Livros

O paradoxo Murakami

Acabei de acabar de ler o primeiro volume da trilogia 1Q84, meu segundo Murakami da vida, e notei algo na minha relação do autor que pode ser o indício de um padrão, no mínimo, curioso.

Lá pelos meios de 2014 eu li Minha Querida Sputnik. Para quem não leu, é um livro fino e muito bom (e que custa os olhos da cara como todos os Murakamis, sabe-se lá por quê), que eu levei uma eternidade e meia para terminar e amei. Não custa dizer que naquela época eu não estava na fase literária cagada que estou agora, então nada justifica essa dinâmica peculiar que se passou.

O que aconteceu já naquele tempo foi que, aproximadamente até a metade do livro, eu li a passos de formiga. Formiga com dificuldades de locomoção. Sentava para ler, lia algumas poucas páginas, e guardava. Até que, um belo dia, estava eu mofando em Guarulhos enquanto voltava de Curitiba quando sentei minha bunda numa cadeira e bum, terminei o livro. Assim, de uma vez.

Logo depois, eu ganhei o box da trilogia 1Q84, que eu queria muito muito ler. Mas não li (porque eu sou assim). E esse não ler durou quase um ano, até que eu resolvi começar o primeiro volume uns meses (acho) atrás. Surpresa surpresa, o fenômeno de Sputnik se repetiu.

Desde a primeira linha, achei o livro sensacional em muitos sentidos — bem escrito, bem elaborado, interessante –, mas era só eu sentar para ler e, algumas páginas depois, um sono sem tamanho tomava conta do meu ser e eu não conseguia seguir em frente. Até que, impulsionada por c e r t a s maratonas, eu consegui fazer uma forcinha e chegar na metade. E adivinham o que aconteceu? Pois é, terminei o livro. E amei e estou ansiosa para ler o próximo.

Não sei o que acontece entre Murakami e eu, eu e Murakami. Só sei que temos uma relação muito louca — que não pode nem ser considerada de amor e ódio, porque eu juro que amo desde o começo — de amor e sono, digamos assim. Sabe deus o que tem na escrita desse senhor que equivale a uma dose cavalar de soníferos no meu organismo. Só sei que (até que eu cruze aquele portal mágico invisível) eu não consigo avançar num Murakami sem intercalar a leitura com diversos — e sempre maravilhosos — cochilos.

Quero ver fróidi explicar essa.

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5 Comments

  • Reply Analu 20 de julho de 2015 at 11:06

    Amiga, eu te entendo muito e sou bem contra relacionar o sono com “qualidade duvidosa do entretenimento” porque pra mim não tem nada a ver. Eu não dormia com Murakami (lia na velocidade da luz), mas vamos falar de filme rapidinho.
    Eu AMO Amélie Poulain. AMO. Acho o filme lindo, poético, a trilha sonora é maravilhosa, adoro a história e… NUNCA consigo assistir sem dormir em alguma parte dele. Juro. Eu posso começar a ver sem sono nenhum e de repente estou cochilando. Não sei se ele me acalma, não sei se são as cores, não sei. Sei que amo. Mas durmo. Sempre.
    Te amo! <3

  • Reply Gab 20 de julho de 2015 at 14:49

    Amiga, sabe que tu não é a primeira que eu escuto falar desse fenômeno com os livros de Murakami? Dá pra fazer um belíssimo estudo antropológico aí, hein? hahaha
    Eu não li nenhum dele, mas já peguei várias indicações com A Gente e devo começar logo. Só o preço que realmente….por que, né? 🙁
    Beijo, meu amô. <3

  • Reply Alessandra Rocha 20 de julho de 2015 at 18:54

    Dá cá um abraço, Palo! Apesar de só ter lido a trilogia de 1Q84 do Murakami eu passei EXATAMENTE pela mesma coisa! Ainda mais no primeiro e no terceiro livros – o segundo é tão frenético que eu li e nem reparei haha – quero pegar outras coisas dele pra ler, mas quando cair o salário só porque né? hahah

    E concordo em gênero, número e grau com o que Aninha disse aí em cima! Que bom que você gostou, agora vá ler logo o resto e escreva suas impressões sobre a história num geral!

    Beijo! <3

  • Reply Nana 21 de julho de 2015 at 08:58

    Desculpe a ignorância, mas o que é Murakami?
    Bj e fk c Deus
    Nana
    http://www.procurandoamigosvirtuais.blogspot.com

  • Reply Carol Rodrigues 22 de julho de 2015 at 23:56

    Cheguei aqui por uma busca de Murakami, veja bem kkkkk
    Eu li Murakami de um modo inverso. Eu li “O incolor Tsurukuru Tazaki e seus anos de peregrinação” na velocidade da luz. Quase. Menos, mas quase hahaha. E achei genial, foda, encantador, paguei um pau eterno pro Murakami depois dele. Ai recentemente (uns dois dias atras) li o “Minha Querida Sputnik” também bem rápido, bem fluido, mas no final fiquei meio… meh… meio achando que não era o mesmo cara. Tipos, não sei se você gostou do livro, mas achei o final tão… Sei lá! Saca? hahahaha
    Eu super quero a trilogia de 1Q84, mas acho que vou ler outras coisas dele antes. mesmo pq não tô podendo comprar nadica agora =P

    ah, e muito prazer =P

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