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The Casual Vacancy

Isso não é uma resenha, é uma tentativa de definir em palavras o que eu senti com esse livro. Vai ser arrastado e provavelmente chato, então vou avisando logo que a porta da rua é a serventia da casa. Quase comecei com “desculpem por esse texto…”, mas então lembrei que ninguém é obrigado a estar aqui e quem está teoricamente quer ler o que eu tenho a escrever. Mas desculpem, agora sim, pela acidez; o calor faz isso comigo. Então, sem mais enrolação. Já esclareço de uma vez por todas a dúvida que eu sei que está ocupando sua cabeça agora e digo que gostei do livro. Muito.
Meses antes do lançamento, quando eu vi a pré-venda da obra, eu já sabia que eu queria muito esse livro. E nem foi pela sinopse, porque esta é bem fraquinha, mesmo porque o livro é um tanto “insinopsável”. Assim que lançou, eu quis mais ainda. Quis tanto que doeu. Mas não comprei, porque estava custando sessenta reais e porque eu tenho setenta-e-alguns livros para ler. O problema se resolveu quando um namorado muito legal que eu tenho, sabendo da minha vontade louca, teve a bondade de me dar um presente.
Começando a ler, eu tive uma sensação de dejá vu enorme dos meus anos passados de Harry Potter. Não pela história, que não tem nada a ver, mas pela escrita, que dessa forma eu descobri ser bem característica.
O livro é bem complexo, apesar de a história ser, na verdade, bem simples. São dezenas de pontos de vista se intercalando freneticamente, deixando o começo um pouco arrastado, o que pode ser considerado por alguns bem chato. Apesar disso, eu gostei do estilo, e achei que foi justamente essa multiplicidade de focos que transformou uma história extremamente simples em uma história muito interessante.
Além disso, eu tenho uma curiosidade quase mórbida sobre o comportamento humano, o que torna esse exatamente o meu tipo de leitura. Not so good para você que gosta mesmo é de ação.
Enfim, o livro continua nesse bate bola, o que te fornece uma visão ampla de cada personagem, não só do ponto de vista de outros, quanto do ponto de vista dele próprio. Que te faz sentir empatia por quase todos, porque cada um tem sua história, sua vida, seus fantasmas e seus sentimentos. E, como na vida real, todo mundo acha que seus atos são justificados, e quando você olha pelo ponto de vista deles – de uma certa forma – você também acaba enxergando os motivos, mesmo que não concorde com eles.
E é por causa de toda essa corrente de empatia que a autora constrói pedra por pedra ao longo das ~400~ primeiras páginas, que o final é um soco no estômago tão grande. Quase físico, mesmo. Que me deixou arrasada e ligeiramente depressiva. Mas eu não chorei, porque de um jeito ou de outro, mesmo torcendo por uma virada épica nos acontecimentos, você sabia – lá no fundo – que só existia um fim possível.
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3 Comments

  • Reply Anna Vitória 29 de dezembro de 2012 at 00:41

    Amei sua resenha, Palominha!
    Confesso que esse livro tem me botado bem apreensiva – vai ver que é por isso que não senti essa necessidade louca de lê-lo. Costumo ter um receio com artistas que saem da sua zona de conforto, tipo ator que vira cantor, etc, e tinha um pouco de medo dessa nova empreitada da J.K. Acho que era medo de não gostar, acima de tudo.
    Você me ganhou por ter contado que ele é um livro que mostra diversos pontos de vista diferentes sobre uma mesma história. Eu sou COMPLETAMENTE apaixonada por isso, a alternância de focos narrativos é fascinante e também amo loucamente o comportamento humano, e não tem jeito melhor de percebê-lo do que este.
    Amei, cara. Agora sim, PRECISO LER ESSE LIVRO!
    beijos

  • Reply Alessandra Rocha 31 de dezembro de 2012 at 14:24

    a sinopse é bem fraquinha mesmo, to enrolando porque quero comprar o meu em ingles e ele já é caro traduzido, o original então… ai meu bolso! x.x

    mas depois dessa sua meia resenha fiquei mais curiosa ainda haha

    beijos Palo ♥

  • Reply Rafaela 4 de janeiro de 2013 at 00:32

    Ai, sua resenha me deixou curiosa de forma positiva. A grande maioria das resenhas que li sobre esse livro fizeram justamente o contrário. Ai! Mal posso esperar pra ter tempo de lê-lo e tirar minha própria conclusão.

    Beijos, Pa!

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