Pessoal

Algumas considerações sobre ser adulta

Antes de me mudar, eu tinha muitos projetos (e até rascunhos semi-prontos — vai entender) de posts sobre minha nova vida, como seria, o que teria aprendido. Me aproximo do marco dos seis meses cuidando do meu nariz, e é só dar uma olhada nos arquivos que fica óbvio e evidente que nada disso foi ao ar. Minha última postagem relacionada à mudança foi aquele em que eu contei como eu estava nervosa por estar tão calma em um momento tão importante. Ou talvez vocês contem aquele breve relato sobre Letícia me prendendo para fora de casa.

Na verdade, eu tinha pelo menos uns dois textos sobre o tema programados para o BEDA (planejados, mas nunca escritos) e — ao fim e ao cabo — cá estamos nós.

Então eu li esse texto lá na Pólen (vocês já leem a Pólen? Deviam. Já teve até conto meu por lá), um relato de uma menina da minha idade que saiu de casa. A diferença é que ela atravessou um oceano, eu ainda não. Eu ainda vejo minha família quase toda semana, e estou perto de muitos dos meus amigos. Fora isso, absolutamente tudo o que ela passa é igualzinho à minha experiência, e me deu vontade de falar um pouco também (e tirar as teias de aranha desses quase 20 dias de hiatus pós-BEDA).

A verdade é que eu tinha muitas expectativas sobre essa mudança. Eu esperava que fosse incrível, que de uma hora para outra eu viraria uma pessoa completamente diferente e muito mais adulta, com uma perspectiva completamente nova sobre a vida, o universo e tudo mais. Mas, na verdade, foi bem isso mesmo. E sim, eu usei o conectivo errado só para dar um sustinho.

Fazia um tempinho que eu tinha começado a sentir essa necessidade íntima de mandar no meu nariz e não dar satisfação a ninguém, o que era impossível na casa em que eu vivia. E, na verdade, acho que mesmo que eu morasse numa dessas casas que aceitam que crianças crescem e adultos não deveriam precisar dar satisfações o tempo todo, eu ainda precisaria pagar as minhas próprias contas e arrumar minha própria bagunça para crescer e me dar conta de que cresci.

Se eu tivesse ficado na casa dos meus pais, eu provavelmente com certeza teria muito mais dinheiro na poupança e a minha viagem dos sonhos (quem sabe um dia eu conte um pouco sobre isso para vocês) poderia estar muito mais perto. Mas eu não acredito em dar uma pausa na vida para viver daqui a pouco. E talvez eu não tivesse autoconfiança suficiente para sair do ninho direto para o mundo.

Estou aprendendo agora que eu sou ótima em cuidar do meu próprio nariz, esfregar chão até brilhar, pintar banheiros, trocar torneiras e lembrar o vencimento das contas. Eu sei resolver pepinos e minha inteligência graças a deus não se resume a decorar matéria em sala de aula. Resumindo, eu me viro muito bem, e tenho uma confiança crescente de que consigo fazer isso em qualquer lugar do mundo.

Mas além de todas as coisas práticas que eu aprendi, eu também ganhei muito emocionalmente. Independência emocional, autoconfiança e, acima de tudo, autoconhecimento. Daria para fazer uma lista de tudo que aprendi sobre mim mesma, e ela talvez ficasse maior do que esse post. Para completar, eu consegui bater algumas vezes o recorde de tempo me sentindo infinita sem pausa.

Eu queria saber me expressar melhor, ou que existissem palavras suficiente para explicar tudo o que eu ganhei nesses últimos seis meses. Mesmo sentindo saudades, sair de casa foi uma experiência incrível. Recomendo para todas.

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6 Comments

  • Reply Alessandra Rocha 19 de setembro de 2015 at 00:40

    Ai Palo, morar sozinha é uma coisa né? eu fui e voltei porque né? 18 anos com nada na cabeça e na Europa, ÓBVEO que não ia dar certo haha, mas aprendi muito e rola muito essa coisa de auto conhecimento mesmo, to com siricutico pra sair de casa, mas sei que agora não vai rolar por n motivos – que milagrosamente não tem nada a ver com zona de conforto haha – mas vontade não falta.

    Lembrar os vencimentos das contas é uma skill importantíssima! E entendo como é não saber se expressar direito, também queria!

    beijo! <3

  • Reply Gabriela 19 de setembro de 2015 at 10:09

    Eu estou com 25 anos e uma vontade doidinha de sair de casa. Tanta coisa pra pensar, ler isso faz minha cabeça quase explodir de vontades e ideias.

    Bj!

  • Reply Fernanda Machado 20 de setembro de 2015 at 09:20

    É muito bom sair de casa, mas é difícil também, eu saí com 17 anos, já morei em 8 lugares diferentes e atualmente to no Rio morando numa república rs. Podia ta melhor, mas é o que tem pra agora!

  • Reply Sharoneide 21 de setembro de 2015 at 23:56

    Antes de mais nada: acho bom que a senhorita tenha tirado as teias daqui porque já estava com muitas saudades. Mas o que realmente importa é: amiga, eu tenho tanto orgulho de você. TANTO. Porque eu sempre quis sair de casa, desde muito novinha (e quando eu digo novinha, é novinha mesmo, coisa de 11 anos), mas quanto mais eu crescia, mais improvável isso parecia. Porque se antes eu achava que ia ter a vida toda no lugar aos 18, hoje eu não tenho a mínima ideia de quanto vou ter alguma parte da minha vida no lugar e afinal, como é que a gente sai de casa se não tiver nada, nadinha, no lugar? Não a vida inteira, mas só um pouquinho, que seja. Então eu fiquei parada no meu canto, também porque não tenho como ir muito pra frente agora, mas meio abraçando a perspectiva de passar uns bons anos na casa da minha mãe, mesmo depois de formada, mesmo depois de ter as coisas mais ou menos no lugar. Só que quando eu te vi batendo asas e voando pra longe do ninho, eu percebi que isso não era só um movimento natural da vida, mas algo que a gente podia sim. Você me fez, de certa forma, ter mais fé nisso e, consequentemente, mais fé em mim. Vai dar tudo certo, ainda que às vezes fique meio errado, e eu mal posso esperar pra conhecer seu ninho.

    te amo muito <3

  • Reply Fran 23 de setembro de 2015 at 10:27

    Esse post me deu até siricutico porque, nossa, como tenho vontade de sair de casa e como tenho surtado a cada possibilidade que falha. Faço das palavras da Ana, as minhas. Como a gente sai de casa se não tiver nadinha no lugar? Ainda assim, também foi um post que renovou meu coração de novas esperanças <3

  • Reply Letícia 8 de outubro de 2015 at 10:01

    Pah! Hoje resolvi deixar minha declaração de amor aqui para espalhar para o universo o quão grata eu sou por dividir essas experiências com você. Saímos da casa dos pais e construímos a nossa casa, com o nosso jeitinho, temperada com o seu bom gosto e com a minha bagunça.
    Vai chegar o dia que você vai voar para mais longe, mas enquanto isso aproveito para te apertar bastante.
    Que sejamos sempre infinitas em tempo integral!

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