Pessoal

“Força no propósito”

Foi o que eu ouvi do professor de pilates hoje. Assim, sem mais nem menos. Aposto como ele nunca considerou que um incentivo simples desses pudesse desencadear a reação em cadeia que acabou causando. Acontece que eu gosto de pensar. E mais ainda de pensar sobre coisas aleatórias. Fui logo respondendo que não tinha propósito nenhum, e ele, obviamente, riu. Mas ali essa era a pura verdade. Não que eu não goste do que o pilates faz com o meu corpo e tudo o mais, é só que eu realmente não tenho nenhum objetivo lá. É algo que eu faço pelo prazer de fazer. Ponto.
E é aí que entra a questão. Quando tudo começou a precisar ter um propósito? Ou será que sempre precisou? Quando eu brincava de casinha ou andava de bicicleta, acho que não tinha nada em mente além da diversão, da brincadeira. Talvez seja justamente essa a diferença entre brincadeira e coisa séria. Uma se faz pela diversão, a outra se faz com um propósito.
Essa história de propósito, de objetivo, me aborrece um bocado. Sério. É o ponto em que eu começo a me sentir uma pessoa sem graça e previsível, que faz uma coisa sempre pensando em outra, que não sabe mais aproveitar a vida. E aí eu começo a enumerar as coisas que eu faço com gosto. Ler, escrever, tocar violão (principalmente quando eu tenho que estudar), ouvir música. Lazeres típicos. Coisas que eu não faço e não faria por propósito algum, porque isso sempre tirou a graça de tudo na minha vida.
E então chegamos ao ponto que é uma das minhas fontes frequentes de crise existencial: porque eu não posso encontrar um ganha-pão que me dê o prazer que essas coisas sem-propósito me dão? Porque, sinceramente, o que eu aprendo na faculdade talvez eu gostasse saber (superficialmente e a nível de curiosidade) se não fosse esse maldito objetivo implícito, mas acho que nem assim seria algo que me daria gosto. Queria algo que me fizesse sentir como eu sentia quando brincava de boneca.
Me pergunto se existe algo que pudesse fazer isso por mim. Uma profissão, um sacerdócio, um trabalho voluntário. Qualquer coisa. Esse é meu nível de desespero. Porque vocês não sabem quanta agonia que essa história de vida cheia de “propósito” me dá. Pra mim, propósito é uma coisa traiçoeira, igualzinho ao coelho branco da Alice: quando a gente acha que está chegando perto, ele já está lá na frente, zombando da nossa cara. E assim a vida passa. E a gente perde toda a diversão do meio do caminho.

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11 Comments

  • Reply Mayra 18 de abril de 2012 at 16:30

    Compartilho da tua angústia. Sofri um bocado ano passado por causa disso, inclusive. O negócio é que todo mundo pensava na faculdade pensando no que trabalharia relacionado com aquilo e já tinham todo um plano de carreira e tal e eu não gostava dessas coisas, nunca me vi trabalhando em algo fixo – ainda mais relacionado com meu curso. Então eu chorava e surtava e me mortificava e ficava em crises existenciais eternas, até que, meu sábio irmão um dia me disse que eu deveria fazer a faculdade simplesmente por fazer a faculdade, porque eu aprenderia coisas que gostaria de aprender e talvez eu usasse pra algo, talvez não, mas eu deveria me focar no aprender não no que faria no futuro e é exatamente isso: a falta de um objetivo faz com que a gente se interesse mais pela coisa. Eu adoro minha faculdade e o teatro justamente porque não os vejo objetivamente como meu futuro ganha pão, não os vejo sob objetivo nenhum além de me dar prazer e isso é tão legal! Mais pessoas deveriam procurar por sentir prazer das coisas, ao invés de objetivá-las para transformá-las em capital. Pra que serve dinheiro sem felicidade, afinal?
    Vamos fazer da nossa vida uma imensa brincadeira de barbies! Eu serei a minha barbie morena que sempre roubava o ken da loira, rs.
    Beijinhos Palominha linda!
    <3

  • Reply del 18 de abril de 2012 at 17:48

    Dizem que é o mal da nossa geração, essa busca pelo prazer e não pelo dinheiro. Também sofro com essa correria de encontro a um propósito, uma obrigação, uma responsabilidade… No fim, coisas que os outros querem, e não eu! Penso em fazer faculdade de Letras pra colocar em prática a minha paixão pela escrita e leitura, mas alheios chegam no meio do sonho e começam a perguntar sobre profissão; “mas você vai trabalhar do que com isso?” Nossa, arranca o ânimo pela raiz. Tudo se resumo ao ponto final das coisas, e as pessoas muitas vezes sequer notam o que estão fazendo pra atingir seus malditos propósitos! Que mal é esse, e por que é tão necessário?

