Pessoal

Não sou consumista, só tenho uma forte ligação espiritual com as compras

Estou falando sério. Por exemplo: recentemente comprei um celular pela internet que ainda não chegou, mas eu acredito piamente que minha vida vai mudar completamente depois que ele chegar. Tipo guinada brusca. Cento e oitenta graus.
Vocês podem até tentar dizer que isso não tem a ver com o consumo, mas com o celular. E que hoje em dia um celular realmente pode mudar a vida de uma pessoa e tudo o mais. Mas não é só isso, e eu tenho outros exemplos para provar.
Toda vez que eu compro roupa, eu crio a convicção inderrubável de que o mundo é bom e que é a nossa cabeça quem cria nossos problemas. Quando eu compro sapatos, todo o peso do mundo sai dos meus ombros. Quando eu compro livros então – meu deus! – nem se fala; parece que cada um deles é capaz de destruir os problemas e me tornar uma pessoa melhor (mesmo que depois disso ele passe anos intocado na estante). Até comprar uma bala já é bom.
Podem chamar de frescura, futilidade, do que quiserem. Mas comprar é mesmo uma terapia. Auto-conhecimento, análise dos próprios gostos e necessidades. É também um um exercício de interação social. Você interage com os vendedores, com os outros clientes – todo mundo é amigo, todo mundo (ou quase) é gentil, tudo é luz e alegria. Só de pensar já dá vontade de sacar o cartão de crédito.
Também não precisam sair por aí pensando que eu sou alguma espécie de Becky Bloom. Tenho todas as minhas contas sob controle e uma poupança cuidadosamente reservada for the rainy day. Eu só acho justo que depois de um mês de trabalho suado (em jornada dupla – se querem mesmo saber), eu tenha o direito de pegar os resultados e usar em algo que eu goste de fazer.
Existem outras coisas igualmente ou mais prazerosas para se fazer com o dinheiro que não se enquadram exatamente na categoria “comprar”, claro. Viajar, sair com os amigos, ajudar alguém que precise. Nunca excluí nada disso.
Tem também aquelas pessoas que não veem a menor graça na atividade – meu pai, minha avó. E aquelas que gostam demais. C’est la vie, cada um com os seus problemas. Eu fico aqui, na mesma, com minha apreciação saudável da atividade de trocar dinheiro por produtos.
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3 Comments

  • Reply Gabriela Couth 8 de maio de 2013 at 21:38

    Pra mim, a melhor compra é aquela desavisada, que você tava indo comprar tapioca e pluft, comprou um sapato (true story). Comprar pelo eBay é meio assim também: você paga, esquece, sofre porque não chega, até que um dia aparece na sua casa um presente do Papai Noel! Sério, é muito bom, hahaha

    Beijo Palominha!

  • Reply Gabriela, 8 de maio de 2013 at 23:44

    Eu também acho que comprar é uma terapia. Me faz muito bem e eu nunca vou me negar a isso, não importa o que digam. 🙂
    Beijo.

  • Reply Imilena Oliveira 10 de maio de 2013 at 06:34

    Comprar é bom demais Palominha| claro que concordo que nao se deve gastar tudo que tem, mas pra que trabalhar tanto e nao poder usufruir? Nao sou uma consumista nata mas concordo com tudo que voce disse no seu texto.

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