Livros, Pessoal

O prazer de ler um livro na hora certa

Quando o filme de Comer Rezar Amar lançou no cinema, fui correndo ver com a minha mãe. Amei, chorei, quis abraçar a Julia Roberts, e então fui pra casa. Okay, vida que segue. O filme foi baseado em um livro, delícia, mamãe comprou, mamãe leu. Nunca me interessei muito em ver qual era.

Até peguei o livro uma vez porque precisava de algo para ler no ônibus e ele era conveniente porque era versão pocket. Mal li algumas páginas. Chegando no destino, Milena me falou algo positivo sobre ele que nem lembro mais. Nunca mais abri o bendito e ele voltou para a estante. É assim que as coisas acontecem.

Anos se passaram e um dia sem mais nem menos senti vontade (não de ler esse livro especificamente, mas) de ler algo escrito por mulher. Então fui explorar minha estante e dei de cara com ele. Abri, li o começo de novo e nada demais. Mas dessa vez eu não larguei. Continuei lendo bem aos poucos até que. MEU DEUS, ESSE LIVRO.

Pois é, sem aviso prévio me vi lendo minha vida e meus pensamentos ali naquelas páginas, nas palavras de outras pessoas. E foi aí que eu fiquei incrivelmente feliz de não ter insistido na leitura naquele outro momento. Porque eu provavelmente teria acabado gostando, mas minha vida agora está longe de ser minha vida naquele tempo, e minha relação com ele jamais teria sido a mesma que está sendo agora.

Minha lição disso tudo é que não adianta forçar a leitura. Forçar a leitura acaba te fazendo odiar ou ficar indiferente a algo que você poderia, em um momento certo, amar. E amar qualquer coisa é muito bom.

Então é isso que eu resolvi fazer da vida (e que de certa forma eu sempre fiz): ler o que der vontade quando der vontade. Sem culpa por abandonar uma leitura, porque talvez eu retome ela um dia (ou não, mas isso também é ok).

É por isso que o outro livro que eu “estou” lendo (Reparação, para os curiosos) está parado na metade e provavelmente permanecerá assim por um tempo: é um livro muito bom que não está fluindo agora, mas eu sei que há grandes chances de eu amar algum dia.

E tenho dito.

Não é assim que devemos nos sentir sobre livros.
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11 Comments

  • Reply Alessandra Rocha 4 de março de 2015 at 23:08

    Palominha… Confesso que achei a temática do filme/livro bem manjada, mesmo sendo meio que (ou totalmente?) uma autobiografia e não me interessei.. Mas como a senhorita mesmo disse: eu estou tentando não comprar livros, mas você não está ajudando! ahahah Vejo você, Mandinha e Dedê falando tanto dele que talvez eu dê uma chance, mas como você mesma disse só quando der vontade mesmo!

    Mas não é uma delícia quando esses livros encontram a gente? Eu particularmente amo! Beijos

  • Reply Thatiana Angeli 5 de março de 2015 at 08:53

    Não se sinta culpada por abandonar um livro. Passei por uma crise literária há uns anos e acabei ficando com uns 6 livros pela metade. Eles simplesmente não fluíam e não me dava ânimo. Cheguei até a perder um pouco do apreço pela leitura, pois parecia que nenhum livro iria me encantar de novo, me fazendo ter sede de chegar ao fim.

    Mas, porém, contudo, chegou um dia que consegui ler um livro todo, e foi como uma libertação. Então, mais uma vez, não veja problema em abandonar as leituras. Elas tem seu tempo certo, assim como todas as coisas da vida.

  • Reply Ana Luísa Bussular 5 de março de 2015 at 09:11

    Amiga, entendo demais isso que você falou. A gente que lê muito sabe a importância do timing, né? Eu fiquei 2 anos e meio enrolando pra ler “A trama do casamento”, mas morrendo de vontade, sabe. Aí eu peguei ele no fim do ano passado e entendi porque eu tinha demorado tanto: porque não teria sido a hora e eu provavelmente não teria amado o tanto que eu amei.
    E sobre “Comer, Rezar, Amar” só te digo uma coisa: ATTRAVERSIAMO. <3
    Ah sim, e sobre a vida, digo algo a mais: TEAMO. hihi <3

