Pessoal

Felinismo – um guia para iniciante

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Eu não nasci uma cat person. Na verdade, eu não nasci nem uma animal person. Quando eu era pequena, tudo o que eu tinha era peixinhos, porque meus pais sempre foram completamente contrários à ideia de ter um bicho dentro de casa. Como criança que assistia filmes demais, eu queria porque queria um cachorrinho, mas como a resposta era sempre não, eu desenvolvi medo de cachorros (já superei essa questão). Mas gatos eu realmente não podia ligar menos.

Com uns dez ou onze anos, meus pais me deixaram ter um hamster. Stuart que depois de um tempo descobrimos que era fêmea. Thutty não durou muito, mas foi um chororô generalizado em casa quando a bichinha morreu — começando pela minha mãe. Em 31 de dezembro dos meus doze anos, chegou Polina, a calopsita — que segue viva e muito bem de saúde obrigada.

A Po é infinitamente melhor que um peixe ou um hamster já que, para começo de conversa, ela tinha autorização para ficar solta passeando pela casa e tem uma personalidade amorosa porém muito voluntariosa (mimada) bem igual à minha. Como calopsitas sentem muita falta de companhia e podem entrar em depressão e morrer se ficarem muito sós, acabei deixando a bichinha com os meus pais quando me mudei, assim ela e papai aposentado poderiam fazer companhia um ao outro. Voltemos aos gatos.

Uma das minhas amigas de infância (ou pré-adolescência, sei lá) sempre teve gatos, mas era a única cat person que eu conhecia antes desse bum felino que vivemos atualmente. Somos bffs até hoje, mas eu nunca fui frequentadora assídua da casa dela e até hoje, tendo pego paixão por gatineos, eu tenho pavor de Noah, o gato dela.

E então, aproximadamente dez anos depois, eu arranjei outra amiga com gato. Lola é uma gata maravilhosa, fizemos amizade (pelo menos eu fiz e ela fingiu muito bem que fez também), e foi aí que eu encontrei meu amor por esse mundo felino — gatos não eram necessariamente maus ou antipáticos, eles são amor.

Isso faz para lá de dois anos, e desde então eu decidi que eu precisava muito de um gato e minha vida não seria completa sem isso. Só tinha um probleminha.

Eu ainda morava com os meus pais e eles não me deixaram.

Algum tempo depois, me mudei. Fui morar com Letícia, e ela também vetou.

Mas eu não desisti. Segui insistindo e ela viu que eu nunca ia superar essa ideia fixa. Um belo dia, estava eu andando com mamãe perto da casa dela e passamos por uma feira de adoção. Me apaixonei por um filhotinho. Mandei mensagem para Letícia e ela disse sim. Mas eu medrei e fui embora — e depois contei a frustração na newsletter.

A partir daí, eu não tinha mais desculpa para não ter um gato, então tive que admitir que eu seguia querendo muito, mas estava igualmente apavorada com a responsabilidade. Decidi deixar a ideia para lá.

Um belo dia, estava de boas zapeando pelo facebook, quando aparece o compartilhamento de uma amiga sobre uma gatinha branca de olhos azuis maravilhosa. Ela tinha crescido na rua, a guria que fez o anúncio tinha levado ela para ser castrada, mas se ela não arranjasse um lar ia voltar para a rua. Sofri com a ideia. Então, antes que eu percebesse, eu era a feliz tutora de uma filhote de gata branca gigantesca porém ridiculamente linda.

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Como estava recém-operada, combinamos que meu bebê só iria para a minha casa uma semana depois, quando tirasse os pontos. No meio tempo, eu precisava aprender tudo sobre gatos e providenciar o enxoval para a bichinha. Mas como eu tenho muita noção de prioridades, comecei escolhendo o nome.

Fiz uma reunião virtual com meu grupo felinístico e várias sugestões foram dadas. Por pouco ela não se chama Neide, porque eu sou creiça e chamar a gata de gataneide parecia ótimo. Mas antes de bater o martelo, resolvi fingir que sou uma pessoa séria e fui procurar pelo significado. Acabamos ficando com Mabel — amável, amorosa. Sim, igual ao biscoito.

Esse mesmo grupo me ajudou a definir tudo o que eu precisava comprar/providenciar para receber bem minha nova companheirinha de vida, e agora resolvi compartilhar meus poucos conhecimentos. Vamos à parte prática desse texto.

