Pessoal

É muito chato ser chato (ou o desabafo de uma chata)

No momento em que eu me dei conta que a maioria das pessoas chatas não fazem a menor ideia de quão chatas são, eu tive a certeza de que sou uma dessas pessoas. Não sei dizer exatamente o que me deu essa certeza, mas considerando que eu sempre fugi de gente chata como el deablo foge da cruz, achei melhor impor minha presença o mínimo possível, nem que seja só pra provar pro universo que pelo menos nisso eu sou diferente do resto da minha espécie. É importante que vocês entendam isso, porque é um fato muito relevante sobre mim.

Pois é, se parasse por aí eu seria só uma misantropa normal, como todas as outras (?). O problema é que criou-se um ciclo: porque eu sou chata, as pessoas não me procuram (dã); e porque eu não quero ser chata, eu não procuro as pessoas. E com o passar do tempo eu simplesmente acabei perdendo todas as habilidades sociais (se é que algum dia eu tive alguma), ao ponto de não saber nem manter uma conversa normal, e me tornei aquele tipo de gente que diz que tem “poucos amigos, mas bons”, quando na verdade simplesmente não faz ideia de como fazer novas amizades.

Me entendam: quando a conversa tem um tema, eu me viro. Quando o tema acaba, acabou; não sei simplesmente achar outro tema, porque eu sempre sinto que estou insistindo em uma atividade fútil, sem futuro. Porque eu sempre acho que a outra pessoa até estivesse ok com o diálogo enquanto ele durou, e agora só quer ir embora, enquanto a chata fica falando coisas aleatórias que não interessam a ninguém. E eu fico eternamente condenada a conversas curtas, soltas e sem futuro; ou a repetir o mesmo tema eternamente.

Se você me pegar desprevenida com a pergunta mais simples que algum ser humano possa pensar (ao vivo, sem me dar tempo pra respirar e pensar em alguma resposta digna de gente normal) pode ter certeza que vai sair da minha boca a primeira asneira que vier na minha mente. Aparentemente quando qualquer pessoa fala comigo, exceto pelos integrantes de um grupo seleto e incrivelmente restrito, meu sangue esquece de oxigenar o meu cérebro e eu paro de raciocinar como um ser humano comum. Meu coração acelera para tentar compensar, e só piora a minha situação. Aí eu solto minha pérola e corro o mais rápido que a situação permitir, para passar as próximas horas, dias, meses (e em alguns casos, vidas) remoendo minha própria imbecilidade, enquanto você fica achando que – além de chata – eu sou louca e não sei formar frases com sentido.

Conversas em grupo são um caso a parte. Na verdade, vários casos à parte, dependendo do grupo. Em alguns, eu acabo me pronunciando o mínimo possível, para não me envergonhar. Em outros, eu já passei dessa fase e me sinto mais à vontade pra falar minhas idiotices sem pudor. E essas situações se alternam não só de grupo para grupo, mas também dependendo do meio de comunicação.

De qualquer forma, a questão central aqui é que no diálogo um a um (aquele indispensável para uma amizade ou para qualquer outro tipo de relação mais próxima) eu falho cem por cento toda vez. Nessa categoria é que eu fracasso com louvor e continuarei fracassando não importa quantas vidas eu viva. Digo de caso pensado e com firmeza que atualmente existem exatamente três pessoas com quem eu me sinto à vontade o suficiente para conversar sem minhas palmas das mãos suarem, o suficiente para abrir uma janelinha a qualquer hora do dia ou da noite e falar qualquer coisa, sem me sentir incômoda ou julgada, e muito provavelmente você não faz parte delas. Então me desculpem se eu não consigo conceber alguém que consegue sair por saí falando sobre tudo com todo mundo.

