Pessoal

A maravilhosa (sqn) experiência de voar Avianca

Estava eu, como sempre, sonhando e passeando por blogs de viagem, quando me deparei com um evento muito incrível organizado pelo ViraVolta. Em São Paulo. Levei menos de cinco segundos para mandar uma mensagem para menina Milena sutilmente me convidando para ficar na casa dela, e em outros dois minutos estava tudo acertado para minha escapada de fim de semana até o outro lado da ponte aérea.

Um mês depois, começou a aventura. Aventura inesperada, diga-se de passagem, porque em nenhum universo ir e voltar na ponte rio-sampa consegue ser tão estressante e complicado e demorado quanto foi essa minha incrível experiência.

Acontece que eu nunca tinha voado pela Avianca, então cheguei no aeroporto (cedo, como sempre, porque [1] fui criada assim e [2] já assisti/vivi alguns casinhos bacanas envolvendo companhias aéreas escrotas e perda de voos), dei uma enrolada com meus pais (que são lindos e me levaram até lá; bjos, mãe) e, quando chegou a hora marcada no bilhete para o começo do embarque, fui logo para a sala de embarque para evitar inconvenientes.

Lá dentro, fui feliz e iludida olhar naquela televisãozinha qual era o meu portão. Curiosamente meu portão era um que eu nunca tinha ouvido falar: “-”. Okay, tudo bem. Nada de tão ruim ainda, sentei numa cadeirinha ali mesmo, junto com o meu livrinho, e fiquei lá – debouas — com um olho no peixe e outro no gato, esperando para descobrir onde deveria embarcar.

O voo supostamente decolaria às 9:02. Já eram 8:40 e nada. A telinha dizia que meu voo estava “embarcando” pelo tal do portão “-” — que eu cogitei ser algum parente da plataforma 9 3/4. Resolvi que não ia ter problema se eu fosse correndo ao banheiro. Dois minutos não iam me fazer perder um voo que não tinha nem começado a ser anunciado, né? Então eu fui, super rápido, por via das dúvidas.

Saí de lá tranquilíssima, uns dois minutos depois, e chequei casualmente a televisãozinha pela vigésima vez para saber se já tinha algum sinal do meu portão. Mas foi tão melhor que isso. Não só tinha a informação do portão (que, obviamente, ficava do outro lado da sala de embarque), como dizia em letras vermelhinhas do lado “última chamada”. Só que não teve primeira, nem segunda, nem terceira, nem nenhuma chamada. Mas de alguma forma tinha acontecido uma última chamada imaginária. Fodeu. (Não sou dramática, imagina.)

Corri. Risos. Até o bendito do portão, e dei de cara com uma fila imensa. E a tal da última chamada era tão imaginária que ninguém tinha embarcado ainda. Logo depois de mim, várias pessoas tão perdidas e desesperadas quanto eu chegaram e eu me senti um pouco compreendida.

Depois de mais um tempo, fomos aos poucos embarcando no ônibus (porque não bastava isso tudo e já ter passado a hora da decolagem, ainda fomos mandados para aqueles “portões” maravilhosos do GIG em que você precisa pegar um ônibus para embarcar). O primeiro ônibus saiu cheio, entrei no segundo. Chegando perto do avião, um sujeito da companhia aérea entra no ônibus e grita que o acento é livre, “senta onde tiver lugar”. Apenas porque Murphy me ama e uma vez na vida eu tinha um lugar lindo na frente e na janela. Respirei fundo e fui.

Me acomodei na fila imensa de gente que saía do ônibus e entrava no avião, subi aquelas escadinhas maravilhosas, entrei no avião já bem cheio. Mas por algum motivo não suspeitei de nada, ainda. Passei por um, dois, três lugares vagos em poltronas do meio (claro), até que por algum milagre dei de cara com um lugar no corredor e me joguei nele como se minha vida dependesse disso.

Exageros à parte, respirei aliviada e sorridente, enquanto um mundo de pessoas ainda estava de pé no corredor. Mal toquei o acento e a aeromoça que estava se espremendo no espaço das minhas pernas anunciou que os lugares tinham acabado. Peculiarmente, o corredor ainda estava cheio de gente. Pois é.