  1. Segurança primeiro: tela nas janelas

Eu moro no oitavo andar, e não seria a coisa mais legal do mundo se a gata resolvesse tentar voar. Gatos filhotes têm muita energia, e qualquer gato (ou pelo menos a esmagadora maioria) tem instinto de caça, o que significa que eles vão se jogar da janela atrás de qualquer coisa que se mova.

Mesmo para quem mora no térreo, telar é altamente recomendável. Gatinhos que saem na rua estão muito vulneráveis a infinitos perigos — dede doenças até serem atropelados. Melhor não.

  1. Enxoval, itens básicos

Gatos precisam de coisas, obviamente. Então é preciso investir tempo e dinheiro para montar o enxovalzinho do bichinho. Eu fiz uma lista bem básica, porque não adianta comprar o mundo logo de cara — gatos têm muita personalidade e é bom conhecer bem seu gatinho antes de gastar rios de dinheiro em coisas que eles não vão dar a mínima.

Segue uma pequena lista do que é realmente essencial:

  • Pote de comida – se você for alimentar por refeições, como eu faço, não precisa ser muito grande.
  • Pote de água – pode ser maior, porque gatos têm tendência a problemas renais e precisam de muita água.
  • Comida – não dê qualquer comida pro seu gatineo. Existem tipos de ração (normal, premium, super premium). Whiskas é altamente não recomendável, segundo me informaram dá muito problema renal. Premium tem a Goden, que é boa; comecei com essa. Super premium são as melhores (e, obviamente, as mais caras), elas são feitas com ingredientes melhores e ajudam a manter a saúde do bichinho — as super premium mais conhecidas são a Premier e a Royal Canin. Também é importante escolher a comida de acordo com a idade do gatinho. Gatos até um ano devem comer ração específica de filhotes.
  • Caixa de areia – existem também vários modelos, abertas e fechadas. O ideal é que as laterais sejam mais altas, para espalhar menos areia. Algumas têm também uma abinha para dentro para ajudar a manter a areia dentro da caixa (mas sempre vai escapar alguma areia).
  • Areia – nada é fácil, mais uma vez existem modelos. Dá para usar areia propriamente dita (mas areia específica para gatos, areia comum de construção pode transmitir vermes), que deve ser limpa pelo menos uma vez ao dia e completamente trocada semanalmente. A outra opção é a sílica, que deve ser limpa também pelo menos uma vez ao dia, mas pode ser trocada só uma vez por mês. Eu uso sílica.
  • Caixa de transporte – você vai precisar para levar seu bebê ao veterinário e para tomar vacinas.

Existem infinitas coisas que você pode comprar, mas essas são essencialmente as mais importantes. Mabel até hoje não tem cama — ela dorme comigo, normalmente, e eu tinha dois almofadões que deixei no chão do quarto e da sala para ela. No fim, eles vão deitar e dormir onde bem entenderem. Ela também tem um cobertorzinho que ganhou da minha mãe, ela arrasta ele por aí e é uma fofura.

Arranhador pode ser uma boa ideia para evitar que eles arranhem muito os móveis. Mabel tem um e até arranha ele, mas continua arranhando os móveis mesmo assim. O segredo é desapegar, ou investir um tempo considerável (que eu não tenho) educando seu novo gatinho.

Mabel também não ligou a mínima para os brinquedos que eu comprei, o mais indicado é improvisar. Ela adora bolinhas de papel, de saco plástico ou de meia, fitas, sacolas e caixas de papelão. Ou basicamente qualquer coisa que ela ache interessante e queira roubar — como os meus óculos ou meu celular. Então provavelmente não é necessário gastar muito dinheiro com isso.

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Cortador de unha específico também é uma ótima aquisição e não muito caro. Gato de unha cortada é uma coisa muito mais agradável de se ter em casa, porque algumas brincadeiras deles envolvem dar bote nas pernas de qualquer passante desavisado.

  1. Saúde

Uma das primeiras coisas a se fazer é levar seu gatinho no veterinário, para um checkup geral e vacinas, e também porque ele vai dar instruções mais específicas de como cuidar do bichinho, receitar antipulgas e vermífugo e o que mais ele achar que deve, e te dar a carteirinha de vacinação. Mabel ainda passou também um mês tomando vitamina diariamente, e eu tive que passar alguns remédios nas orelhinhas porque ela estava com sarna. Também é fundamental castrar seu gatinho assim que possível para evitar problemas de saúde futuros.

As vacinas podem dar reações adversas, não se desesperem. Mabel teve febre depois da primeira dose da quádrupla e eu fiquei arrasada. Mas passou.

