Pessoal

Açúcar, tempero e tudo de maneiro

Não, não é aqui nem agora que eu vou falar de As Meninas Superpoderosas. Eu amo o desenho e vou falar sobre ele, mas deixo vocês no suspense sobre o resto das informações. Por ora, o que estou buscando mesmo são os ingredientes necessários para criar o blog perfeito manter um blog. Não precisa ser perfeito, não precisa ser muito interessante, não precisa ser um sucesso (quem define o que é sucesso?), só precisa estar vivo.

Eu não sei o que acontece, parece que em algum momento no tempo — muito tempo atrás — eu sabia blogar, e então eu desaprendi. Às vezes eu volto, ensaio, então caio em mim e entro em crise, esqueço tudo o que queria dizer e vou embora — para aí sentir saudade, refletir, fazer planos e voltar. É sempre assim. E antes de cada volta tem uma pesquisa de campo imensa pra tentar descobrir o que são blogs, onde habitam, de que se alimentam, o que as pessoas escrevem neles e qual o sentido da vida. É o marte em touro.

Racionalmente eu sei que o espaço é meu e eu posso escrever qualquer coisa, mas todo esse mundo de possibilidades me dá um branco imenso. Liberdade absoluta também é um pouco opressivo.

A verdade verdadeira é que, mais uma vez, eu compartimentei tudo. Coisas no estilo querido diário e anedotas diárias eu acabo contando na newsletter, boa parte das minhas reflexões sobre a cultura pop estão sendo canalizadas para uma fonte que será revelada muito em breve e, para completar, entrei agora como colaboradora lá na Alpaca Press. De repositório total dos meus pensamentos, esse espaço aqui virou o espaço de tudo aquilo que sobrou. E o que sobrou? O que sou eu se não o que eu ouço/vejo/leio e os acontecimentos simples do meu cotidiano? Fica a reflexão.

Também tenho um pouco de medo de virar uma pessoa chata. Mentira, eu já virei uma pessoa chata. Desde que eu conheci o feminismo eu sou cada vez mais chata e, por mais que às vezes eu me aborreça de ser sempre a estraga-prazeres do rolê, eu não consigo lamentar nada disso. Então meu medo real não é exatamente virar chata, e sim levar esse espaço tão bonitinho pelo ralo junto comigo. Porque se a gente tira o que vem de fora, sobra o que vem de dentro. E por dentro eu sou uma enciclopédia interminável de textões problematizantes e politizados. Quem realmente tem interesse nisso?

A verdade verdadeira é que esse espaço ficou largado de mão mesmo antes de eu começar a escrever pelos quatro cantos (quem dera, um dia eu chego lá — quem sabe) porque eu ando cheia de coisas pesadas que têm muito mais de político do que de pessoal. E não bastasse isso, eu ainda me sinto muito pouco qualificada pra falar de tudo e qualquer coisa. Como muito bem definiu minha amiga maravilhosa Milena, eu tenho graduação em insegurança, além de muita preguiça de estudar o tanto que eu acho necessário para falar sobre assuntos mais complexos (spoiler: muito). Vide que no meu único texto explicitamente sobre feminismo, uma amiga pediu que eu falasse mais sobre a vertente com a qual eu me alinhei e até hoje ainda não saiu nada (vai sair um dia, prometo).

Eu sou insegura. Talvez eu não tenha nascido insegura, mas a verdade é que eu cresci insegura, e é muito difícil se livrar disso depois de velha. Insegura nível não me inscrever para a seleção de colaboradoras da revista da minha amiga por medo de deixar ela sem graça de me recusar. Insegura em níveis que desafiam a lógica. E agora insegura nível deixar de escrever e assistir esse espaço definhar e morrer lentamente, mesmo com o coração partido e a mesma velha paixão por escrever ainda intacta em algum lugar aqui dentro.

Então é isso. O primeiro passo é admitir que você tem um problema, não é mesmo? Eu admiti. O próximo eu ainda não sei qual é, mas enquanto isso vou continuar tentando falar — sobre Mabel a gata, sobre heterossexualidade compulsória, sobre minhas aventuras culinárias veganas, sobre escrever. Afinal, é escrevendo que se aprende a escrever, né?

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4 Comments

  • Reply Nay 3 de maio de 2016 at 13:11

    “Eu não sei o que acontece, parece que em algum momento no tempo — muito tempo atrás — eu sabia blogar, e então eu desaprendi. Às vezes eu volto, ensaio, então caio em mim e entro em crise, esqueço tudo o que queria dizer e vou embora — para aí sentir saudade, refletir, fazer planos e voltar. É sempre assim. ”

    Nunca alguém descreveu minha relação com meus blogs de uma forma tão perfeita! Aliás esse texto inteiro… apenas queria te abraçar… porque é isso tudo ai…enfim… “não sei o que dizer só sentir” se aplica bem aqui.

  • Reply Monique Químbely 3 de maio de 2016 at 15:32

    Solta os textão problematizador siiim!

    Olha que eu nunca fui de ser blogueira ativa, postar três vezes por mês pra mim já é uma vitória. E eu nem trabalho, só estudo. Não é minha vida super agitada, na verdade em questão de tempo é mais a minha falta de organização. Aí entra minha crise de “não sei escrever e todo esse tempo eu fingi que sei”, ou “ninguém quer saber dessa chatice”, ou então simplesmente não saber sobre o que escrever.
    Então penso em parar, e penso e penso, mas daí acabo postando algo, bate aquele sentimento gostosin de quando cê termina um texto e deixo a decisão de abandonar meu canto pra depois.

    Abraço!

    Ps: o site que você citou, o Alpaca, não li post nenhum ainda, mas amei o visual dele!

  • Reply Douglas Vasquez 3 de maio de 2016 at 16:49

    Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh! Eu tenho essa sensação de liberdade demais o tempo todo ultimamente! Finalmente alguém que entende o que eu quero dizer com a “opressão das possibilidades infinitas” que acaba me dando uma pane na hora de encarar a página em branco pra escrever o post.

    Saiba que em qualquer lugar que você escrever (mas principalmente na newsletter que é nosso clubinho secreto [nem tanto talvez]), eu irei ler. Então, despeja o que achar necessário, adiciona uma quantidade gigantesca de Mabel, que a gente fica bem feliz.

    Beijos!

  • Reply Creide 9 de maio de 2016 at 11:35

    Oi, amiga, então… É nós.

    Particularmente eu sinto que essa fragmentação, que a Analu até comentou no blog dela também, tá tirando algo de mim — ou eu que tô enxergando errado. Não dou conta de tudo. Queria escrever mais no blog, mais na nossa filha, queria escrever news, quero ler todas as news que deixei acumular por meses, e todos os posts dos blogs que deixei pra trás, mas não consigo. Não dou conta.

    Dar conta de tudo isso, combinado com seis matérias na faculdade, trabalho (que tô com funções extras desde que minha colega saiu), um relacionamento e uma penca de livros pra ler, e séries e filmes pra assistir, bem… Tá me deixando meio perdida.

    E no fim do dia, parece que quero segurar água com as mãos e tudo acaba escoando e eu não dou conta de tudo.

    É uma merda, mas a gente é só humano, né? Não dá pra fazer tudo não. E eu tô me educando pra parar de me desculpar por tudo, porque um dia as coisas se ajeitam, só não tá dando agora.

    No mais, o texto de Mimi, pqp. Sou eu. Eu sou um poço de insegurança, e olha, é uma merda.

    Boa sorte pra nós.

    Beijo! <3

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