Pessoal

Aquilo que eu sempre soube

Aos sete ou oito anos de idade, enquanto brincava com minhas Barbies meticulosamente penteadas e vestidas (tirando pelos sapatos, que eu sempre perdia) nos móveis de plástico que ocupavam todo o escritório lá de casa, uma preocupação assustadora surgiu do nada na minha cabecinha: e se eu e todo mundo que eu conhecia fossemos bonecos, em um grande universo de mentira e tivesse alguém gigante e invisível controlando tudo o que eu fazia?
Pois é, naquela época remota ainda não existia The Sims, mas o princípio é o mesmo. A única coisa que se tornou mais alarmante depois que os sims entraram na minha vida foi que agora eu tinha uma explicação para que eu não pudesse ver as mãos gigantes que controlavam os meus movimentos.
Você pode até taxar minhas ideias de absurdas, e dizer que o simples fato de que eu estava pensando aquilo já seria prova de que não existia nenhum “gigante” controlando as minhas ações, mas minha preocupação foi exatamente o inverso. Como eu poderia ter certeza de que as Barbies não tinham pensamentos e sentimentos iguais aos meus? E isso sempre fez com que eu cuidasse muito melhor de todos os meus brinquedos. Pelo menos aqueles antropomórficos.
Voltando ao assunto, vocês devem imaginar que ao dar de cara com essa reportagem: “Físicos encontram evidências de que realidade pode ser uma mera simulação virtual“, eu só posso ter sentido uma espécie de prazer sádico por possivelmente ter estado certa o tempo todo. Sádico porque eu sei que essa informação deixaria muita gente em pânico.
Mas não se apavorem, coleguinhas. Além de ser só uma teoria, a hipótese nem seria tão ruim assim. A bem da verdade, seria extremamente indiferente. O que mudaria na sua vida se você descobrisse que tudo isso é verdade? Na minha opinião, absolutamente nada. Você continuaria a ser e fazer exatamente o que sempre foi e fez toda a sua vida. Mesmo porque você não teria muita escolha quanto a isso. A única diferença é que finalmente teríamos respostas para algumas daquelas “perguntas fundamentais” da vida que até hoje ninguém conseguiu responder.
Além do que, existem coisas piores do que descobrir que somos todos sims. Por exemplo? Melhor que viver dentro da Matrix. Ninguém estaria tentando controlar nossa mente para nos usar ou algo assim. A não ser, claro, pela parte desagradável de saber que alguém pode estar causando propositalmente as suas desgraças e rindo delas. Ou não. Eu sou bem dessas que sempre se apega aos sims e quer fazer o melhor deles, por que o nosso “Watcher” (só os fortes entenderão) não pode ser assim também?
Vou parar por aqui, ou corro o risco de entrar em uma discussão sobre Deus que não é meu objetivo no momento, apesar da forte conexão entre os assuntos. Quem sabe outra hora.
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8 Comments

  • Reply Alessandra Rocha 25 de outubro de 2012 at 19:55

    Palominha… ante de tudo amei o visu do blog! Sei lá quanto tempo faz que tu mudou, mas achei muito amor! E quanto ao seu post… pior que eu até acredito nisso sabe? E pode até ser que esse watcher (não entendi) seja Deus, mas né? Porque tem horas que ser um Sim é a única coisa que explica uns ocorridos na nossa vida.

    Mas que é loucura, é rs

    :*

  • Reply Ana Luísa 25 de outubro de 2012 at 22:16

    Ai Palo, sabe que eu vivo pensando nisso? Passava horas jogando The Sims, e depois pensava que podíamos ser meros The Sims também, me dava aflição, mas de fato, não muda nada mesmo, apesar da ideia me deixar arrepiada.
    Falando de assuntos ‘parecidos’, como você mesma disse, eu sempre me arrepiava naquela música que tocava na abertura do clone, sabe? Que falava: “dançamos a dança da vida, no pouco do tempo, teatro de Deus”.
    Beijo!

  • Reply A felicidade é um estado de espirito 26 de outubro de 2012 at 12:44

    Palominha a sua imaginação funciona como o fantástico mundo de Bob… que texto heim amiga? Você por acaso andou lendo blackout do Marcelo Rubens Paiva? Adoro essa profundida de pensamentos que você lança nos seus posts.. Xero bem grande!!!

  • Reply Gabriela, 27 de outubro de 2012 at 01:41

    Bom, se isso fosse realmente verdade eu ficar super aliviada. Muitas das minhas perguntas seriam respondidas e eu viveria mais tranquila.

    Beijo.

  • Reply Flá Costa * 27 de outubro de 2012 at 14:17

    gataaaa sei que o seu post é muito mais profundo do que isso, mas a grande verdade é que sei exatamente como é acreditar piamente que os seus brinquedos tem sentimentos. eu realmente achava que eles tinha vida própria e tal, meio como toy story mostrou. loucura né?

    quando eu assisti mattrix meio que pensei nisso tudo que você colocou no post, de sermos controlados e tal, mas eu tinha um medo disso! tomara que seja só ilusão né?

  • Reply Mayra 1 de novembro de 2012 at 20:57

    Ótimo texto!!! Também smepre penso nisso e me arrepio com a simples ideia de talvez viver em um Matrix! Deve ser terrível! Mas seria legla descobrir que de fato há alguém que controla tudo, pelo menos eu ia saber em quem colocar a culpa pelas desgraças da humanidade! hahaha
    Abraços!!!!!

  • Reply Cih 3 de novembro de 2012 at 22:30

    Confesso que essa questão me deixa assustada, na verdade com medo mesmo, tudo que envolve mistérios á cerca da vida ou da morte me deixam assim, então tento não pensar muito, mas se vivemos realmente dessa forma, me sinto como se tudo sempre tivesse sido uma mentira, né não?
    Beijos

  • Reply Nina 12 de novembro de 2012 at 13:27

    Eu li essa reportagem, mas simplesmente decidi levar na esportiva e não me preocupar com teorias. porque não passam disso: teorias. Crenças, simulações da opinião de um grupo de indivíduos. Não é comprovado.
    Ontem assisti Matrix pela primeira vez, te juro. Achei a perspectiva do filme bem próxima dessa matéria. Inspiração alheia mandou lembranças.
    Sugiro que você leia “Blecaute”, do Marcelo Rubens Paiva. Parece com o início do seu texto. E é um livro divertido, acima de tudo.
    Abraços.

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