Pessoal

Mais uma lição de ônibus: quebrar a cara também é viver

Tudo começou com um diálogo de ônibus. Mãe e filha sentadas uma atrás da outra, conversando sobre a vida (enquanto eu, sentada do lado da mãe, escutava — porque sou eu). O ponto de descida da menina se aproxima e a mãe começa a tentar explicar o caminho das pedras para voltar para casa. A menina, como boa adolescente, não quer nem saber.

— Ta bom, mãe. Eu já sei.
— Sabe nada.
— Se eu errar, eu desço e tento de novo.
— E você lá tem dinheiro?
— Tenho.
— Mentira, tem nada.
— Tenho sim. E quem tem boca vai a Roma.
— Vai parar é em Roma mesmo. (rindo)

Minha primeira observação é na verdade uma pergunta: como diabos se escuta uma conversa dessa e fica séria? Resposta: Não dá, então tentei me esconder atrás de um livro.

A segunda é menos prática e mais filosófica: que dificuldade a gente tem de ouvir a voz da experiência, né?

A questão é que estamos acostumados a ouvir o que fazer a vida inteira, e uma hora isso cansa (normalmente quando você é adolescente).

Sim, os pais querem o nosso bem. Na maior parte das vezes eles estão só tentando repassar o que eles aprenderam com a experiência, e eu acho um tipo de inteligência muito importante aquela de saber aprender com os erros dos outros. Mas eu também entendo perfeitamente bem a necessidade de largar mão e começar a cometer os próprios erros. Porque o erro faz parte da vida e às vezes a gente precisa disso para sentir que realmente aprendeu a lição.

Não importa o quão bem intencionados e válidos sejam os conselhos, a verdadeira sabedoria só vem do processo de tentativa/erro/reflexão (ou de acompanhar a tentativa/erro dos outros de perto e em tempo real). Ouvir que fogo queima é uma coisa, mas enquanto você não colocar a mão lá sempre vai restar a dúvida sobre se aquilo é mesmo verdade ou se é só algo que o outro (seus pais, a sociedade, a igreja, qualquer um) quer que você acredite — porque o medo é e sempre foi uma forma de controle.

Então, por mais bobo que pareça, e por mais que pareça que eu esteja viajando quilômetros daquele diálogo que me plantou essa sementinha, o resumo da ópera é: eu considero que a teimosia também é uma forma de crescimento. Guardados, obviamente, o bom senso e as devidas proporções. Recomendo.

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6 Comments

  • Reply Xará 13 de março de 2015 at 12:08

    Palo, concordo muito contigo. Acho que a gente deve ouvir as ~vozes da experiência~ de vez em quando, mas que a gente só aprende de fato cometendo os próprios erros. Minha mãe me aconselha muito, sobre muitas coisas, mas no final, o poder de decisão é sempre meu. Eu vejo alguns amigos que vivem pra fazer o que os pais dizem, se poupando das frustrações e tombos da vida, e eu acho isso tão tão terrível. Especialmente agora, que é nosso momento de errar. Não que a gente pare de errar depois de certa idade, porque né, somos todos humanos e eventualmente ainda vamos cometer uns erros, mas com vinte e poucos anos você tá descobrindo quem você é realmente, qual o seu papel no mundo e quais são suas possibilidades. É bom errar, levar umas porradas do universo na cara e ter suas crenças caindo por terra? Porra, não. É frustrante? Sem dúvida. Mas a gente cresce e cresce muito – e também se diverte no meio do caminho.

    beijo! <3

  • Reply Lilica 14 de março de 2015 at 18:20

    Pois é Palominha às vezes acho que, na ânsia de nos ensinar tudo e evitar que a gente sofra, nossos pais querem nos dar tudo “de mão beijada”. E como você falou, sem as dificuldades, sem as experiências, não conseguimos efetivamente crescer nessa vida! Por isso que, em alguns casos, quando nos desprendemos da barra da saia/calça deles, acabamos engolidos por esse mundo todo complicado onde, até para nos deslocarmos de ônibus, podemos encontrar alguma pegadinha pelo caminho!!!
    Agora só uma dúvida: por que vc não trocou de lugar com a filha no bus? Ahahahaha! Porque eu acho que não ia tolerar esse papo no meu ouvido não viu!

    Te amo!
    Beijos

    • Reply Paloma 15 de março de 2015 at 21:00

      Ai, amiga, mas tava tão divertido assistir esse diálogo hahaha
      Preciso confessar que sou meio viciada em ouvir conversa alheia. Faço isso o tempo todo, em todos os lugares.
      Te amo <3

  • Reply Analu 15 de março de 2015 at 21:39

    Amiga, os dois lados tem suas chatices e suas razões, né? E igualmente tem que aprender da vida. É complicado ser filho e ouvir as mesmas coisas sempre dos pais – e também não deve ser nenhum passeio no parque botar um filho no mundo e aguentar tudo o que ele quer fazer sem dar pitacos, hahaha.
    Essas conversinhas alheias que escutamos ao longo da vida acabam fazendo a gente lembrar da dinâmica da vida, né? Beijos! Te amo! <3

  • Reply Carol 18 de março de 2015 at 21:31

    Oi! Primeiramente, QUE LINDEZA DE BLOG! Adorei o novo nome (e a inspiração de onde ele veio), o layout, tudinho <3
    E sobre o post, timing perfeito hahaha. Eu estou vivendo isso tudo na pele desde que mudei de cidade e tenho que me virar. E acho que, na medida do sensato e seguro, errar faz bem e ainda da umas boas histórias depois. Acho que se a gente fizesse tudo certinho logo de cara, não teria a satisfação de aprender a tal coisa e poder dizer "consegui!", o que deixaria a vida muito sem graça, né? hahah

    Parabéns de novo pelo blog, beijo!

  • Reply Ana 20 de março de 2015 at 12:56

    Morri de rir com o diálogo delas. Hahaha.

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