Livros

Sobre ressaca literária e livros indianos

Depois que terminei de ler Comer, Rezar, Amar, resolvi não voltar ainda para os livros norte-americanos nossos de cada dia e tentar algo “diferente” em vez disso. Passei os olhos na estante de não lidos e acabei parando nA Doçura do Mundo por três motivos: (1) esse título maravilhoso, por favor obrigada, (2) é escrito por mulher e (3) a autora é indiana.

A Índia já estava me chamando uma atenção especial (pela primeira vez na vida) por causa do livro que eu tinha lido antes, e eu pensei que seria uma boa oportunidade para ler meu primeiro livro indiano.

E lá fomos nós.

E isso faz mais de um mês.

E o livro não é nem grande.

E aí vocês acham que eu estou achando tudo uma merda, mas não é não. A culpa principal é da ressaca literária ferrada em que eu me encontro há vários e vários meses. Janeiro acabou sendo uma ligeira exceção a essa maré, mas desde o primeiro semestre de 2014 eu não sou mais a leitora voraz que eu costumava ser.

De quando em quando, isso me incomoda, mas no geral não estou mais achando tão ruim. Sabe, às vezes a gente tem que se dedicar a outras coisas. Deixar nossa vida real tomar um pouco o centro das coisas, e ocupar um pouco do espaço da nossa vidinha fictícia.

Para quem ama ler, isso é uma filosofia um pouco difícil de assimilar e aceitar, e é por isso que eu resolvi mudar a perspectiva e encarar por outro ângulo.

Eu não quero ser “só” uma leitora, eu quero ser protagonista de uma história também. E por mais que ler seja sensacional, acho meio difícil encontrar um livro no qual o personagem esteja lendo o tempo todo. É só quando a gente começa a viver que a gente vira história, ao invés de acompanhar as histórias dos outros o tempo todo.

Talvez se eu tivesse ficado na minha zona de conforto, com livros norte-americanos – o mesmo estilo, as mesmas tramas e os mesmos cenários com os quais eu já estou acostumada – eu tivesse achado um livro que me “curaria” da minha ressaca literária, e estaria nesse momento ansiando para enfiar meu nariz nele e nunca mais tirar. Mas escolhendo um livro diferente, eu acabei optando automaticamente por um ritmo de leitura diferente, e eu acho que foi uma boa escolha.

Então é, estou lendo sobre as dúvidas de Tehmina (uma mulher da terceira idade, viúva, indiana, dona de casa e temporariamente radicada nos Estados Unidos – tudo a ver comigo, só que não) há mais de um mês, e ainda estou na página 120. Cargas d’água, acontece. Prefiro acreditar que todo o tempo que eu não estou lendo, eu estou por aí escrevendo meu próprio livro. E quando eu estou lendo, a experiência continua sendo maravilhosa.

Durante esse mês de abril, estarei eu participando do BEDA (blog every day in april), o que significa que todo dia tem post saindo do forno pra vocês. Me amem.

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4 Comments

  • Reply Lilica 8 de abril de 2015 at 17:39

    Ah Palo essa ressaca literária é tão ruim né! Mas te digo uma coisa: admiro que você continue lendo um livro que não está bom! Eu leio no máximo 2 capítulos e abandono, caso não esteja gostando. Comecei a ler um na semana passada chamado A Mulher Silenciosa e não consegui dar sequência. História ruim do caramba! Li umas 20 páginas e coloquei na lista de trocas do Skoob! Ahahaha! Espero que você encontre outro livro tão bom como Comer, Amar e Rezar para te fazer feliz de novo com suas leituras!

    Beijos

  • Reply Alessandra Rocha 8 de abril de 2015 at 18:34

    Ressaca literária é mesmo uma bosta Palo, e me senti mais ou menos assim quando peguei 1Q84 pra ler… Tipo da primeira vez mesmo, era o churrasco do primeiro dia do ano na casa da minha tia e ele tava na minha bolsa, aí eu fiz meia hora de “sala” – mesmo sendo visita – e depois desci e… Bleh. Quando peguei ele de novo em fevereiro a coisa já tinha mudado e aproveitei bem mais o livro, mas também levei meu tempo… Ainda acho bobagem essa coisa de me “obrigar” a ler cinquenta mil livros num ano, claro que quanto mais a gente lê melhor… Mas não precisa ter tanta cobrança sabe? É um hobby poxa! Eu também quero descobrir outras coisas além da literatura norte-americana. É um pouco difícil porque 99% dos meus livros são nesse nipe, mas a gente vai tentando né?

    E concordo totalmente com a sua perspectiva de vida! Eu meio que fiz isso nos ultimos três anos e não posso dizer que me arrependo! Foram os anos que menos li, mas o que eu mais vivi e foi ótimo! Agora minha vida tá mais calma – tanto que já ta ficando chato – e minhas prioridades são outras, mas ainda não me sinto culpada de não ler tanto quanto eu costumava!

    Beijo <3

  • Reply Analu 9 de abril de 2015 at 12:31

    Ave, que tapa na cara esse seu post. Realmente os personagens vivem aventuras muito mais incríveis que a minha que fico lendo sobre eles. Não é atoa que sempre me apaixono por personagens que gostam de ler e livros que falam de leitores, hahaha.
    Hoje em dia sei lidar melhor com períodos de ressaca literária. Antes ficava mega irritada e forçando a leitura, mas agora se eu não quero ler, ok, não quero, bola pra frente uma hora a vontade vem com força. Mas esse ano desconheço esse termo porque li um monte de livro bom e to querendo casar com Americanah em Vegas.
    Te amo! <3

  • Reply Minha vergonhosa lista de leituras de 2015 ◂ Vizinha da Capitu 7 de janeiro de 2016 at 15:42

    […] embalada na vibe indiana, peguei da estante A Doçura do Mundo (que também já deu as caras por aqui), que conta a história da Tehmina, uma idosa indiana que perde o marido e precisa decidir se vai […]

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