu acho que é um dos poucos livros que é mais bem definido pelo gênero — realismo fantástico — do que qualquer coisa que eu possa falar. No começo, tudo um pouco arrastado e nada se conecta, mas mais para o final do volume, as coisas vão ganhando ritmo. É um livro muito bom e bem escrito, mas o fim fica absolutamente no ar. Se tudo der certo, termino a série ainda esse ano.

A nova adaptação de John Green estava para estrear no cinema, então segui com Paper Towns, um dos polêmicos livros do John — amados por uns, odiados por outros. Eu já resenhei esse também por aqui, e só preciso repetir que gostei de verdade dele. Dos três livros do autor que eu li nessa vida, ele compete com Alaska pelo primeiro lugar no meu ranking.

Então foi a vez de Procura-se um Marido, que, olhem só, também ganhou resenha. É um livro que não tem nada de extraordinário e possivelmente não passa em um teste simples de problematização. Mas é divertido e eu devorei como se fosse brigadeiro. Sem culpa.

Terminei a maratona dando seguimento na leitura de Reparação. Que livro. É uma história densa e cheia de sentimento. Eu não tive nenhuma surpresa, porque assisti o filme muitos anos atrás, mas isso não é motivo para desqualificar o livro como uma leitura maravilhosa (e eu não ligo pra spoiler).

No começo de agosto, foi hora de enfrentar mais de 12h de deslocamento até Kansas, e meu companheiro de viagem foi Jellicoe Road. Acabou virando uma resenha bizarramente confusa por aqui. É um livro meio trágico, meio triste, meio melancólico, mas muito bom mesmo. De verdade. E a notícia boa é que está para ser lançado em português, então façam o favor de ler.

O próximo livro literário na lista foi Minha irmã mora numa prateleira, já comentado rapidamente por essas bandas. Aquisição da mamãe na Bienal desse ano. Um livro bem triste e dolorido, mas também muito bom. Li antes do atentado de Paris, e só agora fui pensar que talvez o mundo precise dar uma lida nele também. Como o mundo não anda me escutando muito, vamos começar por vocês. Leiam.

A penúltima leitura completa do ano foi Maus Começos, o primeiro livro da Desventuras em Série. Apesar da série de desventuras, é um livro bem leve, tem um ar melancólico-divertido, e algumas passagens mais profundas para ajudar a expor as crianças a sentimentos mais complexos. É uma série que eu vou querer ler para os meus filhos algum dia.

Finalmente, terminei com Cem dias entre céu e mar, que estava na estante porque foi paradidático do meu irmãozinho na sexta série, muitos anos atrás, e foi escolhido por sorteio na minhA Jarra da Sorte Literária. Menino Marcelinho fez careta, me perguntou por que diabos eu estava lendo esse livro chato, mas eu juro que gostei. Não tem nada demais, é um livro biográfico sobre uma travessia solitária do Atlântico em um barco a remo, mas falou com a minha alma de aspirante a viajante. Se eu tivesse qualquer noção de navegação, era bem capaz de eu querer imitar a loucura; como não tenho, pelo menos posso ler. Gostei de verdade mesmo.

Depois disso, comecei mais um livro sorteado dA Jarra: O Sol dos Moribundos, que interrompi temporariamente para ler A Arte de Pedir nos últimos dias do ano. Como nenhum dos dois foi finalizado em 2015 (ou finalizado at all, até agora), vão ficar para a retrospectiva desse ano.

Resumindo:

Favoritos de 2015: (#3) Minha irmã mora numa prateleira, (#2) Jellicoe Road, (#1) Mentirosos.

Desfavoritos de 2015: (#3) A Casa de Hades, (#2) Como eu era antes de você, (#1) E se fosse verdade… (odeio com força essas reticências no título).

Agora acho que cumpri o meu dever. Sigo em frente com a consciência tranquila. Desculpem o #textão.

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6 Comments

  • Reply Alessandra Rocha 8 de janeiro de 2016 at 22:55

    HAHAHAHAHAHA menina, nem é textão! Gosto bastante dessas retrospectivas e to pensando em fazer a minha também, passei a manhã organizando meu skoob no trabalho hoje e 2015 foi tão longo que leituras que fiz em janeiro achei que tivessem sido feitas em 2013 e que as de 2014 tinham sido em 2015 aí eu mesma m dei um nó na cabeça. Já falei pra você ler 1Q84 porque ele não decepciona! E Mentirosos, que livro né?

