Pessoal

De gênio e louco

Já dizia o velho ditado, de gênio e louco, todo mundo tem um pouco. Mas alguns têm mais que outros. 
Antes de qualquer crítica, digo que enquadro na categoria ‘louco’ todo portador de doença mental e funcionamento cerebral dissonante, não só aquele clássico maluco beleza. E, vamos combinar, como ninguém é igual nesse munto, todo mundo tem pensamento dissonante, do que decore que todo mundo só pode ser louco e ninguém pode ser considerado normal (acompanharam o raciocínio?).
De qualquer forma, uns meses atrás li uma matéria no site da revista Super Interessante sobre um estudo que descortinou a ligação entre criatividade e transtornos psíquicos. Uma força cósmica trouxe à minha atenção agora há pouco um artigo sobre essa mesma matéria, publicado no site Literatortura. Porque sou intrometida, resolvi fazer meus comentários também.
Não estou aqui para confirmar ou negar fatos científicos — nunca fiz e muito provavelmente nunca farei nenhuma pesquisa empírica sobre o assunto — tudo o que exporei aqui é só a minha opinião.
Ninguém pode negar que artistas são uma classe de pessoas muito mais sensíveis que o resto das pessoas. Eles sentem muito mais profundamente, tanto o que acontece com eles mesmos quanto o que acontecem com as pessoas ao redor. Eles conseguem reproduzir por meio da imaginação sofrimentos e dores que nunca sentiram, e que outras pessoas na mesma situação conseguem apenas imaginar, supor. Se isso não é uma causa plausível para transtornos psicológicos, eu não sei o que é.
Além disso, se criatividade e esse tipo de transtorno têm morada no mesmo lugar, leia-se, no cérebro ou, se preferirem, no espírito, seria tão absurdo assim cogitar uma ligação entre eles? Pode ser por estarem ligados a uma mesma parte/função do cérebro, por um dar causa ao outro, ou pelo outro dar cauda ao um. No fim das contas, não importa. Só estou dizendo que pode ser.
Não bastasse tudo isso, não é novidade que o estado de espírito pode influir até mesmo nas condições físicas de uma pessoa (googlem “doenças psicossomáticas”). A própria tuberculose já foi identificada como a “doença dos artistas”, tendo sido a causa da morte de inúmeros integrantes da classe, entre eles Álvares de Azevedo, Casimiro de Abreu e Manuel Bandeira. Muitos apontam o pulmão como órgão ligado à tristeza, à melancolia. Tuberculose é uma doença do pulmão. Deixo para vocês o resto do exercício de subsunção.
Enfim, o estudo pode estar certo, assim como pode estar errado. Eu não sou qualificada para atestar um fato ou o outro. Eu acredito que essa ligação exista, mesmo. Afinal, além de todos os artistas que lidam com suas doenças sem chegar à beira do abismo, acho difícil acreditar que todos aqueles que cometeram suicídio se deixaram levar apenas pela “poesia” da coisa. No fim das contas, cada um é cada um, com sua própria opinião. Sintam-se livres para discutir.
Opinião dada. Hora de dormir.
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