Pessoal

Culpa da genética

E as aulas estão aqui de novo, pra variar bem longe de como eu tinha imaginado. Os colegas de turma totalmente inconscientes da minha presença no mesmo planeta; o que é uma coisa não só boa, mas ótima. Os professores são pessoas bem legais. Eles parecem saber tão mais que eu, entendem o que eu quero dizer? Não só sobre a matéria. As pessoas que estão me dando aula esse ano são tão mais velhas, passam aquela sensação de experiência, como se eles soubessem de tudo. Eu sei que isso está bem longe de ser verdade, mas acho que em parte foi isso que sempre me assustou com relação a eles. Ou talvez seja o fato de eles terem coragem de passar a vida deles, todos os dias, em frente a tantas pessoas, sem a menor vergonha ou nada, porque eu acho que não conseguiria fazer algo assim. Isso me leva a uma coisa que está me deixando um pouco com medo de mim mesma por esses dias. Eu tenho andado tão… ‘sem vergonha’. Não sem-vergonha no sentido atualmente atribuido à expressão, o caso é que, apesar de eu continuar ficando com as bochechas da cor de tomate o tempo inteiro e por nada, eu não sinto mais tanta vergonha, não ligo pras brincadeiras bestas dos garotos da condução, converso o tempo todo e tenho até falado com gente que eu nunca vi na vida, coisas que eu nunca imaginaria fazer por conta da minha mega anti-socialidade.
De repente me veio à mente uma pergunta besta. Por que tem gente que nasce tão ‘sem vergonha’ e gente que nasce tão ‘com vergonha’? Claro que o mundo é altamente intimidador, e mesmo que a pessoa não se importe, é certeza que todos os dias da sua vida, no exato momento em que você põe os pés na rua as pessoas já começam a te olhar e fazer comentários a seu respeito. Foi o que conversei com duas gentes hoje no recreio (só pra esclarecer, no meu vocabulário ‘gentes’ equivale a ‘pessoas’), na verdade o tema era por que nós prestamos atenção nas roupas dos professores. A conclusão simples e lógica a que qualquer criança chegaria foi que é porque todos os alunos têm que usar uniforme, por conseqüencia só nos sobram como alvos nossos queridos e inocentes mestres. É a natureza do ser humano, seja pra falar bem ou mal, sendo a esmagadora maioria dos casos na segunda opção, todos têm que fazer comentários, mesmo que isso não seja relevante para você e não influa na sua opinião final sobre a pessoa. Todos fazem observações, e como segundo o livro de sociologia ‘o ser humano é um ser social’, também não deixamos de fazer comentários. Deve ser (d)efeito de algo na nossa genética, mas não dá pra encarar tudo pelo lado ruim, nós também não teriamos todas as informações e características que temos se não fôssemos capazes de observar o meio a nossa volta, mesmo que isso leve a coisas menos agradáveis, como a fofoca, que como todo mundo sabe consiste em exatamente o que eu expliquei aqui.
Estou feliz hoje! Amanhã eu vou ver meu avôzinho que é desnaturado e estava longe da família, vou dormir até finalmente ter descançado tudo o que precisava e se sobrar tempo talvez até faça os trabalhinhos que alguns dos meus queridos professores passaram para casa. Ah! Doce magia do fim-de-semana, pena que daqui a algumas semanas vão capturar meus sábados também. Melhor parar por aqui, quem morre de véspera é peru.
E agora antes de ir só faltou agradecer a Érika, um pouco atrasada, é verdade, pelo anjo dessa semana que acabou no Big Blog Brasil, e aproveitar para dar parabéns por ter passado pelo paredão ilesa!
Texto postado originalmente no Uol blog.
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