Pessoal

Esse é um texto de transição.

Dia trinta e um de dezembro de 2015, eu acordei relativamente cedo. Fiz faxina na casa toda, mandei e-mails, li. Repassei o ano todo na minha cabeça. Cozinhei a ceia. Às dez da noite, saí de casa acompanhada da amiga e do espumante, e fui parar na pedra do Arpoador. Meu lugar favorito do mundo, bastante frequentado nesse ano que acabava.

Nós não fazíamos ideia do que exatamente iríamos encontrar lá. Os planos se resumiam a sentar na pedra, esperar a meia noite e abrir o espumante. Então tentar captar a vibe do ano-bebê e voltar para casa. Descobrimos quando chegamos lá que podíamos ver os fogos de Copacabana sentadas, sem aperto, junto com algumas dezenas de ilustres desconhecidos que estavam na mesma vibe e fazendo a mesma coisa.

Conversamos, refletimos, assistimos aos fogos, bebemos, previmos o futuro com uvas (agosto especialmente azedo, junho e setembro parecem promissores) e deitamos na pedra para olhar o céu. Dois meninos adolescentes bem aleatórios (Maicon&Maicon) resolveram sentar do meu lado e bater um papo igualmente aleatório. Mais aleatório do que isso, só eu aceitar bater papo com eles. Terminando a noite, teve sete ondinhas, e teve a caminhada de volta.

Ali, na virada, no meio das luzes, teve a sensação de que 2016 vai ser bom.

2015 foi um ano incrivelmente longo. Desproporcionalmente longo para a quantidade de coisas que aconteceu. Se 2014 pareceu um ano de muitos acontecimentos, o que acabou agora foi relativamente escasso. Ou não. Talvez ele só tenha sido tão longo que as memórias já começaram a desbotar na minha mente.

Foi nesse ano que eu ajudei a organizar a despedida de solteira de uma amiga, aluguei um apartamento para a temporada, fiz listas, contas, cobranças. E um mês depois, essa mesma amiga se casou. Mas nada disso reflete a grandiosidade do que aconteceu. E eu sempre acho estranho e insuficiente chamar algumas pessoas de amiga.

Esse ano eu operei, e tempos depois fiquei dois dias trancada dentro de um quarto de hospital. E depois fiquei curada.

Em 2015 eu me martirizei, em dúvida entre duas opções completamente diferentes sobre o que fazer com a minha vida. No fim, escolhi mesmo sem ter certeza, e sei que foi a opção certa porque eu fiz tudo depois para garantir que seria. Então eu peguei minha amiga, aluguei um apartamento, e saí de casa. Uma decisão assustadora em milhões de sentidos diferentes.

No ano que acabou, eu fiz algumas amigas que já estavam na minha vida. Falhei em outras tentativas. Fortaleci algumas amizades. Fiz coisas que nunca tinha feito antes. Desapeguei.

Nesse ano, eu viajei seis vezes, e vivi coisas maravilhosas em todas elas. E no resto do ano, as pessoas viajaram até mim.

Em 2015, eu me senti infinita pelo maior tempo consecutivo em toda a minha vida. Eu me senti adulta (e me surpreendi com isso) algumas vezes, e aceitei o fato de que eu sou mesmo adulta. Tive a minha cota de dias em que tudo que eu conseguia fazer quando chegava em casa era ficar jogada na cama olhando para o teto. Li muito pouco. Assisti pores do sol lindos de lugares diferentes. Fui um pouquinho mais sociável.

Eu tenho a tendência a olhar para trás e enxergar tudo cor de rosa, até as coisas ruins. E é basicamente isso que acontece agora. 2015 teve seus pontos negativos, mas a maior parte deles está incluído em todos os acontecimentos, em todos os ganhos, em todos os minutos, em cada item da lista acima. Cada segundo que se vive é um segundo que se perde, e tudo bem; um segundo não vivido é perdido em dobro.

Nos últimos suspiros do ano, quando eu comecei a tentar pressentir como seria 2016, tudo me pareceu um grande borrão de incerteza e eu tive medo. Não consegui espiar pela fresta da cortina, não consegui nem fazer minha lista de metas.

