Pessoal

Contagem regressiva

Uma semana, míseros sete (para falar a verdade oito) dias para eu abandonar, forçadamente, é claro, minha amada liberdade e voltar para aquele sinistro lugar, maquiado de flores e paredes azuis, chamado escola. Tempestade num copo d’água, é claro. Muitas coisas são piores que a escola, mas mesmo assim a tristeza de ter que dar adeus às férias e passar as belas horas da manhã (e agora também duas vezes por semana à tarde) trancada em uma sala, de janela escuaras e fechadas, com aproximadamente cinqüenta pessoas que em sua maioria não estão ali para isso, e nem tem planos de ser legais, ou ao menos tentar conhecer você antes de partir para o ataque, e mais outras pessoas que passarão horas e horas em pé na minha frente tentando enfiar ‘conhecimento’ garganta abaixo de todos nós. Claro que isso é um esforço completamente inútil, a única coisa que ajuda na hora da prova é nossa enorme e inata capacidade de memorização e enrolação (uma simples tarefa de reescrever o enunciado e fazer o professor pensar que você lembra do que ele disse em sala). Mas a realidade é que nada que eu diga, mesmo que eu tente convencer meus pais que nós, pobres crianças inocentes, somos submetidos todos os dias a sessões de lavagem cerebral por pessoas crueis e sanguinárias, o que não é de todo verdade, vai impedir que eu volte para aquele lugar ao raiar do dia 19, terça-feira, reencontre os colegas e amigos que eu não vejo desde novembro, conhecer os professores novos (que em sua maioria não são tão ruins assim) e até aproveite isso. Sendo essa última a parte mais assustaora de todas.

A maior verdade é que sempre fazemos maior alarde que o problema, e, por mais que eu ame de paixão e aproveite cada segundo das férias que eu tenho a oportunidade de não fazer absolutamente nada, chega um momento que eu tenho que me mexer e fazer algo. Se minha vida fosse férias eternas eu acabaria enjoando, de qualquer jeito. Que venha o segundo ano! Eu não tenho medo de você, mesmo. Ano que vem vai ser pior, e ainda soma-se a isso que eu tenho agora um ano somente para decidir o resto da minha vida. É ou não é pressão?

Ah, fingindo que eu não mudei completamente o assunto, queria aproveitar para agradecer ao Breiller, o anjo da semana no Big Blog Brasil, pela imunização.

Texto postado originalmente no Uol blog.

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