Pessoal

Mesmo se nada der certo

Eu sou péssima em consolar. Não é que eu não tenha paciência ou que 100% das vezes eu não saiba o que dizer, é só que eu tenho uma visão de mundo e uma postura em face da vida muito diferente em relação à maioria das minhas amigas. Eu acho que viver pode ser uma droga, mas no fim vale a pena.

Como eu virei uma pessoa “chata” de uns tempos para cá, acho bom fazer o recorte e esclarecer logo de cara que estou falando com enfoque na minha vidinha privilegiada que, em termos gerais, é bem parecida com a da maioria das minhas amigas. Desculpa não ser universal e socialmente relevante nesse texto.

Não foi uma, duas, ou três vezes que eu escutei desabafos de pessoas maravilhosas sofrendo porque está tudo bom demais. Isso não faz sentido na minha cabeça, gente. Então acho que em primeiro lugar preciso pedir desculpas se eu não sou a pessoa mais paciente e acolhedora nesses momentos — estou tentando melhorar. Mas é que o pensamento de vocês — pessoas maravilhosas, talentosas e infinitamente merecedoras — chegando perto da ideia de deixar de viver coisas boas porque em algum ponto do caminho a dor vem, me deixa muito chateada.

Viver dói, gente. Nem se trancando em casa para todo o sempre dá para evitar isso. Dói quando alguma coisa dá errado, dói quando o que a gente quer está fora do alcance, dói quando a gente vive algo incrível e de repente acaba, dói fazer planos e dar tudo errado. Dói. É impossível evitar a dor, e é ridículo achar que era melhor não ter vivido algo só porque não durou para sempre. Nada dura para sempre. E o que a gente deixa de viver também dói. Evitar a dor não impede que ela exista.

Tem outras droga no mundo, migo.

Tem outras droga no mundo, migo.

Não é que eu não sofra. Muito longe disso. É só que minha meta diária é não deixar a perspectiva do sofrimento me impedir de viver. E grazadeus eu sou inconsequente o suficiente parar conseguir uma taxa de sucesso satisfatória nesse campo.

O resumo da ópera é que tudo dá errado, mesmo o que dá certo. Sim, o que dá certo também dá errado e eu vou continuar repetindo essa frase em todas as configurações possíveis para ver se o mundo assimila. Deixar de viver porque pode dar errado é deixar de arriscar que dê certo. Aceitar o que está meio ruim porque se tentar mudar pode ficar pior é deixar passar a possibilidade de ter o bom. E, mais importante, ficando no bom e seguro o tempo todo a gente deixa de viver o incrível.

Não estou pregando que ninguém saia por aí se jogando em todas as possibilidades de cilada que passarem na esquina. Só estou dizendo que quando uma possível-talvez-quem sabe cilada bate na sua porta, tudo bem dizer sim mesmo com a possibilidade de dar tudo errado daqui a dois passos. E se a gente parar de pensar o tempo todo no quanto isso vai doer daqui a cinco minutos, fica melhor ainda. No fim, na melhor das hipóteses, a gente descobre que podia mais do que a gente sabia.

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12 Comments

  • Reply Carol 8 de outubro de 2015 at 02:51

    Gente, apenas sim? Sim para esse texto, sim para se arriscar na vida, sim, sim.
    É um conselho que eu vivo dando para todo mundo, esse de “se você nem tentar, aí as chances de dar errado são 100% mesmo”. Queria conseguir segui-lo mais vezes na vida. No fim não adianta mesmo tentar evitar o sofrimento, porque ele vai vir. E aí depois vem a alegria. Depois sofre de novo, depois fica feliz de novo, acho que compartilho um pouco dessa sua visão de vida. Sei lá, se tudo der errado depois pelo menos ficam as histórias pra contar né? hahaha

    Beijo!

  • Reply Pôdim 8 de outubro de 2015 at 10:04

    Amiga, amei profundamente esse texto, porque sinto que estamos sempre nesse mundo dando nossas caras à tapa. Às vezes sai coisa boa, às vezes sai coisa ótima que dura pouco (ou nada), às vezes sai umas merdas gigantescas. Mas o que importa é que a gente (tenta) vive(r), e eu amo viver perto de vc hahahah bichas

    Te amo muito socorro

  • Reply MI 8 de outubro de 2015 at 14:13

    Você é muito sábia, Bird.

