Pessoal

Diário da mudança – Parte 2: a loucura começou cedo

Ou à procura do apartamento perfeito
Ou essa vida de adulto não é fácil
Ou como eu aprendi a falar no telefone aos 22 anos de idade

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Então eu decidi me mudar, e a partir daí tudo virou um grande borrão na minha vida. Tudo porque eu levei uma infinidade de tempo pra resolver minha vida na minha cabeça, o que me deixou com pouquíssimo tempo pra resolver minha vida na prática.

Em uma semana fizemos uma maratona de visitas a apartamentos, escolhemos the one, troquei o nome do blog (sim, tem relação) e chegamos na parte enrolada.

Lidar com gente, meus queridos, não é fácil.

No dia seguinte à visita, corremos como o vento e levamos todos os documentos na imobiliária para fazer nossa proposta, preenchemos uma porcaria de uma ficha imensa, e esperamos. E esperamos, e esperamos, e esperamos. “Quarta-feira vocês têm uma resposta,” eles tinham dito. Quarta-feira e três telefonemas para a imobiliária depois, de fato tivemos uma resposta, meio atravessada.

Mais documentos levados no dia seguinte. Resposta quando? Segunda. Mas espero que vocês tenham recebido alguma resposta segunda, já que eu não recebi. E lá se foram mais cinco telefonemas e uma boa parte dos minutos da minha franquia de celular, para – terça – conseguir uma resposta. E a primeira treta.

Quarta-feira, lá fomos eu à imobiliária de novo, resolver a treta. “Te ligo amanhã,” ela me disse. Mas aparentemente o amanhã dela é tão literal que ele nunca vira hoje. Mais cinco ligações em um dia. E eu comecei a desconfiar que o telefone da imobiliária é daquele estilo pai de santo, sabe qual é? Chico Xavier, o telefone só toca de lá pra cá e essa história toda.

Sexta-feira estava eu decidida: vou ligar praquela caceta de uma em uma hora até eles me dizerem algo que se aproveite. Lá pela quarta ligação a coitada da Edna nem quis mais me atender, mandou um sujeito qualquer me dar a resposta e me mandar buscar o contrato lá segunda 11h da manhã.

E segunda 11h da manhã lá estava eu, linda, feliz e inocente. E é claro que o contrato não estava pronto.

Fica aqui um parêntese: o contrato não é um documento original, ultra elaborado e de mil páginas, ele segue um modelo que eles provavelmente usam todos os dias, e que só precisa da alteração de alguns dados – coisa que qualquer idiota faria em cinco minutos.

Ao invés de fazer em cinco minutos, pegaram meu e-mail e prometeram me enviar Hoje Mesmo. “Hoje Mesmo?”, “Hoje Mesmo”. (E não vou nem comentar o fato de eles terem me feito ir lá de novo se existia a opção de me enviarem aquela caceta por e-mail). Só que Hoje Mesmo é outro conceito subjetivo, né pessoal. E no meu Hoje Mesmo minha roomie ligou pra lá duas vezes, e no Hoje Mesmo deles eles iam entregar o troço amanhã às nove e meia.

Amanhã às nove e meia virou hoje até às dez. Só que 10h da manhã depois de duas semanas de enrolação foi o prazo exato em que a minha paciência acabou, e liguei eu pra lá trabalhada no barraco (mas com voz educada, porque sou uma lady), baixando um belíssimo esporro no infeliz que aparentemente não tem as palavras “profissionalismo” e “responsabilidade” no dicionário. “Onze Horas Sem Falta,” ele jurou. E vocês já sabem o que aconteceu, né? Exatamente, nada.

Letícia, liga pra lá que eu não suporto mais. Letícia liga pra lá e fica na espera porque o sujeito ficou doído do esporro que levou e não quer falar com a gente. I can’t believe I live in this world. Resolveu uma moça atender a ligação que o bonitão não queria atender, e garantiu que se aquela porcaria não estivesse pronta até 12h, ela mesma pegava e fazia.

A essa altura eu (como você, provavelmente) não esperava mais nada de ninguém nessa vida. E então 12:04 (comprovando minha teoria de que qualquer idiota fazia isso em menos de cinco minutos) eu recebi um e-mail. “Contrato,” dizia o assunto. Aleluia, irmãs.

