Pessoal

As vantagens de ser formada em direito (para escritores)

Mais de uma vez nessa vida já me disseram que se eu quero ser escritora, devia ter cursado letras. Tive um amigo que até disse que eu devia ter feito letras porque eu leio — livros.

Eu acho até que teria gostado bastante de cursar letras. Por que não fiz isso? Porque na minha cabeça (naquela época), quem faz letras vira professor, e eu não achava que levava jeito para a coisa — se eu já queria matar meus colegas de tchurma, imagina o que eu ia querer fazer com os meus alunos.

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Não fiz letras, e fui fazer direito (quem vai entender?). Não que eu tenha desistido de ser escritora, muito pelo contrário. Inclusive, o que eu mais faço no trabalho hoje em dia é escrever. Se minha carreira artística não deslanchar, a última coisa que eu vou poder culpar é a falta de prática.

Antes de entrar na faculdade, nunca tinha me tocado do fato de que escrever e a área do direito têm absolutamente tudo em comum. Foi só durante a faculdade, quando eu escrevia sobre livros no Bibliotequismo e comecei a pesquisar ocasionalmente sobre a vida de alguns escritores, que eu me dei conta como as duas coisas estão entrelaçadas.

Clarice Lispector, Jorge Amado, Fernando Sabino e Rubem Fonseca estudaram na mesma faculdade que eu (Vinícius de Moraes e Gracyanne Barbosa também se formaram lá, só pra constar). Gabriel García Marquez começou a faculdade de direito, mas não chegou a se formar. José de Alencar, Lygya Fagundes Teles, Hilda Hilst, Monteiro Lobato, Olavo Bilac, Castro Alves, Bernardo Guimarães, todos tinham a mesma formação que eu. Minha amiga famosa Deyse Batista também está nessa lista.

Acabei colecionando esses nomes como hobbie, para lembrar sempre que às vezes só parece que estamos um pouco fora do caminho, quando estamos bem no meio dele.

O que importa é que, sem querer, eu acabei escolhendo a profissão que mais me empurrou para a escrita, sem chegar ao ponto de matar a diversão transformando a escrita em obrigação. No direito, a escrita não é um fim, é um meio. Mas está lá pra ficar.

Sem trabalhar diretamente com a indústria criativa, eu exercito minha criatividade todos os dias. Eu preciso não só escrever com clareza e argumentar bem, como muitas vezes tenho que descobrir a lógica de pontos de vista que não são meus e não fazem o menor sentido pra mim. Quase tudo o que eu escrevo no trabalho, começa com uma historinha inspirada em fatos reais. Enquanto eu ganho o pão nosso de cada dia, ganho também experiência, e isso impacta a minha escrita de um milhão de formas fundamentais.

Já cansei de dizer que direito não é minha praia, e mantenho tudo o que eu digo. Mas eu vivo a minha vida jogando o jogo do contente (sempre que humanamente possível) e, além de todo o resto que eu aprendi lá, a FND também merece estar nos agradecimentos do meu primeiro livro (que um dia sairá, espero eu).

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Durante esse mês de abril, estarei eu participando do BEDA (blog every day in april), o que significa que todo dia tem post saindo do forno pra vocês. Me amem.

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8 Comments

  • Reply Alessandra Rocha 6 de abril de 2015 at 18:07

    Incrível né Palo? Acho Direito uma coisa foda, inclusive foi uma das minhas profissões dos sonhos quando criança… hoje em dia acho que todo mundo deveria estudar pelo menos um pouquinho porque Direito dá toda uma perspectiva diferente da vida e da sociedade. Design não é mesmo a minha praia, inclusive me peguei considerando fazer Letras num futuro próximo, mas é uma idéia que eu quero amadurecer!

