Pessoal

“Hold me now, I’m six feet from the edge and I’m thinking maybe six feet ain’t so far down”

Melancolia repentina, conhecem? Aquela que chega de repente sem aviso e te pega desprevenido. Como se segundos atrás, quando estava tudo bem, tivesse passado há tanto tempo. Devo ser meio maluca, ou foi culpa da música que tá tocando, ou do poster do Kurt olhando pra mim de rabo de olho da porta. A verdade é que algo deve ter feito eu sentir isso, mas eu não sei o quê, só sei que é bom. Agora devo estar parecendo ainda mais maluca, mas pra mim todos os sentimentos são bons, se ficasse presa em um só o tempo todo eu iria gradativamente virar uma pessoa insensível.
Essa melancolia de dar dor no coração, como se alguém tivesse apertando-o na palma da mão, a música, o ventinho frio, tudo contribui para o momento, e eu só aproveito, porque isso vem e vai muito rápido, são momentos ocasionais. Fechar os olhos e mergulhar nisso, aproveitar todos os segundos, e em um piscar de olhos já foi embora. Acenar e desejar que volte logo. Ninguém suspeita, são lapsos. Também ninguém precisa saber, não interessa a ninguém. Basta sentir. Acredito que todo mundo já tenha sentido, se não sentiu não sabe o que está perdendo. Se teve e deixou passar, cometeu a maior besteira da vida. É uma beleza leve e suave.
Me sinto em um lugar bem longe, sem ninguém, rodando e rodando, num dia frio, com o vento batendo no rosto, areia molhada e gelada sob os pés. Nada atrapalhando, e uma música bem alta vindo de lugar nenhum, e o barulho da água, inaúdível, e ainda assim marcando presença. Minha única companhia.
Alguém já se sentiu assim?
Texto originalmente postado no Uol blog.
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