Depois de todo esse discurso que não fez o menor sentido (professor de redação do ensino médio me daria zero em coesão e coerência), acho que só me resta procurar um terapeuta para curar esse meu complexo. Eles podem não ter a solução para a chatice, mas pelo menos eu vou aprender a aceitar e abraçar o meu verdadeiro eu (chato).

daqui

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5 Comments

  • Reply Giuliana Motyczka 22 de maio de 2014 at 01:18

    Você não é chata, amiga. Não pra mim. Se você for, eu com certeza sou também. Mas eu te entendo, juro que entendo. Quando era mais nova, tinha uma facilidade incrível pra me comunicar com quem quer que fosse. Acontece que quanto mais anos eu faço, mais essa capacidade some. Foge de mim, aparentemente. E isso é um saco.

    E aqui também acontece a coisa do meio de comunicação. Fico pensando como é que não penso em algumas tiradas ao vivo quando, no Facebook, elas vem automaticamente. Vai entender.

    E você sabe fazer novos amigos sim, passarinha. Ou fui eu que dei sorte, né? Se você realmente não soubesse, nem eu, provavelmente não estaríamos aqui onde estamos, e eu não teria falado um zilhão de baboseiras pra você no wpp e pessoalmente.

    BTW: sdds <3

  • Reply Ana Luísa 22 de maio de 2014 at 14:09

    Amiga, olha, já conheci um tanto de gente chata nesse mundo e te garanto: você não é uma delas!

    A gente tem afinidade (e vontade de conversar sobre tudo) com quem tem, e pronto! E espero que saiba que para qualquer coisa, eu estarei aqui. Sempre <3

    Te amo!

  • Reply Gabriela Couth 22 de maio de 2014 at 14:25

    Estou aqui embasbacada pensando como é que passarinha se acha chata, sos. Chato é o primo de MB, e muitas, muitas outras pessoas nesse mundo! Você é a pessoa mais fofa que eu conheço.

    Hahahah mas imediatamente soube dessas conversas de um pra um. Tenha certeza que você não está sozinha no mundo, amiga!

    E eu quero estar no grupo seleto que consegue conversar só com você a noite inteira, todos os assuntos, e não se preocupa em achar que eles vão ser chatos. Eles não vão! <3

    Amo vc!

  • Reply Brendha Cardoso 21 de fevereiro de 2015 at 13:54

    A gente é, tipo, MUITO parecida.
    Há um tempo eu não me importava muito com o que as pessoas pensariam se eu chegasse puxando assunto e outro e outro. Eu chamava mesmo quem eu tava afim de chamar e respondia quem quisesse, não respondia que não quisesse.
    Até aparecer um chato seguido do outro na minha vida e eu pensar: puts, tô provando do meu próprio veneno, eu sou muito assim. E eu nunca tive coragem de ser grossa com alguém (a não ser que estivesse me incomodando MUITO). Às vezes eu tava sem saco nenhum pra conversar e a pessoa vinha com suas divagações e eu pensava: como eu vou fugir disso? E então eu percebi que eu era uma dessas pessoas que provavelmente só não era ignorada porque a outra tinha pena. A partir desse momento eu parei de chamar as pessoas.

    Hoje em dia.. Passo horas, dias, MESES, sem chamar ninguém (a não ser que eu precise muito e tal). Seja pessoalmente ou no facebook. Não chamo ninguém, só espero ser chamada. Raríssimos os casos que eu chego pra conversar com alguém – e a pessoa tem que ser velha conhecida, íntima, sendo que ainda assim eu me sinto mal. Sinto que tô incomodando. Pode ser só impressão, mas fico com aquela sensação ruim de estar sendo chata.

    Mas, ó, xô te contar. Tu não é chata nem aqui nem na China.
    Embora a gente converse mais por comentários e só sobre Greys, tô aqui pra conversar sobre qualquer coisa.
    Só não te chamo por medo de parecer chata.
    Agora muita coisa faz sentido. UHAUHAUAHU D:

    Beijo!

  • Reply Manual da minha cabeça: volume 2 ◂ Vizinha da Capitu 1 de fevereiro de 2016 at 18:53

    […] do último post no qual eu contei algo muito importante sobre mim, acabei dando de cara com esse artigo na revista exame que me deixou deveras alarmada. O motivo do […]

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