Essa, basicamente, é a parte interessante da história até agora. Mas como eu não duvido de mais nada nesse mundo, peço que continuem torcendo por mim até eu ter de fato me mudado, porque essa vida de adulto tá tudo, menos fáceo. E nem começou ainda.

Imagem original via.

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6 Comments

  • Reply Analu 27 de março de 2015 at 16:50

    Amiga do céu, me estressei só de ler. Se eu tivesse mais talento pra fazer barraco do que para sonhar com ele, tinha quebrado tudo nessa imobiliária. Pelo amor de Deus, esse mundo dos serviços é um INFERNO. E realmente, LIDAR com gente é praticamente insuportável. Que bom que lidar com A Gente é maravilhoso, né?
    Tô amando acompanhar o seu voo de passarinha pra fora do ninho. Quem sabe não me empolgo?
    Beijos, te amo! <3

  • Reply Alessandra Rocha 27 de março de 2015 at 20:44

    Boa sorte Palooooooo! Eu só tive que viver o drama do contrato de aluguel em Dublin e como o corretor era meio que amigo nosso – um irish sem um dente, mas um amor de pessoa! – era tudo bem certinho e basicamente feito na hora. Uma vez antes dos meus pais comprarem nossa casa atual a gente ia alugar uma casa pro meu avó morar com a gente, passamos por um drama parecido só que pior… Porque os donos não quiseram mais alugar no último minuto e ao invés de avisar a gente ficaram fazendo drama e enfim…
    Pelo menos você acharam um lugar com certa rapidez né? Espero de verdade que dê tudo certo daqui pra frente e que você possa embarcar nessa aventura com tudo!

    Beijos!

  • Reply Carol 28 de março de 2015 at 13:28

    Eu não saberia lidar com isso tudo, chessus. Fiquei aflita por você lendo o texto, até porque eu detesto falar com gente até para pedir pizza. Lidar com burocracia e incompetência então? Passo.
    Espero que dê tudo certo para você aí e te desejo muita boa sorte (e paciência pacas!)

    Beijo!

  • Reply Anna 28 de março de 2015 at 16:08

    Amiga do céu, que odisseia. Eu tenho pavor de lidar com burocracia e com gente, então você imagina que só de ler esse post já fiquei com uma coceira louca de aflição. É uma coisa que me tira do sério mesmo, meu sonho é ser rica e poder ter uma assistente que lide com tudo isso por mim, porque se tem uma coisa triste nessa vida, esse coisa é lidar.
    Mas ó, o que não mata fortalece, e agora você já tá carimbada nessa vida de lidar com a incompetência dos outros, conseguir o que quer num lugar onde ninguém te dar o que quer e, o mais importante, fazer barraco sem perder a classe. <3
    boa sorte com tudo, não vejo a hora de conhecer seu novo lar!
    beijos

  • Reply Thay 28 de março de 2015 at 16:16

    Esse mundo adulto não é fácil mesmo! Parece que tudo o que é simples as pessoas conseguem encontrar um jeito de complicar e nos deixar doidos no processo. E falar ao telefone, então? Eu odiava (odeio), mas tive que me acostumar na marra, visto que boa parte das coisas adultas se resolve por meio dele. No meu mundo ideial tudo se resolveria a base de e-mail – quer coisa mais fácil e simples do que e-mail? Não tem! HAHA, enfim. Fico feliz que tenha conseguido lidar com toda essa burocracia e que no final tenha dado tudo certo para vocês! Que a nova moradia venha com muita boa sorte. Um beijo!

  • Reply Lilica 31 de março de 2015 at 11:53

    Cristo Jesus tô irritada aqui só de ler isso que tô pensando seriamente em ir aí pro Rio pessoalmente para dar umas porradas nessa gente folgada e incompetente. Afe! Tomara que daqui pra frente as coisas sejam mais fáceis para você.
    Acho tão bonitinho você saindo de casa, mas, a Palo que eu lembro, deitadinha encolhida no sofá da Rê, me parece tão pequenininha para morar longe dos pais! Por isso estou feliz com essa revolução e esse crescimento seu viu! Boa Sorte!

    Beijos

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