Pessoal

Menina-decepção

E porque sempre que eu quero escrever mais do que tudo eu simplesmente não consigo? Acho que nasci com defeito, ou talvez não, é mais provável que seja defeito adquirido. O que eu queria mesmo era chegar aqui e pôr meu coração pra fora pela boca, por que isso costumava ser tão bom, mas tudo parece mais complexo, e eu não consigo mais lembrar como se faz. Talvez isso seja crescer, talvez eu tenha batido a cabeça com força na parede enquanto dormia. Algo definitivamente saiu do lugar dentro da minha cabeça, que na maioria do tempo já é vaiza. Dói lá dentro sentar na frente do teclado, abrir essa página que eu amo tanto e começar a cuspir baboseiras pelos dedos, baboseiras que ninguém quer ler, nem mesmo eu. Às vezes sá tanta raiva que eu penso: ‘então por que eu ainda continuo me enganando’. A conclusão que eu cheguei é que talvez eu goste de me enganar. Estou em derrocada. Decadência. Mas não desisto, pelo menos não até o dia que eu chegar aqui simplesmente para descrever cada folha de árvore que cai por aí, e pior ainda, descrever a cena, não o snetimento. Aí sim vou ter atingido o auge da queda. Nunca vim aqui falar de coisas concretas, não criei isso daqui com o propósito de descrever em detalhes cada suspiro que dou ou com o que gasto meu tempo inútil. Criei para falar das coisas como são por dentro, e eis como elas estão hoje: vazias. Vazias e tristes. Vazias porque é como eu me sinto quando não consigo encontrar nada para pôr para fora, e triste porque é o que isso sempre causa. Dezesseis anos e carreira literária no fim, nunca achei que chegaria muito longe, mas também não acreditei que fosse ser tão breve. Respirem fundo, o fim ainda não foi anunciado. Pelo menos não agora. só estou me preparando e torcendo para que quando ele chegue eu consiga ser inteligente e sensível o suficiente para conseguir perceber sozinha. Que se pervam os sonhos e os gostos, mas não o orgulho e a dignidade.

A meninda do drama.
Recém-chegados desavisados, se têm alergia à esse tipo de coisa,
aconselho sinseramente que mantenham uma distância segura.
E vamos todos torcer para que um dia eu recupere a velha forma…

Texto originalmente postado no Uol blog.

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