2016 está aqui, agora. De mãos dadas comigo. E eu não sei se tenho bons pressentimentos ou apenas uma esperança louca. Eu não faço ideia do que vai acontecer, e faço menos ideia ainda do que eu quero que aconteça. Tudo o que eu tenho é ansiedade e uma lista de tarefas, que eu espero que se conectem em algum nível cósmico e me levem a algum lugar. Até lá, estamos aí.

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5 Comments

  • Reply Banana 4 de janeiro de 2016 at 13:00

    Passarinha amada <3
    Eu fui uma das pessoas privilegiadas que recebeu seus famosos e-mails de 31 de dezembro – e nem sentei a bunda pra responder ainda porque sou rudícula. Mas eu te amo muito e foi muito maravilhoso ter você por mais tempo em 2015, espero que isso só aumente.
    Achei linda a sua reflexão, acho belo esse trabalho espiritual seu de aceitar que todas as coisas ruins servem para alguma coisa e então você termina o ano achando que tudo foi lindo porque valeu a pena.
    E que virada mística essa com champanhe e uvas no arpoador! Me leva um dia? Pode ser com morangos?
    Te amo!

  • Reply Leon 4 de janeiro de 2016 at 14:03

    Mana, me abraça! \o/

    Eu tive um ano apertado, complicado em vários sentidos mas prefiro ver com bons olhos, afinal eu ainda tô aqui, não é mesmo? Sobre planos e tarefas pra fazer em 2016 eu não gosto nem de imaginar e me forço a não pensar muito nelas porque minha ansiedade vai fazer elas darem errado.
    Sobre 2015 eu tenho uma coisa que tenho uma pitadinha de inveja de você e da maioria das outras meninas que acompanho: VIAGENS! Esse ano a$ coi$a$ não foram nada fácei$, mas vamo torcer pra que eu consiga umas viagenzinhas do universo.

    beijo

  • Reply Alessandra Rocha 4 de janeiro de 2016 at 18:33

    Amo posts de começo de ano, dá uma vibe tão gostosa de tantas possibilidades e um tico de expectativa. Adorei te previsto o ano com uvas, quero tentar! 2015 foi um ano particularmente ingrato pra mim e tenho vários remorsinhos guardados, mas to procurando seguir em frente e não ser tão azeda… o que é um desafio pra alguém pessimista como eu! Mas a gente segue tentando!

    Que 2016 seja lindo pra ti! Saudadinha! <3

    beijo!

  • Reply Pôdim 13 de janeiro de 2016 at 13:04

    Amiga, você escreve tão bem que eu fico me botinando por não abrir seu blog todo dia hahahahah
    Amei muito o seu texto e retrospectiva. Também (obvio) costumo olhar tudo meio cor de rosa depois que passou, mas 2015 foi muito dolorido em alguns momentos, então não vejo como ~ bom ~, e sim como uma coisa que eu realmente tinha que passar para chegar aqui hoje.

    Não que eu saiba onde é esse aqui hoje, e nem para onde vamos. Mas quero estar 2016 sempre com você, pode ser?

    Beijo, te amo!

  • Reply Sharon 23 de janeiro de 2016 at 13:57

    Eu tinha a leve impressão que já tinha te mimando nesse post, mas aí, como aconteceu muito ano ano passado (e infelizmente continua acontecendo neste, mas já trabalhando pra mudar isso, prometo) descobri que tinha lido, comentado na minha cabeça e depois ido embora. Normalmente não comento em posts mais antigos, mas acho que precisava fazer isso, porque quando penso em 2015, eu tenho uma sensação parecida com a sua, especialmente quando você diz que, em relação a 2014, ele foi um ano que não aconteceu muita coisa, que ele foi desproporcionalmente longo. Mas acho que, ao mesmo tempo, tudo que aconteceu foi muito intenso, muito grandioso, que cobrou demais da gente pro lado bom e pro ruim também, e isso não é necessariamente ruim. Espero de verdade que 2016 seja um ano mais leve, mas que também seja rico em acontecimentos, em viagens, em crescimento. Que a gente se encontre mais (pfvr, não estou aguentando de sdds) e que, independente do que aconteça, a gente chegue no último dia do ano com a certeza de que ele valeu a pena.

    TE AMO MUITO! <3

    P.S: Te depeno inteira se eu não estiver nessa lista de e-mail esse ano (brinks, te amo, mas me mande -emails)

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