    A felicidade deveria ser um propósito, assim como a diversão e o prazer que você mencionou. A vida poderia ser um pouquinho mais vazia, sem tantos significados, sem tantas amarras. Ou melhor, as pessoas deveriam ser assim, e permitir que os outros fossem o que eles querem ser…

  • Reply Alessandra Rocha 18 de abril de 2012 at 19:18

    Acho que meu maior problema é não ter propósito e não dar a mínima pra isso, muitas vezes reclamo da minha vidinha mais ou menos, mas sabe que no fundo no fundo eu até gosto da vida mansa?
    E eu sou hedonista segundos aqueles testes psicológicos vocacionais, então sou fisicamente incapaz de fazer qualquer coisa – que dirá exercer uma profissão – se eu não sentir prazer naquilo, por isso to indo estudar o que eu gosto, porque mesmo apesar dessa minha futilidade e falta de vontade de me aprofundar nesses assunto eu sei que se puder vou aproveitar e muito.

    Acho que se voce entrou no curso que voce escolheu é porque alguma coisa nele te dá prazer, voce só precisa redescobrir o que é (;

    Beijos florzinha

  • Reply Ana Luísa 19 de abril de 2012 at 09:15

    Ei Pá! Acho interessante que a gente tenhos nossos ‘propósitos’ na vida, claro! Mas também não dá pra pensar que tudo deve ter um propósito, e viver pensando no que isso vai gerar, ao invés e pensar um pouco no momento!
    Beijos, flor!

  • Reply Larissa L. 19 de abril de 2012 at 17:30

    Pá, acho que, na verdade, tudo tem um propósito na vida, uma razão de ser, existir etc. Mas acho que a diferença está na valorização de tudo isso e no quanto aquilo faz nosso coração bater apaixonadamente.
    Essa coisa de objetivo implícito também me deixa angustiada, porque parece um túnel meio sem fim, um buraco sem fundo. Sempre vai ter uma coisa chata na nossa vida (que tem, teoricamente, um objetivo) e que não nos motiva a ir em frente, a ser feliz com aquilo! Se for impossível nos contentar com esse objetivo, o que nos impede de buscar novos caminhos né?
    Ai o medo….
    Esse comentário foi muito nada com nada né? Eu tb penso muito sobre isso.. e não acho respostas!!!
    Beijo enorme!

  • Reply Thay 20 de abril de 2012 at 21:23

    Difícil essa história, né? Parece que tudo o que fazemos na vida tem que ter algum propósito para ser válido… algo como uma troca. Se eu faço tal coisa tenho que receber isso por causa daquilo, e por aí vai! Mas te confesso que escolhi meu curso de graduação por causa de uma coisa que eu adoro fazer por prazer, que é desenhar. Isso me levou à Arquitetura, mas poderia ter me levado por outros caminhos também como Desenho Industrial ou Moda, vai saber. Nossas vidas deveriam ter menos cobrança e mais prazer. 8D
    Beijo!

  • Reply Larie 21 de abril de 2012 at 10:33

    Essa coisa de ter um propósito na vida é coisa que a idade exige. Acho que dá para colocar um propósito nas coisas que dá prazer sim, mas não é tão simples. Por exemplo, quero muito fazer intercâmbio estudantil (pela faculdade) na europa, mas pra isso vou ter que ralar bastante, botar um propósito para obter o prazer de chegar no fim e dizer “Consegui, agora eu vou”. A diferença é que são prazeres diferentes.

    Beijos 🙂

  • Reply Marie Raya 21 de abril de 2012 at 12:51

    Pá, linda. Olha, tô no 2º ano da faculdade e voltei a passar por isso. Porque até sei qual é o propósito que eu quero, mas as vezes a gente enlouquece. Toda essa pressão enlouquece. Sabe, nunca devemos esquecer aonde queremos chegar. Mas isso não significa que devemos esquecer de viver, porque nesses meios, nesses caminhos, dá pra se divertir sem perder o propósito. E se não for divertido, será que é esse mesmo o propósito?

  • Reply Emi 21 de abril de 2012 at 18:17

    E me sinto ainda mais perdida quando penso nas coisas que amo fazer por fazer, sem propósito nenhum além de suprir a vontade momentânea, e que se tornam um saco quando ganham propósito real.
    Ou quando penso nos objetivos que tenho pra vida, os propósitos verdadeiros, e como não faço nada que os torne mais próximos da realidade. 🙁

  • Reply Mundobrel 21 de abril de 2012 at 18:48

    Estou ai comendo um pedaço do bolo do seu post.
    Não quero terminar meus dias trabalhando com uma coisa que eu não goste.

  • Reply Deborah 21 de abril de 2012 at 19:34

    Sim, é exatamente assim. Acho que as coisas perdem o propósito quando nós percebemos que aquilo não é só para a gente, que é para outras pessoas. Que você PRECISA agradar as pessoas para se sustentar, que você DEPENDE daquilo pra viver. É igual, sei lá, ter aula de inglês na escola, que era um saco, e aula de inglês fora, que era super legal. Mesmo que nos dois tivessem professores igualmente qualificados e atividades iguaizinhas. Se for obrigação, perde a graça. Acho. Mas realmente gostaria que não perdesse.

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