Pessoal

Complexo de Pigmaleão

Tem uma coisa que está martelando na minha cabeça tem um tempo. É quase uma perseguição a minha pessoinha. É esse negócio de a história de Pigmaleão continuar se repetindo o tempo todo na ficção (e quem sabe na realidade). É como se a gente nunca cansasse de ver o criador se apaixonar pela criatura de novo e de novo das mais variadas formas e jeitos. É como ouvir todo o dia a mesma histórinha.
Não é que eu não goste. Os grandes mestres conseguem colocar as coisas de tal modo que fica realmente muito romântico e muito difícil de não gostar. O que incomoda é que, quando você pensa bem, não é uma história de amor tão bonita assim.
O amor como eu o idealizo independe dos defeitos. Ele existe apesar deles. Não precisa ser cego, mas é complacente. É justamente aí que está a beleza dele. A capacidade de aceitar as diferenças e de se doar a despeito delas. Não tentar consertá-las.
A ideia de se apaixonar por uma coisa que você mesmo criou, para mim parece uma das maiores odes à intolerância. Se uma pessoa é exatamente como você quer, qual o mérito desse amor? Nenhum, eu digo. É como se uma parte fosse uma criança, e a outra a massa de modelar. Por um tempo, tudo é lindo, e então – quando algo dá errado – você taca a massinha na parede e parte para outra.
Se apaixonar por alguém que você mesmo criou, moldou ao seu bel prazer, para mim não é amor. É comodismo. É medo de enfrentar o diferente. Existem histórias muito mais bonitas que essa.
Em breve tem meme para nós! Esperem por mim.
Previous Post Next Post

You Might Also Like

1 Comment

  • Reply Laís 3 de maio de 2011 at 22:24

    Não tinha parado para refletir sobre esse ponto e até que faz sentido. Bem, o meu caso não cai na sua crítica, uma vez que o garoto que eu gosto é bastante diferente de mim… Mas ao mesmo tempo me completa. Deve ser por isso que dá certo e é bom hahaha

    Beijos ;*

  • Leave a Reply