Livros

Procura-se um marido

Não, não quero casar. Procura-se um marido é o nome de um dos últimos livros que eu li (o que você provavelmente já sabe, se tirou um tempinho para ler o post de ontem), escrito pela Carina Rissi. De qualquer jeito, essa cara aí que você provavelmente fez quando leu o título foi a mesma cara que eu fiz quando abri o embrulho de presente. A capa meio creiça, apesar de muito bem feita, não ajudou (já falei que tenho um problema pessoal com capas de livros com imagens de pessoas? Vai entender). “Nossa, que legal! Muito obrigada!,” disse eu.

Então um belo dia eu tomei vergonha na cara e comecei a ler. Afinal de contas, eu posso não ser a maior leitora de chick lit, quantitativamente falando, mas eu gosto bastante desse gênero, e eu reconheço que grande parte do meu preconceito com esse livro específico é pedância literária pelo fato de o pobre do livro ser nacional e, ainda por cima, ser chick lit.

Sobre a problemática do complexo de vira-lata e dos preconceitos com a literatura nacional eu volto para falar outro dia (domingo, mais especificamente, se tudo der certo), hoje eu só queria mesmo falar do livro.

Resumindo para caramba a sinopse da história, o livro fala da Alícia, aquela típica personagem garota-problema, riquinha-e-mimada-porém-com-bom-coração que todos conhecemos tão bem e amamos. Ela é órfã e foi criada desde pequena pelo avô, que é montado na grana e dono de várias empresas, até que ele morre e deixa um testamento dizendo que ela só vai poder tomar posse da herança depois que se casar e permanecer casada por um ano. Então ela resolve alugar um marido (ainda no começo do livro) e daí se segue aquele rolo todo que vocês devem imaginar mais ou menos. Não, não é a trama mais original do mundo, mas ela é tão usada por algum motivo, né?

Talvez seja pelo fato de minha experiência com a literatura brasileira contemporânea ser quase nula (desculpa, mundo), mas esse livro me surpreendeu positivamente. É um chick lit em toda a sua glória. Como assim? Divertido, engraçadinho, emocionante aqui e ali, e com aquele romance ligeiramente problemático que ainda assim me deixa carente até o último fio de cabelo.

A verdade é que, apesar dos pesares (incluindo alguns erros jurídicos técnicos que mexeram profundamente o meu TOC profissional), o que mais me saltou aos olhos foi como a escrita da autora é bacana e fluída. É feio admitir que isso me surpreendeu, mas se eu for me aprofundar no tema eu vou entrar no assunto do preconceito com a literatura nacional, e já disse que não quero tratar disso hoje.

A trama, na maior parte, segue mais ou menos um dos grandes clichês da ficção: a megera domada (minha teoria é que a grande maioria das histórias segue um dos três grandes modelos que todos conhecemos de cor e aprendemos a amar: a megera domada, pigmaleão e cinderela), mas traz também outros elementos e reviravoltas que ajudam a tirar um pouco a história do óbvio. O livro como um todo é super devorável e passa num piscar de olhos, mas alguns dos conflitos me pareceram um pouco repetitivos (por exemplo, tivemos nada menos que três brigas de casal por falhas de comunicação, aprendam a se ouvir pfvr). Em linhas gerais, acho que o livro poderia ter se resolvido em menos de 400 páginas.

As personagens não são incrivelmente profundas, mas também não são superficiais. Senti um pouco que a autora tinha a necessidade de fundamentar todas as ações das personagens principais, quando para mim é mais importante ser crível do que ser justificado, entendem? Mais vale ser realista do que ter todas as ações cuidadosamente justificadas pela história de vida do personagem e precisar ficar trazendo backstory* o tempo todo para explicar o rumo da prosa, porque isso emperra um pouco a leitura.

Ao fim e ao cabo, gostei bastante do livro. Foi definitivamente um tapa muito bem dado na minha carinha preconceituosa, e prometo ir com mais sede ao pote quando pegar No Mundo da Luna — outro livro da Carina Rissi que eu ganhei da mesma amiga fofa.

*backstory = a história de vida das personagens, que não faz parte da trama central do livro.

Esse post é parte integrante do meu BEDA. Para saber mais sobre essa cilada leia esse post. Tem sugestão de tema ou pergunta para a minha pessoa? Deixe nos comentários ou entre em contato.

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9 Comments

  • Reply Chiquinha 4 de agosto de 2015 at 11:22

    Já vi esse livro na livraria algumas vezes, mas não fazia ideia de que era brasileiro?
    Engraçado, não tenho preconceito com literatura nacional de modo geral, mas sempre estranho quando vejo livros nacionais de gêneros que me parecem tão especificamente estrangeiros, tipo o chick-lit. Não tem nada a ver, mas parece que essas histórias só podem existir com mocinhas de Nova York ou Londres, sabe? A Liliane Prata lançou um chick-lit recentemente e eu já fiquei meio *olhos*, desconfiada, porque sei lá, não me parece certo.
    De novo, que bobeira, né?