  • Reply Ana Flávia 8 de outubro de 2015 at 16:47

    Ei Paloma! Tempão que não venho aqui! Vou até aproveitar e ver o que andou postando.
    Ai, esse texto seu me fez um bem danado, sabia?
    Sou bem dessas pessoas que vivem com o pé atrás e vivem mimimizando porque tudo está/pode dar errado. Mas a gente tá aqui né e isso já é incrível.
    Vou tentar arriscar mais, o não a gente já tem, bora correr atrás de muitos SIMS!
    Beijo.

  • Reply Sharoneide 9 de outubro de 2015 at 14:39

    Li esse texto umas duas vezes antes de mimar e continuo sem saber muito o que falar, mas amiga, posso te dar um abraço? Amei tanto o que você escreveu, e foi tão engraçado isso ter vindo numa hora que eu meio que preciso ler essas coisas, sabe? Acho que já salvei nos meus favoritos no Bloglovin, mas só por via das dúvidas, talvez eu imprima e cole no meu mural. Só assim, pra não correr o risco de esquecer.

    Te amo demais <3

  • Reply UM MEME SOBRE LIVROS | Starships & Queens 12 de outubro de 2015 at 17:26

    […] como algo natural, que pode passar ou não, mas com o qual eu consigo lidar e tudo bem. Não dá pra viver sem dor, e se viver ainda é a melhor saída (eu acho que é, né), que seja assim […]

  • Reply Plân 12 de outubro de 2015 at 20:05

    Amiga, vou lembrar desse post toda a vez que eu ficar com esse medinho de viver as coisas por medo de doer. Eu falo muito isso de “meu deus, ta tudo ótimo não pode ser” porque eu sou uma bela de uma pessimista, mas estou tentando mudar isso com todas as minhas forças.
    Quando eu começar com esse papo perto de ti, por favor me de umas chacoalhadas para eu acordar para a vida, ta?
    Te amo! <3

  • Reply Analu 13 de outubro de 2015 at 15:26

    Amiga, tatuei esse post no meu mural e na minha alma. Você é maravilhosa e é sempre muito importante afastar esses pensamentos neuróticos like “TÁ TUDO TÃO BOM QUE SÓ PODE DAR MERDA”.
    Te amo muito. <3

  • Reply paulis 14 de outubro de 2015 at 18:58

    eu precisava desse post na minha vida, pra ler e reler e reler (…) todos os dias. <3

  • Reply Gabriela 17 de outubro de 2015 at 12:23

    Tenho acreditado cada vez mais nisso tudo que você disse no seu post. É difícil pra mim uma vez que meu ser neurótico e ansioso só deseja rolar na grama em paz e esquecer os problemas. Mas os problemas não apenas partes da vida, eles meio que são a vida (?). Sinto como se tudo que a gente vive, experimente, conquista ou perder só fosse possível por causa dos problemas. Como se eles nos movessem pela nossa linha do tempo, e não a esperança ou a beleza das coisas.

    É estranho, quase um pessimismo que me faz mais otimista, só que de um jeito real.

    Ok, não fez sentido. Hahahah.

    Beijo!

  • Reply Ana 20 de outubro de 2015 at 19:23

    Esse post foi um tiro maravilhoso no meio das minhas fuças. Eu tento com muita força mudar minhas ideias erradas de “que se tá bom, vai dar merda”. Eu preciso aprender isso constantemente. Já não fiz e não me entreguei pra muita coisa parte por receio de dar errado e parte por saber que ia dar errado (algumas coisas a gente sabe). Mas esse ano me joguei num negócio que poderia dar muito errado, mas que tem me feito muito feliz. Eu aprendi bastante dessa experiência e ler esse teu texto foi meio que gasolina pra mim. Pra continuar indo. Curti muito. <3

    Beijão!

  • Reply Ana Chamilete 23 de outubro de 2015 at 22:06

    Também sou do tipo que não sabe agir em algumas situações, a pessoa fala fala fala e eu fico tipo: ta, e agora? HUEAUEUAEHA E também penso que a vida vale a pena, até mesmo nas horas ruins. Tudo tem um propósito de aprendizado. Um beijão e até mais.

    http://www.queridaga.com

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