Pessoal

Brinquedo novo

De volta. Parece que agora eu vou ser presença franqüente aqui. Parece criança com um brinquedo novo, só espero que as semelhanças parem por aí e eu não acabe guardando isso num canto escuro e cheio de pó como eu fazia com os brinquedos. Todo brinquedo novo um dia vira brinquedo velho, sem graça. Por isso que eu nunca liguei quando chegava o final do ano e minha mãe vinha falar que era hora de arrumar o armário, para tirar as roupas que não cabiam ou que eu simplesmente não usava, os brinquedos e jogos que estavam lá esquecidos. É incrível a quantidade de bonecas por ano que você ganha nessa idade, nem tem como se importar com o “escolhe duas e o resto vai” da mamãe. Eu tive muita sorte, quantas crianças podem dizer isso hoje em dia? Coisas do tipo eu tive muitas bonecas e brinquedos, ou todo ano minha mãe sentava comigo e a gente arrumava o armário e decidia juntas o que ficava e o que ia, ou simplesmente eu doava as coisas que não me serviam mais, ou que serviam e eu até gostava, mas nunca usei, porque elas seriam úteis para outras pessoas. Mas a parte boa dessa última coisa não é falar, é que eu realmente me sentia bem com isso, me livrar do peso que estava me segurando. Eu não precisava de tudo aquilo, mas alguém precisava; eu não sabia bem explicar, mas eu sempre senti.

Estava assistindo o jornal ontem de madrugada, e novamente hoje de manhã, e vi (no mínimo essas duas vezes) que o Bill Gates resolveu pendurar os chinelos e que ele agora vai se dedicar à sua fundação de caridade. É legal ver isso de vez em quando por aí. Ele é o segundo cara mais rico do mundo, não precisa mais trabalhar, ele e não sei mais quantas gerações depois dele já têm o sustento garantido, nada mais justo, mas mesmo assim difícil e muito bom de se ver, que ele vá se dedicar aos outros pessoas que são o completo oposto dele e por iso mesmo precisam de ajuda. Mesmo as pessoas que não têm tanto quanto ele, que não um centésimo do que ele tem, podiam tirar um pouco do tempo, uma horinha do fim de semana, para brincar com as crianças de um orfanato, destribuir sopa na rua, ou doar cinco reais por mês para aqueles que precisam mais. Porque a verdade é que todos sempre achamos que precisamos de alguma coisa, coisas completamente desnecessárias, só pelo simples prazer de ter. Mas para pessoas que realmente precisem daquilo, mais do que todos nós podemos imaginar, quem sabe o mundo não seria só um pouquinho diferente, quem sabe algumas coisas não seriam um pouquinho, bem pouquinho, menos piores?

É isso que eu me pergunto às vezes, mas falar é uma coisa, fazer é outra.

Texto postado originalmente no Uol blog.
Previous Post Next Post

You Might Also Like

No Comments

Leave a Reply