Por alguns minutos todo mundo (sentado e em pé) apenas olhou de um lado para o outro, sem entender absolutamente nada. E então alguém deve ter dado alguma instrução que eu não ouvi, e quem estava em pé começou a descer. Juro para vocês que eu ouvi perfeitamente o barraco que a Paloma de um universo paralelo (aquela que não conseguiu embarcar) estava fazendo em alguma outra dimensão. Mas como nesse universo eu estava sentada, tentei me concentrar só em respirar fundo para evitar um ataque de pânico, porque esse rolo todo já estava destruindo os meus nervos. E comecei a mandar mensagens de nervoso — parentes do riso de nervoso, conhecem? — para menina Milena que estava muito provavelmente dormindo aguardando ansiosamente a minha chegada em terras paulistas.

Apenas um adendo, quando acontece esse tipo de coisa e pessoas precisam descer, eu sinto uma certeza inabalável de que meu avião vai cair e eu vou morrer. Para mim, a única explicação para esses eventos é que alguma força suprema está separando (sabe-se lá por qual critérios) quem vai morrer de quem vai ficar vivo, e meu lado pessimista que normalmente fica adormecido tem certeza de que eu estou no primeiro grupo. Considerei seriamente descer do avião gritando que tinha algo errado com a filange esquerda. Por via das dúvidas, mandei menina Milena rezar por mim.

Tudo bem, calma, já passou e você não vai morrer. As portas estavam sendo fechadas. Tudo ia ficar bem. Em alguns segundos o avião ia decolar e nada mais ia dar errado, né? Só estávamos meia hora atrasados, pontualidade é superestimada mesmo, o importante era chegar lá. Risos risos risos.

E aí veio a parte do discurso do piloto pelo alto-falante.

Basicamente, ele estava um pouquinho revoltado com a vida, o brasil e (muito provavelmente) a Dilma. O conteúdo do discurso foi mais ou menos assim:

“Prezados passageiros, obrigada pela preferência bla bla bla pedimos desculpa pelo atraso. A demora aconteceu devido a problemas técnicos de comunicação com a equipe de terra da companhia e também com a equipe do aeroporto, porque nós temos três frequências de rádio mas a gente tá perto de comunidades e vocês sabem como são essas tretas aí de rádio pirata e tudo mas, então duas das nossas frequências estão sendo usadas pelos traficantes e agora a gente só tem uma. Ah, e pra completar tem tráfego intenso de aviões na pista, então a gente ainda vai demorar um pouco para decolar. Uns cinco ou dez minutos, talvez mais. Podem ficar à vontade com os celulares.”

Vocês talvez não acreditem, mas juro que essencialmente foi isso o que ele disse. Ri alto, literalmente, e liguei o celular de volta para tentar contar prazamigas no meio da crise de riso meio-nervoso como meu voo ia atrasar mais ainda por causa do tráfico.

Pousei no GRU exatamente às 10:40, por pura ironia do destino, apenas para que eu tivesse tempo de contemplar o fato de que naquele minuto meu ônibus para São Paulo estava partindo sem mim e eu teria até meio dia para fazer vários nada por lá enquanto esperava o próximo.

O meio da história é aquilo mesmo: cheguei na área, esperei menina Milena, mudei meus planos, fomos maravilhosas por aí durante pouco mais de 24h e então, hora de voltar.

Tive que pegar o ônibus de 15:30 de volta pra GRU, porque supostamente meu voo sairia às 18:20. Cheguei ao aeroporto às 16:40 na maior tranquilidade, confiante que dessa vez daria tudo certo. Explorei os arredores, descolei alguns remédios de dor de cabeça, comi um pão de queijo porque os remédios obviamente derrubaram a minha pressão, e sentei na frente do meu portão de embarque (que, com a graça do sem or, não era o “-”). Então veio a voz do além.

Vocês me desculpem pelos quotes, mas é que nessa minha breve experiência eu constatei que os anúncios da Avianca são geniais e precisam ser citados em discurso direto:

“Prezados passageiros do voo 6152 (sim, eu acabei decorando o número) com destino ao Rio de Janeiro, aeroporto Galeão, informamos que por motivo de demora no pouso da sua aeronave (sabe deus o que isso significa) seu embarque foi remarcado para as 19:15, podendo ser atrasado ou adiantado a qualquer momento.”