    Amando seu BEDA! Beijo <3

  • Reply Analu 6 de abril de 2015 at 22:41

    Amiga, tem umas cadeiras de direito que eu tenho muita vontade fazer na vida – mas só algumas, hahaha. E acho que toda matéria teórica pode ajudar um tanto nessa nossa vida de escrita. Ainda vamos ler os livros umas das outras e fazer muito sucesso juntas fervendo por aí porque seremos famo$as e rycas amém.
    Te amo! <3

  • Reply Gab 7 de abril de 2015 at 00:36

    Qualquer curso na vida que incentive a criatividade e a prática da escrita é válido. Nossos livros vão sair um dia e ai vai ser tão incrível! To contando as horas já! hahahah
    Te amo! <3

  • Reply Xará 7 de abril de 2015 at 11:17

    Fui dessas que até teria curtido cursas letras, mas desisti porque não queria ser professora direito nenhum. Aí que eu descobri que eu também poderia ser mais uma porção de coisas, inclusive revisora de texto, e fiquei absurdamente tentada a mudar de curso (de novo) porque acho que revisar textos seria minha profissão dos sonhos. Vida que segue. Direito eu realmente nunca quis. Peguei umas poucas matérias quando ainda fazia contabilidade, porque eram obrigatórias e tal, e foi o fim pra qualquer esperança que eu tivesse de curtir a área. Mas nunca parei pra pensar que ela contribuísse tanto pra essa vida de escrita e, olha, achei sensacional? Continuo aqui firme na comunicação, mas quem sabe eu não dou um pulinho na faculdade de direito só pra ver de qual é, né?

    beijo! <3

  • Reply Lilica 7 de abril de 2015 at 13:48

    Palo acho Direito uma carreira incrível. E acho também que todo mundo que se forma em Direito é inteligente pra caramba! Logo você é uma pessoa inteligentíssima pra mim! Espero que seu amor pela escrita nunca acabe e, quem sabe um dia, você possa ter uma obra sua sendo vendida por aí. Mas por ora sei que se eu me meter em encrenca, tenho pelo menos duas advogadas incríveis para me defender! 😀

    Love,

  • Reply Ana 9 de abril de 2015 at 10:38

    Acho que a gente tem algumas coisas em comum. Direito não é lá minha praia. Quer dizer, é, mas não é, sabe? É algo que eu não me importo em trabalhar. Acho uma área tão básica que Constitucional deveria ser ensinado na escola (pra evitar gente falando bobagem mais tarde, risos). E é uma área ampla. Comecei a fazer as práticas esse semestre e cada semana, a cada caso novo, eu sofro um pouco pra colocar a cabeça pensar. Depois que engrena, vai. Mas existe todo um preparo, né? E é uma área que trabalho faz quase quatro anos.

    Em compensação nunca tive ideia de ser escritora ou algo nesse sentido. Acho minha escrita muito básica e batida, então nem me estresso com isso.

    Beijos!

  • Reply Allen 11 de maio de 2015 at 23:13

    Eu faço Letras e leio/escrevo menos do que deveria. Acho Direito um curso belíssimo, mas não é minha praia. O que vale é ter contato com a leitura e a escrita e não parar. Sabe o que é legal também? Querendo ou não você acaba conhecendo várias histórias normais ou absurdas e isso pode ser de enorme ajuda pra sua carreira na parte de criação. Quem sabe uma dessas histórias não te inspira?
    Boa sorte: na carreira, nos seus projetos e na vida.
    http://umaallien.blogspot.com.br/

  • Reply Brenda 12 de maio de 2017 at 13:52

    Estou cursando Direito (no primeiro período ainda) mas meu sonho é ser escritora. Tinha medo de fazer Letras porque não queria/quero virar professora, mas eu não estou aguentando mais o meu curso. Eu batalhei muito pra conseguir uma bolsa na faculdade (passei pelo enem) mas agora estou pensando seriamente em mudar, mas ao mesmo tempo tenho medo de me decepcionar com outra área. Não sei o que fazer! 🙁

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