Pessoal

Novos começos

Escrever um livro para mim sempre foi assim: uma sucessão de novos começos. Tantos começos, um atrás do outro, que eu já até estabeleci uma espécie de “rotina” na hora de começar uma história nova.

A primeira coisa que eu sempre faço é abrir o google e digitar “como escrever um livro”. A esperança de que alguém já tenha descoberto uma fórmula mágica para fazer isso, ou pelo menos inventado um tônico que não nos deixe desanimar no meio, nunca morre. (Ok, eu sei que se fosse fácil assim não teria a mesma graça.) Infelizmente, o resultado é sempre o mesmo, então eu simplesmente abro algumas das páginas indicadas, leio alguns textos e começo a me preparar psicologicamente para a aventura que está prestes a começar.

Essa etapa não é simplesmente uma preparação psicológica: sempre ajuda saber um pouco da experiência daqueles muitos que vieram antes de você. Não adianta achar que é só abrir o word e sair escrevendo. Se para você funcionou assim e tudo deu certo, maravilha; mas normalmente você precisa pensar bastante no livro antes de começar de fato a escrevê-lo.

Normalmente, o caminho mais “garantido” (e você pode aprender isso com relatos de outros ou com a sua própria experiência) é ter tudo bem planejado antes de começar a escrever. Personagens, cenários, trama, reviravoltas, pesquisas e o que mais possa ser necessário para o seu estilo de livro. Muito mais agradável “perder tempo” com isso agora do que ser obrigado a interromper a história no meio mais para frente e repensar tudo que você já escreveu.

Vocês podem dizer que eu acho que sei tudo, mas só estou repetindo o que ouvi por aí. Na verdade, eu já tentei de todas as formas possíveis e imagináveis, então acho que posso falar por experiência própria. Ainda assim, não é errado aprender com algo que não se viveu — aprender com os erros e acertos dos outros não é só válido, como inteligente.

Enfim, passada essa fase, eu acabei não fazendo mais nada, por falta de uma boa ideia para perseguir (pois é, o elemento central de um livro sempre será esse). Até que ontem à noite eu me reapaixonei com uma história antiga e já esboçada, e decidi voltar para ela começando do zero.

Foi dessa forma que, três horas depois, lá estava eu, com um esboço quase completo da minha história. Não é emocionante? Fiquei tão animada com ela, e com o coração tão acelerado que demorei um bom tempo para parar de pensar e conseguir conciliar o sono depois. Mas isso são cargas d’água para quem tem o dia ocupado e precisa escrever de noite.

Ainda faltam alguns passos básicos antes de realmente começar a escrever o livro propriamente dito (a parte mais divertida e empolgante), mas eu já me sinto infinitamente mais próxima do meu objetivo. Jamais subestimem o valor do primeiro passo.

Claro que esse esboço inicial ainda vai sofrer algumas alterações até que tudo esteja pronto e revisado, mas vocês não fazem ideia (ou fazem) da diferença absurda que faz o fato de você já ter de antemão seu curso traçado. Quem segue um mapa não se perde na floresta.

Agora preciso voltar para o meu livro, antes que eu acorde e descubra que sonhei com isso tudo. Mal posso esperar para ver meu bebê tomar forma.

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4 Comments

  • Reply Nina 29 de julho de 2013 at 10:08

    Pois vá em frente, desate os nós da tua história, desabafe personagens em papel. Um livro escrito é uma conquista e tanto. Maravilha você já ter dado o primeiro – e GRANDIOSO! – passo.
    Beijão.

  • Reply del 29 de julho de 2013 at 12:06

    Eu acho assim: se o manuscrito não sofreu nenhuma alteração ou mudança drástica durante o processo criativo, significa que o escritor fez algo errado. Desistir faz parte. Nossa, como faz parte! Às vezes a gente se cansa da própria criação. Mas o importante mesmo é você seguir em frente, não se deixar desanimar com pormenores e confiar no seu taco. Pedir pra que alguém leia a sua obra antes de estar concluída pode ser uma decisão tão errada, mas tão errada! Primeiro porque a pessoa não tem como adivinhar o que você quer transmitir e depois as alterações podem te levar pra um rumo completamente diferente, logo, o veredicto do leitor cai por água abaixo, sabe?

    Enfim, você nem pediu dicas e eu tô aqui escrevendo pelos cotovelos 😛

    Só posso desejar boa sorte, já que um livro é o mundo particular do escritor, que é o único com a chave de entrada. Não se esqueça: permita-se! 🙂

  • Reply Flá Costa 4 de agosto de 2013 at 22:19

    Ai amiga, eu já tentei tanto escrever livros…crio personagens incríveis e começo no maior gás màs no meio do caminho me desanimo, encontro falhas e começo a achar tudo ruim! Depois de um tempo leio de novo e penso: pq eu não continuei? Estavá bom!

    Foi boa a ideia do esboço…nunca fiz! Vou tentar da próxima vez! Aproveite sua inspiração!

  • Reply Saindo da inércia ◂ Vizinha da Capitu 1 de fevereiro de 2016 at 20:18

    […] de muita informação reunida no assunto, ele divide o que ele aprendeu com a gente. E vocês já ouviram bem como eu aprecio seguir dicas de quem já trilhou o mesmo caminho que eu. (Em tempo: muito obrigada […]

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