Resumo da ópera, meu embarque foi remarcado basicamente para o horário em que eu esperava estar chegando em terras cariocas. A parte boa foi que todos coubemos no avião (com exceção dos coitados que iam pegar a conexão para Recife, esses foram retidos por lá mesmo e eu não sei o que aconteceu depois). A parte ruim é que eu ainda peguei o motorista de frescão mais lerdo e barbeiro da face da terra e cheguei em casa quase 23h.

Vocês acham que a emoção acabou aí, mas não. Felizmente para vocês que sobreviveram até aqui, o post acabou; o resto é uma história bacaninha sobre como minha roomie tentou me matar que eu volto para contar um dia desses.

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5 Comments

  • Reply Analu 21 de julho de 2015 at 12:19

    HAHAHAHA, amiga do céu! Que saga foi essa?? Que que rola com a Avianca, Jesus? “Senta onde quiser”, “overbooking”, “última chamada sem chamadas anteriores” e essa quotes brilhantes que realmente necessitavam ser citadas. Pra falar a verdade eu só lembro que a Avianca existe quando alguém fala que voou com eles, porque via de regra, quando vou pesquisar passagem, só lembro da Gol, da Tam e da Azul (e quase nunca insisto em tentar a Azul porque geralmente ela é completamente fora da casinha nos preços).
    Tenho uma relação meio bipolar com aeroportos. Acho os interessantes e estressantes na mesma proporção, e fiquei estafada aqui só de ler sua saga com bagunças e perdas de conexão, Jesus.
    Mas deu tudo certo. E você não morreu, UFA.
    Te amo <33

  • Reply Luddie Miller 21 de julho de 2015 at 14:45

    Meu Deus, que aventura! hahahah E que desorganização nesses vôos da Avianca, gente. Só viajei pela Gol até agora e nunca tive problemas.
    e doidera esse discurso do piloto, mano! hahhahah
    Beijoos

  • Reply Alessandra Rocha 21 de julho de 2015 at 22:35

    OK, ESTOU PESSOALMENTE OFENDIDA QUE VOCÊ ESTEVE NA MINHA CIDADE E EU NÃO TE DEI NEM UM ABRAÇO )):

    Mas dramas e carências a parte, menina… NÃO VOE NUNCA DE AVIANCA! A Ibéria consegue ser menos piior, mas não sei se eles fazem voos nacionais. Trabalho há quase 2 meses numa locadora de carro e todos, TODOS os b.os de vôos cancelados e remarcados são deles, não sei o que acontece, juro. Voe Tam que pelo menos eles tem uma reputação boa pra honrar.

    Agora cê ja ta avisada, mas mesmo assim hahahaha

    E fique viva por favor, a gente te ama muito pra você partir nova assim!

    beijo! <3

  • Reply Gab 22 de julho de 2015 at 13:06

    Nossa, amiga, to surpresa pra caramba com esse relato porque eu voei de Avianca para Fortaleza e foi maravilhoso, nada do que reclamar. E olha que foram, ao todo, 4 voos e tudo de boas. Que bosta tudo isso amiga. 🙁
    Eu também ficaria NO PAVOR interno achando que o karma decidiu que o grupo que ficou no avião é o que vai morrer. Hahahah
    Mas enfim, acontecem coisas, né? A vida acontece. Que bom que tu foi, curtiu menina Milena e voltou inteira.
    Te amo!

  • Reply Sharoneide 22 de julho de 2015 at 23:53

    Amiga do céu, eu levei um susto quando li o título desse post porque eu fui de Avianca pro Rio e nossa, melhor coisa da vida? Foi tudo tão tranquilo, comissários tão atenciosos, lanchinho tão gostoso, voo tão ótimo. Mas né, como lidar com essas companhias? Teria muitos elogios pra Gol até c e r t o s episódios então ficarei quietinha no meu canto, dando graças que deu tudo certo, principalmente que você não morreu, e que de preferência a gente não tenha mais problemas com esse povo (mas né, que inocência maravilhosa acreditar numa coisa dessas).

    te amo <3

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