    Isso que você falou das tropes serem no fundo sempre uma releitura de Megera Domada, Pigmalião ou Cinderele É MUITO VERDADE!!! Principalmente nos anos 90. Recentemente fui escrever sobre filmes dos anos 90 e quase todos eram baseados em alguma dessas histórias. Alô originalidade! E eu juro que já vi um filme com o plot desse livro e agora vou passar o dia tentando lembrar qual foi, hehe.
    Beijos, minha ave do coração
    te amo!

  • Reply Ana Flávia 4 de agosto de 2015 at 12:24

    Sempre confundo esse livro com O Segredo do meu Marido.
    Nunca li nada da Carina, mas estou com Perdida na meta de leitura de 2015 do skoob e sempre leio autores nacionais, antigos e atuais (alguns).
    Tem gente realmente boa por aí e muita gente que força a amizade e teve sorte, daí publicou, enfim.

    Mas é sempre bom quando um livro nos surpreende positivamente né? Mais ainda quando ajuda a quebrar algum tipo de preconceito nosso.

    Aguardando o post de domingo. haha

    Beijão!

  • Reply Analu 4 de agosto de 2015 at 12:57

    Amiga.
    Eu já achava o título desse livro mega duvidoso e era só isso que eu tinha de informação. Aí hoje você:
    – falou que era nacional
    – mostrou essa capa abominável
    – disse que tem mais de 400 páginas

    E eu sei que o resultado foi positivo e que você curtiu bastante mas eu to com os olhos arregalados escondida atrás de um escudo pra esse livro nunca aparecer no meu caminho, problem? HAHAHA

    Te amo! <3

  • Reply Plân 4 de agosto de 2015 at 13:16

    Ai fiquei com vontade de ler! Eu amo livros nacionais (e até acho que vou escrever sobre isso) e nunca li um chick lit daqui. Deve ser uma experiência diferente, no mínimo.
    Estou ansiosa para ler o post do seus problemas com os librinhos daqui. E já julgando. Sorry. Hahahah

    Mentira, nunca vou te julgar. Te amo! <3

  • Reply Sharoneide 4 de agosto de 2015 at 14:43

    Odeio capa creiça, por algum motivo tenho mini preconceito com literatura brasileira (culpa do colégio, talvez?) mas juro, fiquei com vontade de ler? Eu ando meio carente de chick lits, tem tempo que não me agarro com um porque resolvi que precisava tirar o atraso de algumas coisas mas aff, tanta saudade. É possível que em breve eu apareça lendo esse livro porque sim. Me aguarde.

    te amo <3

  • Reply Rafaela 4 de agosto de 2015 at 17:25

    Palo,

    Eu nunca havia ouvido falar desse livro, e definitivamente faria a mesma cara que você, porque, pfvr, que título mais creiço (desculpa, autora), mas parece ter sido uma boa leitura, né?

    Também tenho uma coisa com a literatura nacional, que tô tentando mudar há meses quando olho pra um livro da Paula Pimenta e penso “Hoje vai!” (mas nunca vai). A gente precisa dar mais atenção às autoras e aos autores nacionais, tem uns bacanas por aí.

    Beijo!

  • Reply Alessandra Rocha 4 de agosto de 2015 at 20:04

    Ai Palo, to fugindo de romances assim porque já ando carente demais pro meu gosto, quero um romance menos água com açúcar e mais real sabe? Já tinha ouvido falar desse livro em algum canto mas também não fazia idéia de que era nacional!

    Também tenho preconceitinho com nossa literatura e conto nos dedos os livros nacionais que li – pelo menos que eu me lembre – e não dá 1% de todos os livros que eu vi na VI-DA! Mas enfim, talvez um dia eu me aventure pelos nacionais com mais afinco… por hora estou bem só me desgrudando um pouco da América do norte pra ir explorar literatura oriental!

    Beijo! <3

  • Reply Alessandra 4 de agosto de 2015 at 21:28

    Oieeee,

    Só queria registrar que estou achando os seus textos incríveis!
    Uma delícia ler cada post.

    Bjus

  • Reply Bolo de Cookie 4 de agosto de 2015 at 22:21

    A capa é horrível mesmo. Olha essa fonte. Plmdds.

    Também tenho um mega preconceito com livros nacionais, me abraça. Até hoje não li nenhum recente para mudar, mas simpatizo muito com as meninas da ficção, a Dayse Dantas, a Bárbara Morais e a Luly Trigo. Preciso ter dinheiros para poder comprar (acho rude demais até para mim baixar livros nacionais hahahaha). Tenho aqui Barba Ensopada de Sangue, a gente precisa combinar de ler, né?

    E outra coisa também é que nunca leio chicklit e também tenho preconceitinho. Comprava muito quando tinha uns 13 anos, mas depois que cresci achei melhor ~ gastar meu dinheiro~ com histórias mais envolventes. Acho que preciso voltar a reler chicklits!

    Beijoogr90lkosg09deo9r05ptgkgjduai – piu

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