Pessoal

Cada coisa em seu lugar

Algumas pessoas nascem para ensinar, algumas nascem para dançar, algumas nascem para ser advogados, médicos, jornalistas. Aparentemente o consenso geral é que todo mundo nasceu para fazer algo, tudo tem seu lugar e sua razão de ser no mundo. Mas o que eu me pergunto mesmo é se existe alguém que nasceu para não fazer nada.
Talvez você tenha entendido errado. Não quis dizer uma pessoa que tenha nascido para ficar com a bunda no sofá, controle remoto em mão, vendo a vida passar. O que eu quero dizer é uma pessoa sem dom, sem inclinação, sem paixão por nada. Alguém que possa fazer qualquer coisa, sem nunca “se encontrar”.
Isso com certeza seria algo triste, mas talvez ainda fosse melhor do que viver insatisfeito na certeza que em algum lugar no mundo existe alguma coisa que tem potencial para te fazer realmente feliz. Pode ser varrer o chão, pintar telhados, trabalhar no circo. Qualquer coisa. Mas talvez esse “qualquer coisa” seja exatamente o problema.
“Qualquer coisa” é um conceito muito amplo para que se experimente tudo. Além disso, é difícil acreditar que um advogado de sucesso, programado para acreditar que importantemente mesmo nesse mundo é dinheiro, de uma hora para outro resolva largar tudo para catar latinhas, ainda que descubra que é isso mesmo que o faria feliz. A não ser, é claro, que essa pessoa sofra uma experiência de quase-morte ou tenha uma súbita epifania hollywoodiana.
A alternativa é aceitar que algumas pessoas nasceram destinadas (se você acredita nessas coisas) ou geneticamente programadas (se não acredita) para serem infelizes e frustradas pelo resto de suas vidas. E isso é que realmente não parece justo. E eu não gosto de “injusto”.
No fim das contas, eu não sei qual das hipóteses é melhor. Uma exige coragem demais. A outra exige resignação demais. As duas são qualidades difíceis e raras, quando não se vive dentro de um livro. Talvez eu colocasse a culpa de tudo no pensamento da sociedade contemporânea e na forma que as crianças são criadas hoje em dia, se eu fosse o tipo de gente fora de moda que fala essas coisas. Talvez eu seja.
Eu só acho que a felicidade tem sido um pouco distorcida de uns tempos para cá.
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3 Comments

  • Reply A felicidade é um estado de espirito 23 de setembro de 2012 at 22:29

    Acho que não nasci pra me casar Palominha, já é alguma coisa se todo mundo nasce pra alguma coisa bjs.. adoro seus textos de verdade e fico triste quando você demora a escrever bjs florzinha e até mais.

  • Reply Mayra 26 de setembro de 2012 at 15:35

    Palomitcha meu amor, deve ser um SACO viver sem ter paixão a nada! Sem brincadeira! HAHAHA
    Adoro teus textos <3

  • Reply Nina 2 de outubro de 2012 at 13:00

    O ser humano a tudo se adapta. Eu vim de uma criação literária, muito focada no estudo. Mas poderia ter sido – por exemplo – modelo. Se estivermos falando de condições genéticas, nasci muito magra e cresci muito alta. Todo mundo até hoje diz que eu só não segui a carreira nas passarelas por que não quis.
    Não é bem verdade. Eu tentei. E muito. Mas certas coisas são para não ser. Eu me condicionei a amar os livros. Eu me encontrei, mesmo sem saber que passo devo dar agora. Mas eu me fiz.
    Espero que muitos outros tenham essa sorte.
    Abraços.

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