Pessoal

A beleza do meio termo

Segundo Eric Hobsbawn, vivemos na era dos extremos. Só de olhar em volta vemos o quando isso é verdade. É tudo intenso demais, rápido demais. Existe amor de menos e as pessoas se importam cada vez menos umas com as outras. Todos querem ganhar muita coisa, fazendo muito pouco por merecer. Tudo é massificado. Ou você está dentro, ou está fora.
Acabou o tempo de se querer aquilo que se merece. De aproveitar o tempo e a ansiedade entre o envio de uma carta e a chegada da resposta. Não existe mais o amor calmo e o tempo de cada um. É tudo eu e agora. Está todo mundo atarefado demais para perceber a graça das coisas pequenas. Só se tem prazer com as coisas igualmente extremas.

Às vezes fica inviável viver nos extremos o tempo todo. Pior ainda é a rapidez com que se vai de um extremo a outro. Um momento de euforia seguido por um de depressão. Em um momento se está no topo do mundo e no outro, no fundo do poço.
Achar o meio termo é uma arte. É atingir um equilíbrio anacrônico e apesar. Apesar de tudo o que eu já disse. Apesar do stress que ataca a população como um todo e da depressão que se aloja em cada cantinho deserto. E o que não falta hoje são cantinhos desertos.

Eu vivo em uma época onde o medo é fator certo na vida. É quase obrigação viver com medo. E ele está em quase todo lugar. E quando não existe motivo para tal, nós criamos. Sem medo, nós não sabemos como viver, como nos comportar. E o medo dificulta tanto a busca por uma existência equilibrada!

Uma vida equilibrada seria uma onde se pode fazer as coisas por prazer. Uma em que cada um seguiria seu tempo. Em que se pudesse dar ao luxo de não amar uma pessoa, sem ter que odiá-la. É ter uma estrutura e obrigações, sem se tornar escravo delas. É viver a vida que nos é dada, mas nos nossos próprios termos.

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9 Comments

  • Reply Carol 27 de novembro de 2011 at 14:47

    Se mais pessoas fossem assim como você, o mundo não estava tão perdido.
    Um beijo

  • Reply Ana Luísa 28 de novembro de 2011 at 01:04

    E o meio termo não é ficar em cima do muro. É saber dosar as coisas! Arrasou, Paloma!
    Beijos

  • Reply del 28 de novembro de 2011 at 16:39

    Eu tava pensando nisso por esses dias. Pensando no quanto as pessoas se tornaram, sei lá, descartáveis. É tudo descartável. Até sentimentos, meu Deus! Muita gente anda confundindo as coisas, misturando outras e esquecendo tantas mais.

    Seu texto ficou sensacional!

  • Reply Laís 30 de novembro de 2011 at 23:37

    Verdade, estamos tão entretidos na rotina cada vez mais corrida que perdemos o prazer pelas pequenas coisas. Infelizmente, acho que esse problema é difícil de ser contornado =/

    Beijos ;*

  • Reply Deby 3 de dezembro de 2011 at 15:50

    Poxa, muito bom o post! É exatamene isso que acontece atualmente mesmo.. e me identifiquei muito com a parte do medo, eu até falei há um tempo atrás no blog que eu não consigo ficar feliz plenamente, até quando tudo está indo bem fico com medo de uma coisa ruim acontecer! :/
    Todos nós deveríamos viver mais leves, assim o mundo se tornaria menos pesado! Filosofei agora.. kkkkk

    Beijo :*

  • Reply Vanessa 4 de dezembro de 2011 at 15:15

    Ahhh, me conquistou quando citou o mestre Hobsbawm. Olha, eu gostaria de encontrar o meio termo, mas infelizmente me acostumei com a vida pouco saudável nos extremos.

  • Reply Fran Carneiro 4 de dezembro de 2011 at 19:03

    Eu confesso que sou extremista em algumas coisas, mas não por, digamos, um estilo blasé, por intensidade mesmo. Mesmo assim, adoro a sensação de planejar algo que quero, de esperar cartas e de escrevê-las… E quanto ao medo, não sei… Acho que é inevitável sentí-lo, mas sempre tento não deixar com que ele me domine, digamos assim.

    adorei o post!

  • Reply Kamilla Barcelos 6 de dezembro de 2011 at 16:50

    Verdade, estamos vivendo muito ao extremo e estamos esquecendo simplesmente de viver. Gostei demais do seu texto!

  • Reply Camila 7 de dezembro de 2011 at 10:52

    E de repente a vida passa e nada ficou dela… É o preço por vivermos vagamente. Apenas ver, sem enxergar…

    Ótimo post 🙂

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