Lapa
Pessoal

Fazendo do bar um lar: uma declaração de amor à Lapa

Como cria da Zona Oeste, Lapa não foi um lugar do qual eu ouvi muito falar até entrar na faculdade. Sem meios de locomoção independentes, dependendo de um transporte púbico pavoroso e com 0 interesses em gastar uma fortuna em taxi, eu acabei me criando pela Barra da Tijuca mesmo.

Com 17 anos, comecei a estudar no Centro da Cidade, na faculdade de direito da UFRJ, e foi então que os primeiros rumores desse mundo novo chegaram aos meus ouvidos — mas não muito, porque durante a maior parte da faculdade eu fui uma pessoa calma e caseira, e minhas amigas também eram dessas.

O tempo passou, duas das minhas amigas se mudaram para uma quitinete nesse bairro mítico cercado de mistério (para mim) e aos poucos eu fui descobrindo o universo maravilhoso das festas alternativas da Lapa, dos bares da Lapa, da vida lapeana em geral. Mas a princípio não tanto assim porque ainda era muito longe de casa, uma fortuna de taxi de lonjura nos tempos pré-uber, e muita mão de obra para um ser do meu nível de preguiça.

Então, bem por acaso, no final da faculdade, eu acabei criando laços afetivos especiais com Letícia, atual roomie, uma das duas que moravam por lá, e resolvemos juntar nossas escovas de dente — mas não em um sentido romântico. Nos formamos, enfrentamos a saga de encontrar e alugar um lar, e assim nasceu Edna, o apartamento.

Para quem mora em Marte e não está familiarizado com esse bairro maravilhoso, a Lapa é o centro da vida boêmia do Rio de Janeiro. Existem bares e boates em outros lugares — principalmente na infame Barra da Tijuca e no turistódromo conhecido como Zona Sul –, mas a Lapa é a Lapa.

Muita gente acha a Lapa um lugar muito perigoso. Até eu me mudar, eu também achava; meus pais achavam mais ainda. Mas eu fui mesmo assim porque confiei em Letícia e a lista de prós e contras pareceu dar um saldo favorável. Meu conhecimento do local era quase nulo, mal sabia me localizar, mas eu tinha certeza que tudo ia dar certo. E deu.

Se antes eu achava a ideia da Lapa bem simpática, hoje eu sou apaixonada por aquele lugar. É um bairro que tem o clima intimista dos subúrbios, uma vibe incrível — levemente decadente de um jeito pitoresco, e muito amigável –, todo o tipo de vida noturna — e diurna também — que se pode desejar (em qualquer dia da semana, menos segunda), e ainda fica NO CENTRO. É um pulo de distância da Zona Sul, mas muito mais barato e com um clima bem diferente. É o melhor lugar do mundo.

Nesse ano e cinco meses que moro lá, eu desenvolvi uma conexão emocional com aquele lugar que eu nunca tive com nenhum outro lugar que eu morei (apesar de lembrar com carinho de todos). A Lapa é meu lar. E já apaguei completamente qualquer lembrança do pensamento “é perigoso” que algum dia possa ter ocupado a minha mente. Eu ando aquelas ruas como se fossem o quintal de casa, a hora que for, com ou sem álcool. Eu me sinto segura de verdade ali.

Não garanto que vou morar lá para sempre porque só a deusa sabe por que caminhos a vida vai me levar e eu ainda quero ver muita coisa nesse mundo, mas acho que essa sensação de lar sempre vai estar associada a esse pedacinho de mundo. É muito bacana essa sensação de pertencer.

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5 Comments

  • Reply Thay 3 de agosto de 2016 at 17:31

    Que coisa bonita, Palo! <3
    Nunca visitei a cidade do Rio de Janeiro, mas a Lapa mora no meu imaginário há muito tempo. Claro que a televisão e as novelas ajudam bastante a criar essa mística pro lugar, mas nada como um relato sincero de quem escolheu por lá viver. Fiquei com mais vontade ainda de conhecer!

  • Reply Raphaela Alcantarara 3 de agosto de 2016 at 17:34

    só me deu mais vontade de conhecer essa cidade. Qualquer dia eu ainda vou ai me apaixonar pela Lapa, e ter um caso de amor

  • Reply Plan 4 de agosto de 2016 at 01:07

    Amiga, eu quero tanto, mas TANTO, conhecer a Lapa. Parece o tipo de lugar que eu amaria de primeira.
    Aqui em Porto Alegre a gente tem um ~bairro boêmio~ também. É chamado Cidade Baixa e é maravilhoso. Um dos meus lugares favoritos da cidade e tem justamente as mesmas características da Lapa. Mas, claro, não é o Rio néam 🙁
    Me leva pra conhecer essa beleza, pfvr! <3
    Te amo!

  • Reply Gabriela 6 de agosto de 2016 at 20:36

    Lapa, Praça Tiradentes, Arco do Teles… A gente vai criando um amorzinho pelas experiências que esses lugares nos dão, né? Eu gosto de um sossego, mas quando eu quero bagunça, eu sei exatamente aonde está a MINHA bagunça. Você não sente isso também? <3

  • Reply Bruna Morgan 6 de agosto de 2016 at 20:48

    Faz um post sobre os seus bares e boates preferidos *o*
    Quero me aventurar pela Lapa, mas não sei onde começar.

    ✦ ✧ http://bruna-morgan.blogspot.com ✧ ✦

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