Pessoal

Manual da minha cabeça: volume 2

Essa imagem é sua? Me avise.

Depois do último post no qual eu contei algo muito importante sobre mim, acabei dando de cara com esse artigo na revista exame que me deixou deveras alarmada. O motivo do alarme é que eu posso dizer que pelo menos 12 dos 14 itens apresentados me descrevem com uma exatidão absurda (e talvez os outros dois também). E simplesmente não é assim que eu quero viver a minha vida.

As pessoas hoje em dia têm a impressão de que ser perfeccionista é algo bom. Já virou até clichê em entrevista de emprego dizer que seu maior defeito é ser perfeccionista. Porque é chique, passa uma boa impressão(?) ao seu futuro empregador. Significa que você vai se matar para ele ficar rico em troca de um “parabéns” – o que é bem verdade.

Então agora eu vou contar uma novidade para vocês: ser perfeccionista não é bacana, não é gramuroso, não traz satisfação pessoal (muito pelo contrário) e é muito, muito, cansativo.

Entendidos? Eu acho que não, nem criança se convence com tão pouco. Então vamos lá, vamos ouvir umas histórias, montei uma linha do tempo da minha vida para vocês.

Eu devia ter uns sete anos quando fiz minha primeira prova na escola. Nem lembro como fui, mas lembro como hoje que eu estava tão, mas tão nervosa que meus pais tiveram que me prometer prendedores de cabelo pra eu controlar meus nervos e fazer a porcaria da prova. E por anos eu levava alguma coisa da minha mãe pra dar sorte sempre que eu ia fazer uma prova. Depois eu vi que eu tirava isso de letra e o nervoso foi pro espaço. Mas eu fiz o vestibular com um cordão dela.

Eu passei anos da minha vida roendo as unhas, até eu decidir que eu ia parar de roer as unhas – não porque é nojento e pouco saudável – simplesmente porque eu queria ter unhas grandes, lindas e bem pintadas; iguais (de preferência melhores) que as coleguinhas da escola. Mas continuei comendo os cantinhos.

Eu sempre corri para verificar qual era a minha posição nos “quadros de honra” e afins da vida (aquelas listas babacas dos alunos com melhores notas). Porque claro, eu sempre estava neles; na quinta série, especificamente, eu e um garoto gordinho de cílios enormes chamado Pablo passamos o ano inteiro disputando o primeiro lugar. E fui da turma de nerds no segundo ano do Ensino Médio. E jurei que nunca mais ia ver minha família quando achei que não tinha passado no meu primeiro vestibular.

Mais um exemplo? Não foi suficiente para vocês? Ok, só para não dizer que é frescura. Vocês sabem que eu estagio no mesmo lugar há dois anos? É. Já recebi muitos elogios de muita gente, todos os chefes gostam de mim, eu já sei exatamente o que eu tenho que fazer e a forma que eu tenho que fazer. Mas eu sempre leio tudo umas mil vezes antes de mandar para a revisão dos chefes. Ainda assim as minhas palmas das mãos suam e eu fico nervosa toda vez que eu vou clicar em enviar. Ou seja, trabalhar é uma atividade estressante por si só, não importa o quanto o clima do escritório seja tranquilo e minha chefe seja um amor. Eu vivo sempre sob a pressão absurda que eu coloco sobre os meus próprios ombros.

Ah, só mais uma: eu bati com o carro da minha mãe um ou dois meses atrás. E eu chorei histericamente (sem hipérboles) por uma hora, direto (again, sem hipérboles). E ainda não dirigi de novo desde então.

Acho que ilustrei bem a situação. Captaram, crianças da tia? Não queiram ser perfeccionistas – não é bacana, não vale a pena. E também não achem que quando eu digo que algo que eu fiz está/é uma merda eu só estou buscando elogios. Eu realmente acho isso e seu elogio é sempre ótimo, mas não muda nada.

Nos vemos na próxima epifania sobre mim mesma. Adeuzinho.

(Não sei porque estou me esforçando tanto pra mostrar pra vocês todos os meus probleminhas psicológicos.)

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8 Comments

  • Reply Larie 26 de maio de 2014 at 21:31

    Palo, eu nunca parei num quadro de honra na minha vida HAHAHAHA. Ai amiga, deve ser dureza mesmo. Tentei ser perfeccionista com minhas notas da faculdade, mas as exatas não me deixam fazer isso e ter uma vida normal. Desisti de viver sob esse estresse imposto por mim mesma porque meu corpo estava pedindo pra eu parar já (vida gastrite e outras doencitas más).

    Às vezes é bom a gente compartilhar essas loucuras porque a gente vê que não tá só e ajuda a esclarecer muita coisa, né? Ainda está em tempo de você dar um take it easy nas suas cobranças. Lógico que não é fácil, mas aos pouquinhos vai.

    Beijos, amiga <3

  • Reply Giuliana Motyczka 26 de maio de 2014 at 21:38

    Obviamente que corri pra ler quando vi você postando no Twitter. Esse título, por favor. Não sei o que anda acontecendo comigo, com você, com a gente, amiga. Mas essas epifanias em algum momento tem que parar, né? Não sei se aguento um ano inteiro tendo várias dessas a cada dois dias.