  • Reply Deyse 5 de março de 2015 at 20:41

    Amiga, me identifiquei com esse post por vários motivos. Primeiro que eu comecei a ler Reparação ontem e na segunda página eu já tinha sacado que é um livro genial, PORÉM não tenho certeza que é o que eu preciso ler agora. Daí é que eu não vou hesitar em largar se não tiver certeza que é aquilo que eu quero, sou muito você em relação a isso. Não tenho medo nenhum de congelar um livro na estante até a hora certeza de me servir dele. Daí que meu Comer Rezar Amar chega amanhã e eu não sei se não vai ser ele a furar a fila, porque eu to SENTINDO que preciso ler esse livro, sabe? É uma necessidade que tá saindo por todos os meus poros e eu meio que já sei que é o que eu preciso, mesmo tendo visto o filme há décadas e não lembre mais de nada.
    Beijos <3

  • Reply Cheel 6 de março de 2015 at 11:07

    Não poderia concordar mais! Li o livro “Comer, Rezar, Amar” numa epoca em que eu mesma estava viajando e meditando muito. Resultado – AMEI o livro. Vários dos meus amigos odiaram. E eu tenho certeza que amei tanto porque o relacionei demais com a minha vida. Um beijo.

    http://www.eunomadiando.blogspot.com.br

  • Reply Amanda Tracera 6 de março de 2015 at 11:17

    Como eu entendo esse post, meu deus do céu D: Minha leitura em fevereiro foi péssima porque eu cismei que tinha que terminar um livro que estou desde o ano passado para ler. Conclusão: passei o mês inteirinho me forçando a lê-lo, para chegar em março e essa praga continuar aqui. ahahaahha e o pior é que eu tô amando a história, só não tô naquele clima maravilhoso de lê-la sem parar, então sempre coloco um outro livro no meio, pra ver se equilibra ahahaha
    ainda não li comer, rezar, amar, mas o filme <3 <3 <3

  • Reply Anna 6 de março de 2015 at 17:03

    Pa, acho que timing é uma das coisas mais importantes na vida quem lê, e uma coisa que sempre me descaralha a cabeça é como alguns livros simplesmente APARECEM na nossa vida quando a gente mais precisa desses encontros místicos. Veja bem, eu também tive um encontro místico com Comer, Rezar, Amar. Eu tinha um super preconceito com ele, achava que era de auto-ajuda, até que minha mãe leu e não. parava. de. falar. sobre. ele. e basicamente me obrigou a ler. Foi bom ela ter feito isso, porque eu não teria lido de outro jeito, e foi a melhor coisa que me aconteceu. Mas aí lembro que não me apeguei com O Sol É Pra Todos, um livro que eu queria muito amar, que tem tudo pra ser amado, mas não rolou porque não foi a hora dele. Que bom que eles sempre esperam, né?
    beijos!

  • Reply Gab 6 de março de 2015 at 17:40

    Etaaa que eu acabei de ler tudo que eu penso?
    Palo, abandonar livros ou chatos ou que não são “o certo” agora é uma dádiva. Eu sempre digo que a vida é muito curta pra livro errado.
    Meu exemplo é Anna e o beijo francês. Peguei ele pra ler num momento erradissimo e acabei abandonando e ainda por cima achando toda a história muito bobinha. Ainda não peguei ele de volta, mas sei que vai acontecer e quando acontecer vai ser liiinnndo (ou não, mas tudo bem também)
    Te amo! <3

  • Reply Carol Rodrigues 7 de março de 2015 at 22:24

    Me identifiquei tanto com esse post! Isso acontece bastante comigo, não só com livros, mas filmes também. Tem coisas que parece que o destino interfere para que leiamos na hora certa e acho que isso explica bastante essa sensação de “sei que vou te amar algum dia, mas ainda não” que a gente sente em relação a alguns livros ahaha

    Adorei o post e deu saudadezinhas de Comer, Rezar, Amar <3

    Beijo!

  • Reply Lilian Lima dos Santos 9 de março de 2015 at 19:23

    Ai Palo eu amo esse livro e amo esse filme! É um livro tão cheio de inspirações para a vida né? Uma vontade de sair por aí viajando e tal…. E quando anunciaram Julia Roberts para o papel fiquei encantada!

    E concordo contigo com relação as leituras. Eu mesma tenho alguns livros não lidos que penso: uma hora vou ler mas agora não é o momento. E certamente a gente acaba achando o momento certo de cada livro!

    Que bom que gostou!
    Beijos

  • Reply Essas coisas boas desse mundão ◂ Vizinha da Capitu 16 de junho de 2015 at 21:19

    […] que depois de passar anos enrolando para ler esse livro, o momento dele chegou. Como eu já falei, o timing foi absolutamente perfeito, e ele reflete tão completamente a minha fase atual de vida […]

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