Pessoal

Mais um ano

Mais um ano vai, mais um ano vem. É sempre assim, de 365 em 365 dias – às vezes com um dia a mais nessa conta. O réveillon sempre me parece uma noite mágica, simbolicamente falando. Parece que todo um ano, com todos os seus acontecimentos, ficou para trás e um novinho, zerado, se estende à frente, cheio de possibilidades.
Meu pai comentou, para a minha surpresa, que acha a data muito melancólica. A incerteza o deixa nervoso, mesmo a simbólica. Não importa que ele tenha planos para o dia seguinte, para o mês seguinte, para a próxima década. Ele gosta de controle, desaprova a espontaneidade. É realmente bem a cara dele esse ter medo do ano novo.
Já eu gosto da data justamente pela “incerteza”, como se o simples começo de um novo ciclo pudesse me dar a chance de começar de novo e refazer as coisas, da forma certa.
Acho que é justamente esse o significado da comemoração. O ser humano, como eu, precisa de ciclos para viver. Precisa de um marco para deixar o passado para traz e construir algo novo. Fazer resoluções e saber que sempre tem a chance de recomeçar. Ninguém conseguiria viver com o peso de uma vida toda nas costas, então nós criamos essa ficção para poder exorcizar nossos demônios periodicamente, para podermos nos perdoar das culpas do ciclo anterior e finalmente seguir em frente. Para podermos nos sentir novos de novo. “Ano novo, vida nova.”
A virada de ano sempre me deixa esperançosa, com o sentimento de que o ano que chega pode ser melhor que o anterior – não importa se o anterior foi bom ou ruim. Não tenho como negar que eu sou uma pessoa otimista. Não costumo fazer promessas ou resoluções de ano novo, mas existe sempre o compromisso tácito de que eu vou tentar ser uma pessoa melhor.
No sentido contrário, chega a ser cômico como – no momento decisivo – eu só lembro dos momentos bons do ano que acabou. São essas as lembranças que surgem espontaneamente na minha cabeça. Não, nem tudo foi bom – com esforço consigo lembrar de algumas partes ruins também – mas elas estão distantes, não vale a pena revirar túmulos. Ainda assim, eu me despeço do ciclo que se vai sem tristeza – talvez já tenha passado a fase nostálgica da minha vida – cheia só de esperança.
Olhando agora para 2012, eu tenho a impressão de que foi um ano absurdamente longo, apesar da rapidez com que o tempo tem passado. Parece que anos se passaram nesses 12 curtos meses; olhando minha lista de livros lidos, me surpreendo em encontrar alguns que achei ter lido muito tempo atrás. Tanta coisa aconteceu. Digo adeus a tudo isso sem melancolia, sem apreensão; com alegria e entusiasmo.
Que 2013 mostre as caras com todo o seu potencial, que seja tudo que eu consiga fazer dele. E que tenha, sobretudo, todas as pessoas que fizeram do meu 2012 – e de todos os anos da minha vida – tão especial, e muitas outras, porque o amor já está incluído aí.
Enfim, aqui estamos nós, no primeiro dia de um ano novo em folha. Feliz ano novo.
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7 Comments

  • Reply Ana Luísa 1 de janeiro de 2013 at 21:50

    Ei Palo! Essas quebras são necessárias, né. Não sei se é porque estamos habituados a isso, mas parece que chega novembro/dezembro e ninguém aguenta mais, e de repente o sopro do dia 1º de janeiro renova o fôlego. Desejo um 2013 incrível pra você! Beijo!

  • Reply Anna Vitória 1 de janeiro de 2013 at 23:58

    Achei sua reflexão muito pertinente, Palominha, e penso bastante assim. Acho que a gente precisa mesmo desse empurrão do universo pra acreditar que dá pra ser diferente e, com sorte, melhor. Por isso que o primeiro dia do ano é um dos meus dias favoritos no mundo, porque ele vem com esse ar de coisa nova, de caderno em branco e de que as coisas ficaram pra trás e agora é sacudir a poeira e começar do zero.
    Espero que seu recomeço seja lindo, e que ao fim dele as comemorações se sobreponham às lágrimas!
    beijos

  • Reply Tay 2 de janeiro de 2013 at 02:40

    Eu sempre fico esperançosa com os inícios de ano também. Feliz ano novo, Pa! Beijo!

  • Reply Paula Daniele 2 de janeiro de 2013 at 07:51

    Olá Paloma,
    É bem assim a virada do ano, acaba sendo inevitável olhar pra si mesmo e refletir sobre aquele ano que está indo embora e sonhar, encher baldes de possibilidades para o ano que está chegando, mesmo quando a gente se acostuma com o ano novo e deixa uma parte dos desejos e objetivos na metade do caminho… mas a gente não desiste, e na virada estamos fazendo tudo de novo, graças a DEUS!
    Abraços, gostei do seu texto.

  • Reply Deyse Batista 2 de janeiro de 2013 at 10:22

    Acho que das opiniões sobre o ano que passou e esse que começou, a sua foi a que eu mais concordei de forma geral, Palomitcha. Tomara mesmo que esse ano não decepcione e que a gente consiga enxergar nesse novo ciclo a beleza de um recomeço. Um ano ótimo pra nós! Beijo!

  • Reply Kamilla Barcelos 2 de janeiro de 2013 at 12:32

    Eu sou a típica brasileira que o ano só começa depois do Carnaval. kkkkkkkk Sou dessas!

  • Reply Alessandra Rocha 3 de janeiro de 2013 at 00:46

    Ai Palo… confesso que sou meio que nem o teu pai, mas sou assim meio controversa sabe? Apesar de gostar de saber muito bem onde estou pisando adoro o frio na barriga de não saber o que me espera daqui um dia, ou três meses. É maravilhoso né? Queria quotar aquele poema do Vinicius (?) que diz que a melhor invenção do mundo foi o ano e como a renovação desse ciclo nos faz bem, mas e a fadiga? Hahahahahaha

    beijos!

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