    Tô numa vibe bem preguiçosa desde o final do ano passado e até agora não li livro nenhum haha e olha que tenho várias opções, mas quem disse que consigo me concentrar? Acho que vou pegar algumas indicações aqui futuramente (:

    beijo!

  • Reply Banana 9 de janeiro de 2016 at 20:48

    Amiga! Que bom que a Fernanda pediu uma retrospectiva com nomes. Eu curti muito o seu post com as estatísticas, mas queria detalhes (apesar de saber da maioria) <3
    Estou super curiosa com esse Minha irmã mora numa prateleira, que você tava lendo quando eu tava aí. Vou ver se leio esse ano! E finalmente vou ler A Herdeira e poderemos conversar sobre.
    Tô torcendo pra você embarcar no resto de 1Q84 esse ano – e que tal bicharmos algum Murakami também esse ano?
    Te amo! <3

  • Reply Fernanda 10 de janeiro de 2016 at 18:08

    Yay, você veio contar quais foram os livros! – e nem foi textão, achei conciso e ótimo. Fiquei feliz lendo, porque de outro jeito não ia lembrar do quanto eu preciso ler Comer, Rezar, Amar (adoro o filme) e nunca ia ficar sabendo desse livro da Minha irmã (…). Bem curiosa,

    Quase nunca vejo alguém que ame Jellicoe Road, estou torcendo pra que faça sucesso saindo pela seguinte. Que livro lindo, né? Triste, melancólico, mas lindo. Tô bem curiosa pra ler mais coisas da Melina Marchetta. Outra baita livro do qual você falou é Reparação – também já tinha visto a adaptação antes de ler, mas não tirou a força desse livro. Que. livro. E Desventuras em Série <3 li faz muito tempo mesmo, mas adoro, tô louca pra série do Netflix. Mentirosos e Cidades de Papel são dois livros dos quais eu gostei, mas nem de longe tanto quanto a maior parte das pessoas (especialmente o primeiro, porque Cidades não é mesmo dos mais amados do John Green).

    Beijo!

  • Reply Nana 12 de janeiro de 2016 at 08:09

    Como assim você não gostou de Como eu era antes de você? Foi um dos meu livros favoritos de 2014, ressaca literária histórica que repeti em 2015 hahaha e mal posso esperar para ver o filme.
    Minha lista de leitura também não é muito de se orgulhar, tanto é que nem publiquei no blog ainda hehehe.
    Bj e fk c Deus.
    Nana
    http://procurandoamigosvirtuais.blogspot.com.br

  • Reply Chiquinha 20 de janeiro de 2016 at 20:38

    Amiga, se faltava uma prova DEFINITIVA e INQUESTIONÁVEL de que você é minha #soulmate literária, prestenção nisso: se você for na minha lista de “quero ler” do Skoob, vai encontrar Cem Dias Entre Céu e Mar. Dentre todos os livros aleatórios do mundo, justamente esse. É exatamente a minha vibe e o tipo de relato de viagem que chama a minha atenção. Agora que soube que você leu fiquei até com mais vontade de levantar da porra do prego e ler esse livro logo.

    Minha grande frustração é com Jellicoe Road, que eu acabei abandonando. Me senti péssima comigo mesma, mas não estava num momento para livros desgraçadores de cabeça. Não lembro se coloquei ele na minha meta de 2016, mas não desisti de vez. Quem sabe a versão em português? A capa é tão linda, ai ai #prioridades

    beijos, amada <3

  • Reply Sharon 23 de janeiro de 2016 at 14:52

    Deus abençoe a senhorita Fernanda, porque acharia um abuso você terminar o ano sem fazer uma retrospectiva literária, amiga. A gente leu coisas bem diferentes esse ano e ainda quero muito ler vários que você mencionou (destaque pra Jellicoe Road que, acho, já disse em outro momento que queria muito ler, e Comer, Rezar e Amar, que parece total a minha vibe), mas dos que lemos esse ano, achei Como Era Antes de Você bem ok, mas não tão bom quanto diziam todas as pessoas do mundo (risos eternos) e Mentirosos, que não achei tudo isso, mas respeito e acho que daria um excelente filme.

    te amo <3

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