Pessoal

How lucky am I

Esse post não estava programado. Pela minha programação oficial do BEDA, cuidadosamente organizada completamente ao acaso, hoje era o dia em que eu chegaria em casa feliz da vida depois de duas semanas de viagem e comentaria o que viesse na mente sobre tudo o que eu vi lá na terra da Dorothy e do Totó. Esse post ainda vai sair (quinta-feira, fiquem de olho), mas hoje eu precisei falar sobre outra coisa.

Muitas das minhas melhores amigas moram longe. Longe não significa dois ônibus, quarenta minutos de caminhada ou meia hora no lombo de um burro. Longe significa que pra gente se ver, alguém(ns) vai ter que pegar um avião. Era de se esperar que depois de quase quatro anos disso eu tivesse me acostumado com a dinâmica de despedida, aeroporto e tudo mais, mas não é isso que acontece.

Todas as vezes que a gente se separa, muitas lágrimas rolam, muitos abraços longos e apertados são trocados e aquela sensação de vazio fica pairando no ar por vários dias.

Antes delas aparecerem na minha vida, eu já tinha experimentado esse sentimento, mais de dez anos atrás. Só tenho lembranças vagas, mas sempre que as férias acabavam e minha família voltava do Rio para Praia Grande, ou quando os parentes estavam lá visitando e voltavam para o Rio eu sentia essa dorzinha.

Então a vida acontece e desde o ano passado estamos planejando uma excursão familiar para visitar o parentes lá na América. Parentes que se mudaram quando eu tinha uns três anos e a maioria dos meus primos mais novos nem era nascida, que nós encontramos poucas vezes desde então e com quem só o advento das tecnologias modernosas (leia-se Skype e Whatapp) permitiu que a gente tivesse um contato mais próximo.

Falando assim, pode até parecer que éramos quase estranhos até pousarmos no Aeroporto Internacional de Kansas City, mas na verdade o carinho já existia.

Então chegamos lá, para uma estadia de exatamente 12 dias, e o que aconteceu por lá foi muito além do que eu imaginava. E não se resume nem aos dias de folga tirados, aos cafés da manhã especiais preparados, aos passeios, aos abraços. É algo mais, maior.

E ainda assim, até o último segundo eu não esperava que a hora de dizer tchau fosse ser tão difícil. Estava eu completamente desavisada, pronta para entrar no carro, quando todo mundo começou a desmoronar e eu, claro, fui junto. É que minha ficha não tinha caído ainda. Então a torneirinha das lágrimas se abriu, e quando isso acontece só o que a gente pode fazer é deixar o reservatório esvaziar, porque fechar é impossível.

O pior de tudo é que não importa o quanto a gente chore, a dor não vai embora. É a saudade que chega sempre antes da hora e torna as despedidas tão difíceis. Porque mesmo que estar junto não seja físico (e nunca vai ser), a distância é uma coisa que dói. Nessas horas, a única coisa que consola é lembrar, como diria certo ursinho, how lucky I am to have something that makes saying goodbye so hard.

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Esse post é parte integrante do meu BEDA. Para saber mais sobre essa cilada leia esse post. Tem sugestão de tema ou pergunta para a minha pessoa? Deixe nos comentários ou entre em contato.

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5 Comments

  • Reply Naninha 17 de agosto de 2015 at 08:24

    Ai amiga, que texto lindo! E te entendo tanto, tanto. Desde pequena que, para ver minha família, tenho que pegar avião ou 15h de estrada. Sempre ficava meio chateada quando os coleguinhas de sala falavam coisas do tipo “meu primo estuda nessa mesma escola que a gente” ou “hoje vou dormir na casa da minha prima” porque pra mim primo sempre foi igual a férias e apenas isso. E nem preciso falar da dor que é ter que me despedir das minhas amigas após no máximo 3 dias de folia e geralmente com um coração apertado sem ter nem previsão de quando vamos nos encontrar de novo… Mas enfim, te entendo demais. Dói, mas se dói é porque a gente tem, né?

    Te amo! <3

  • Reply Ana 17 de agosto de 2015 at 09:13

    Acho que despedida é um treco ruim demais, mas por exemplo, eu nunca chorei dando tchau pra parente. Em compensação eu me lavei chorando na minha formatura do ensino médio só pensando na possibilidade de não ver mais meus amigos (não aconteceu, hehe).
    Imagino que deva ser muito difícil dar tchau pras gurias depois que vocês se veem, porque como comentei num post da Anna, vocês são demais juntas. Vocês não fazem noção da vibe boa que vocês passam. Eu amo quando vocês se reúnem porque aí eu sei que vou ter foto fofa pra dar like no Insta, hahahah.

    Mas é como você mencionou ali: how lucky you are (I am) to have something that makes saying goodbye so hard.

    Beijos!

  • Reply Chiquita 17 de agosto de 2015 at 09:48

    É aquela coisa: despedida dói demais, mas prefiro mil vezes essa dor do que não ter de quem sentir saudades. Se dói é porque vale a pena, é porque importa, e porque é bom. Imagina que tristeza não sentir saudades de ninguém! Quer dizer, num mundo ideal o mundo seria um quintal e seríamos vizinhas de todas as pessoas que amamos (uma vila só nossa, imagina!), mas já que não dá pra ser, que sorte temos de ter coisas pra nos assombrar na ausência das nossas pessoas, né amiga?
    Sinto saudade da gente até quando estamos juntas.
    Te amo <3

  • Reply Ana Flávia 17 de agosto de 2015 at 12:30

    Que texto mais lindo, Paloma.
    Cresci longe da maioria dos primos e faz seis anos que moro longe da família e amigos, mas as despedidas são sempre dolorosas. Sempre que a gente vai leva um pedaço das pessoas e deixa um pouco da gente, é bonito e triste ao mesmo tempo.
    Mas o importante é o amor que fica e aumenta a casa reencontro.

    Beijos.

  • Reply Sharoneide 17 de agosto de 2015 at 20:46

    Leio seu texto e só consigo pensar que é isso mesmo. A maior parte da minha família mora em Brasília, então nunca senti realmente essa falta, sabe? Talvez por isso tenha sido tão difícil e eu tenha chorado tanto e desmoronado de vez quando fui embora do encontrão. Ou não, porque no fundo acho que isso aconteceria independente de qualquer coisa, porque eu posso até ter minha família perto e uma parte dos meus amigos perto, mas despedidas nunca são fáceis. É, não são mesmo. Mas a gente tem muita sorte e honestamente? Prefiro sofrer de amor do que nunca ter vivido isso.

    te amo muito, muito <3

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