Pessoal

Lembranças

Hoje eu devia e tinha toda a intenção de fazer um post alegre e feliz de inauguração de blog novo e todas essas coisas que nós, que estamos nesse mundo já tem um tempinho, estamos cansadas de conhecer. Mas aí algo aconteceu.
Eu estava no pilates feliz e tranquila, quando clarões começaram a aparecer na janela. O céu ficou preto e anunciou que tinha chuva feia a caminho. Não, eu não tenho nenhum problema com chuva. Mas tenho muito problema com trovões. Raios, em particular, fazem gelar até o canto mais remoto da minha espinha.
Acontece que esses trovões, em particular, trouxeram uma lembrança. Uma lembrança de quatro anos atrás. De um menino, uma menina e um motorista de transporte escolar. Presos em um carro, ilhados no meio de uma rua, sozinhos, sem conseguir chegar em casa. Os trovões se misturavam uns aos outros e a menina se encolhia no banco da frente.
Ela fazia daquilo um pequeno espetáculo. Medo ela realmente sentia, mas aquele show todo era só para atrair a atenção. A atenção de uma pessoa em especial. Do menino, sentado no banco de trás. O motorista era só um elemento da paisagem, tão inexpressivo que já foi até esquecido. Tudo o que importava eram os braços do menino em volta dela. Aquele por quem ela tinha uma paixão secreta, coisa de adolescente. O presente que a tempestade trouxe, o contato mais próximo que eles já tinham tido e que teriam para o resto da vida. Hoje eu desconfio que ele se sentia do mesmo jeito, mas na época, ela não tinha tanta certa.
Mas nada disso importa, a única coisa de valor foi aquele único momento. Porque nunca houve nada entre eles que não uma paixão platônica infantil, fadada a morrer sem se concretizar desde que nasceu. E assim foi. Dois anos sem se ver, dois anos sem conversar e ela nem sabe mais que diabos via nele. Tudo de que ela achava graça então, hoje provavelmente despertaria repulsa. Mas quem manda no coração, né?
Tempos atrás eu nunca teria considerado postar algo assim, por medo de que ele surgisse de algum lugar do passado e visse. Agora eu vejo que esse medo não faz sentido. Não há mais nada entre os dois além de lembranças, lembranças de algo que nunca aconteceu e de um sentimento que já morreu e foi esquecido. Só para ser relembrado com nostalgia em uma noite de chuva.
Previous Post Next Post

You Might Also Like

3 Comments

  • Reply Bruna Baez 19 de janeiro de 2012 at 22:09

    Em primeiro lugar, amo chuvas e trovões. Sério. Mas no calor, pra tomar aquele banho de chuva sme vento gelado, sabe?
    Agora, eu tenho muitas lembranças assim, sabe? Coisas que acontecem que são tão parecidas com outras e vêm à mente com tanta força. Admito que muitas eu não quero pensar, mas sempre tem um gostinho bom no final. Beijos, Pá. E o layout ficou lindo demais. O nome também. Parabééns 🙂

  • Reply Larissa L. 19 de janeiro de 2012 at 22:56

    Paloma, às vezes as coisas que parecem mais bobas carregam um significado, uma lembrança, um sentimento…
    E, como vc disse na descrição do blog, realmente não tem como deixar o que já passou pra trás, tudo isso faz parte de você =)
    Boa sorte com os trovões, atualmente eles estão em alta hehehe!
    Beijosss

  • Reply Rhaíssa Sizenando da Silva 20 de janeiro de 2012 at 14:03

    Eu já tive uma paixão platonica, que em nada deu, somente passou e são algumas coisas que me fazem lembrar dela. Aliás, amo chuva e trovões, eu consigo dormir bem melhor assim!
    Amei amiga!
    Beijos <3

  • Leave a Reply