Pessoal

Mais uma de ônibus (3/7)

Quem me conhece sabe que eu vivo no mundo da lua. É normal alguém vir me dizer que acenou para mim na rua e eu não vi. Não tem muito tempo, estava andando e uma amiga passou exatamente do meu lado e me chamou; eu já estava três passos à frente quando me dei conta disso e voltei para falar com ela. Eu juro que não faço por mal, é só falta de atenção mesmo. E quando eu tenho outra coisa na cabeça, fico pior ainda.

Hoje saí do trabalho sentindo o peso (psicológico, porque o real eu já aprendi a abstrair) do livro na minha bolsa. Mal podia esperar para sentar no ônibus e devorar as últimas páginas da história mais apaixonante da vida. Fui até o ponto final do ônibus, entrei na fila e dei a sorte de o lugar perfeito estar lá, me esperando: banco alto, perto da janela. Com a peculiaridade de que o banco do corredor já estava ocupado.

O garoto que estava nesse banco conversava com duas moças que estavam nos bancos do outro lado do corredor e olhou para a minha cara de uma forma estranha quando eu pedi licença. Sinceramente, não liguei a mínima, só me acomodei e tirei o livro da bolsa. E lá fui eu, para as treze páginas finais.

Quando eu terminei, estava em um estado absurdamente lastimável – como se não tivesse mais um coração dentro do meu peito. E precisei abraçar aquele tijolo e olhar para o nada por um bom tempo até começar a me recuperar. Enquanto eu estava lá, imóvel e esperando pacientemente, comecei a ouvir a conversa do pessoal do meu lado (um dos meus hobbies favoritos, me julguem) e cheguei a conclusão de que eles estudavam na minha faculdade. Até aí nada demais, minha faculdade (só o curso de direito) tem umas cinco mil cabeças.

Continuei prestando atenção, já me sentindo melhor, e ouvi o garoto do meu lado chamar alguém de Stéfanie. Ops! Tudo bem, esse não é um nome tão incomum assim. Mas eu só conheci duas em toda a minha vida. Esperei mais um pouco e ouvi a voz que respondeu. Pois é, eu conhecia aquele ser.

Nesse ponto do raciocínio é que me bate aquela culpa por ser obtusa. “Será que ela me viu e achou que eu fingi que não vi?” E daí em diante minha única saída foi bolar uma tática para sair da situação embaraçosa, porque eu não via um jeito de sair dali despercebida.

No fim das contas, quando levantei para saltar eu falei com a menina e contei a história muito engraçada de como eu não tinha visto ela ali. Ela garantiu que também não tinha me visto, me apresentou ao garoto (que assumiu que tinha me reconhecido como alguém da faculdade – tudo faz sentido agora) e tudo acabou bem. The end.

Moral da história: eu realmente preciso aprender a sintonizar nesse mundo. Viver dessa forma aleatória sempre traz alguma situação embaraçosa para coroar meu dia.

E eu sei que isso aqui ficou longo demais para uma crônica e não tem um pingo de opinião, mas sejam gentis e finjam que é, porque é o que tem para hoje. E pelo menos valeu a história.

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1 Comment

  • Reply Mayra 7 de agosto de 2013 at 02:38

    Poxa, como assim você não disse o nome do livro? Fiquei curiosa! E eu sou assim, com a diferença que mesmo quandov ejo as pessoas finjo que não vi e passo reto, porém como meu cabelo é colorido, elas sempre me veem e sempre vêm falar comigo e eu sempre fico desconfortável porque não sei mentir dizendo que não vi, porque eu sempre vejo, só não vou falar porque sou chata, rs.
    E ai que sdds de pegar ônibus só pra ter tempo de ler <3

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