Pouco tempo atrás ela também teve um comecinho de conjuntivite e eu corri de volta para a clínica. Depois de uma semana de colírio de doze em doze horas, ela ficou nova de novo.

Com isso tudo só queria dizer que: gatos não são brinquedos, nem coisas, são seres vivos que têm (muita) personalidade, sentimentos, necessidades e ficam doentes como qualquer outro ser vivo. Isso quer dizer que é preciso ter muito comprometimento e responsabilidade, porque é um investimento emocional e financeiro bem razoável, e é muito feio se comprometer com um bichinho e voltar atrás depois.

Tudo isso foram coisas que nem me passavam pela cabeça quando resolvi que precisava ser adotada por um gato, mas que precisamos levar em consideração antes de tomar qualquer decisão. Mas mesmo com todos esses “detalhes”, eu não voltaria atrás na minha decisão mesmo que fosse possível. Esses quatro meses e meio de Mabel na minha vida foram maravilhosos, e já não consigo imaginar minha vida sem essa coisinha levada e adorável.

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(Perdão pela qualidade cagada das fotos, era o que tinha pra hoje.)

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8 Comments

  • Reply Plan 4 de agosto de 2016 at 15:08

    A Mabel é muito gostosa! Quero muito apertar ela ao vivo.
    Ter bichinho é comprometimento mesmo, fico passada com quem acha que é brinquedo.
    As pessoas ainda têm muito o que aprender com os animaizíneos.
    Adorei o guia, vou até repassar para uns migos que querem adotar gatos. <3

  • Reply Thay 4 de agosto de 2016 at 22:15

    Gata Mabel é a coisa mais linda e amorosa desse mundo, óin. <3

  • Reply thais 5 de agosto de 2016 at 00:26

    minha gatinha tem 2 meses comigo…. e é puro amor!

  • Reply Mareska 5 de agosto de 2016 at 01:00

    AI MEU DEUS A PLAQUINHA DA VERGONHA <3 aqui em casa são 3 gatos: uma meio angorá preta peludíssima que ama minha vó e odeia todo o resto da humanidade, mas aprendeu a me amar um pouquinho porque ela sabe que, se miar, eu boto comida, mas acho que ela mais me tolera do que ama mesmo. Um amarelo (não sei se tem nome pra esse tipo de vira-lata em português fora amarelo ou laranja mesmo, mas em inglês eles chama de orange tabby) gordunho que gosta das pessoas da casa mas de vez em quando tenta retalhar nossa cara ou arrancar nossos membros, o que passar perto primeiro. E um siamês fofíssimo, tranquilo e carente de rabinho quebrado que, por causa da velhice, agora tá cego e surdo e mesmo assim consegue sair pra passear no quarteirão e voltar pra casa como se nada tivesse acontecido enquanto a gente fica morrendo de preocupação, esse cretino.

  • Reply Nicas 5 de agosto de 2016 at 19:16

    Plaquinha da vergonha: HAUHAUHAUA (amo essa prática na cultura felinista)
    Adotei duas pequenas há dois meses e seu post está completíssimo (algumas coisas eu aprendi na marra haha).

    Beijo pra Mabel!

  • Reply Gabriela 6 de agosto de 2016 at 20:39

    O aparato pra cuidar deles eu acho relativamente simples (embora eu compreenda as limitações financeiras tanto para comprar as coisas como para os gastos com veterinário), mas a responsabilidade e o amor que a gente descobre são imensos, né? Acho mesmo que gato é o meu animal favorito (que Elvis não ouça, rs).

  • Reply Marcela 7 de agosto de 2016 at 17:24

    Hahaha, que coisa mais linda!! Ela parece que tem o narizinho franzido, que fofice. A história do Poe (que também atende por Pãozinho) é bastante parecida, com a diferença de que tiramos ele de um estacionamento. Ele estava todo judiado, também estava com problema nas orelhas (no caso dele era uma infecção bem feia).
    Não sabia que cortador de unha para gatos era acessível, e eu AMEI essa informação, porque sempre corto as garrinhas dele, mas dá uma agonia fazer com o cortador normal! E sem comentário pra plaquinha da vergonha. Preciso fazer uma pra ele também, por esconder todos os meus elásticos de cabelo… E comer todas as minhas mensagens budistas da sorte.

  • Reply Ana Bonfim 7 de agosto de 2016 at 21:58

    Que coIsa mais linda essa gata! Gostei muito do seu post explicando essas coisas super importantes que a gente deve ter cuidado antes de adotar. Por isso seu post foi um dos meus favoritos dessa primeira semana do BEDA <3

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