Pessoal

A mais famosa Lady

É raro encontrar alguém que não conheça as Leis de Murphy. Tudo que tiver que dar errado dará, e no pior momento possível, já é um fato comprovado por experiências (quase) científicas. É a crueldade do mundo mostrando as suas garras. Por que sempre que você cai na escola tem que ser no meio do pátio lotado e na frente daquela pessoa linda? Ou por que toda vez que a comida voa da sua boca quando você está rindo tem que ser no exato momento em que todo mundo está olhando para você? Não adianta se enganar, é a Lady marcando presença.
O fato mais marcante na minha curta vidinha até agora aconteceu comigo quando eu estava na quinta série. Eu estudava, então, em uma escola que queria fazer fita de militar e coisa e tal, o uniforme era uma saia azul-marinho abaixo do joelho, uma blusa de botão branca e uma boina (sim, uma boina) da mesma cor da saia. O detalhe principal fica para o sapato, daquele tipo social, preto, brilhante e SUPER escorregadio. Nesse momento já deve dar para imaginar o que aconteceu com a minha pessoinha (que, só para completar a imagem mental, na época devia medir algo em torno de 1,30m) naquele fatídico recreio.
Lá estava, feliz e estranha como sempre, só que dessa vez andando sozinha pelo pátio, procurando pelas minhas amigas. Creio que chovia, o que piorou a situação. Só sei que no próximo momento que eu me lembro, estava no chão. Um dos meus pés escorregou para frente, deixando o outro atrasadinho no lugar e, pum, caiu a mini Paloma de joelho em cheio no piso. Até os jogos de totó que rolavam enfurecidos nas duas mesas que tinham por perto pararam naquele momento, as conversar diminuiram. Por que nos momentos mais desagradáveis parece que o mundo todo resolveu notar que você existe?
Não me perguntem se doeu, na hora o sentimento dominante foi uma vontade quase irresistível de simplesmente desaparer da face da Terra para sempre e nunca mais ter que voltar a por meus pézinhos naquela escola que só porderia ter saído de um filme de terror, ou mesmo das próprias profundezas do inferno. Infelizmente, essa não era uma opção naquele momento, e eu tive que me levantar, esperando que o mínimo possível de pessoas tivesse visto ou que o máximo possível de pessoas pudesse fingir que não tinha visto. Para meu desespero, nada é tão ruim que não possa piorar. Um garoto desconhecido e mais velho, cheio da melhor das intenções, veio me perguntar se eu tinha me machucado. Aquele foi o ponto alto, eu tive vontade de nunca ter nascido. POR QUE as pessoas não tinham um pouco de compaixão?
No fim das contas, esse pesadelo todo só teve uma coisa que pode ser considerada não ruim dada a situação: pelo menos as minhas amigas não estavam lá para ver.

Texto postado originalmente no WordPress.

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