    Só queria dizer que eu te entendo. Não, eu não sou perfeccionista, e depois desse seu relato eu com certeza não gostaria de ser. Se em algum momento da vida já o quis, acabou aqui. O que eu vim dizer mesmo é que todos nós somos meio complicados, estranhos, sabe?

    Eu sei. Tenho andando numa vibe demais de Grey’s Anatomy ultimamente (desde os 14 anos, pra ser mais exata). Nesses últimos dias eu revi as primeiras temporadas e lembrei de coisas sensacionais que o tempo me fez esquecer, e que só Meredith Grey seria capaz de prover: “Nobody chooses to be a freak. Most people don’t even realize they’re a freak until it’s way too late to change it.” E aí depois ela começa a falar qualquer coisa sobre não mudar isso, afinal, é quem nós somos.

    Não sei se concordo sobre não mudar certas coisas, mas com certeza acho que a gente aprende, ao longo dessa vida marota, a driblar nossas insanidades. Às vezes passamos por um dia inteiro sem ter que enfrentá-las e, em outros, somos provadas a todo momento.

    Se serve de consolo, sua amiga aqui tem muitas questões psicológicas mal resolvidas (ok, não serve de consolo, mas pelo menos você sabe que eu sempre vou te compreender).

    Amo você <3

  • Reply Ana Luísa 27 de maio de 2014 at 09:39

    Amiga, eu me vi na sua descrição da creiança indo fazer prova. Eu era exxatamente assim. Já virei noite lendo 10 vezes o livro de biologia, e já quase desmaiei em cima de prova porque não sabia direito como fazer. Do nível da professora vir me abanar, me pedir para beber água, me fazer um carinho, olhar no meu olho e falar: eu sei que você sabe.
    Depois eu fui relaxando, por algum milagre da vida. Mas ainda tenho pavor de cometer erros. E, claro, sempre quero agradar todo mundo. Não que esteja exatamente ligado ao perfeccionismo, mas uma professora-psicóloga-amiga (a Hany, sempre ela) me disse uma vez que eu preciso aprender a lidar com a ideia de que é impossível fazer todo mundo me amar, e que eu deveria fazer alguém me odiar para ver que mesmo assim eu consigo viver numa boa. Sei não. HAHAHA
    Te amo! <3

  • Reply Gabriela, 28 de maio de 2014 at 14:41

    Marida, eu nunca fui perfeccionista, mas minha mãe é e eu sofro com isso por tabela. Ela sofre muito mais. É uma pressão totalmente desnecessária em cima de ti, não há motivos. Claro que falar isso não vai fazer tu ser menos perfeccionista, mas eu só quero te dizer que me preocupo. Porque estresse demais causa danos e eu não quero minha Marida danificada. HAHAHA. Te quero sempre bem.
    Te amo! <3

  • Reply marcela 1 de junho de 2014 at 00:32

    Tô no time de Gabriela aí em cima. Nunca fui perfeccionista, mas minha mãe é uó nisso e claro vivemos brigand pq ela quer tudo exatamente metodicamente do jeito dela e eu super I don’t care, mas ó tenta – tenta, eu disse hahaha- não se estressar tanto, isso só vai te trazer cabelos brancos mais cedo do q deveria. E se serve de consolo, tenho CNH mas não dirijo até hj pq eu sei que eu no volante sou um estragon e só quero ficar motorizada de vez quando estiver dominando as 4 rodas relativamente bem. =) bjos!

  • Reply Milena M. 11 de junho de 2014 at 15:04

    Assinado: eu.
    Juro pra você, amiga, essa poderia ser a história da minha vida. Eu sou muito preocupada com nota e acho que só melhorei um pouco por ter estudado o ensino médio no colégio onde estudei, que não tinha rankings de nada e todo mundo meio que se ferrava junto. Mas na faculdade retomei em parte minha cobrança.
    Li seu relato sobre o estágio com o coração apertado imaginando a agonia de dois anos disso. Eu estagiei por pouco mais de um mês e QUE MARTÍRIO. Era a constante sensação de que eu tava fazendo tudo errado, fato com o qual não sei lidar de maneira alguma.
    Como a gente faz? Como a gente esquece esse perfeccionismo torturante e abraça o lado care free da vida? Se descobrir, já sabe que tem que me contar.
    Beijo <3

  • Reply Kamilla Barcelos 21 de junho de 2014 at 11:00

    Palo, eu lembro no twtter você compartilhando esse artigo. Acabei lendo e me assustando, porque eu me vi nele.

  • Reply Mª Fernanda Probst 1 de julho de 2014 at 11:23

    Consegui superar um pouco o excesso de perfeição. A coisa toda foi tranquilizando naturalmente. Desejo o mesmo pra ti (medo de ler o artigo, mas tá)

    PS: te encontrei pelo Rotation 😉

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