Pessoal

O dia que a minha roomie tentou me matar

Esclarecimentos preliminares primeiro: Letícia, a roomie, tem o maravilhoso hábito de passar a corrente na porta de casa quando eu não estou e me deixar trancada do lado de fora. Coincidências do destino, 9 entre 10 vezes em que eu chego, abro a porta e descubro que estou — de novo — trancada no corredor, ela calha de estar cochilando como um bebê. Por algum motivo, eu sempre começo gritando o nome dela com o tom gentil que vocês devem imaginar, e ela nunca ouve. Mas até esse dia específico, um toque da nossa campainha discreta-sqn e/ou do celular dela costumavam ser suficientes para fazer com que ela levantasse o corpinho da cama e viesse com cara de “ops, I did it again” me deixar entrar.

Então eram quase 23h e eu estava chegando de São Paulo após uma grande saga, emocional e fisicamente exausta. Destranquei a porta e estava presa, como sempre. Gritei o nome dela, só para não quebrar a tradição, e já fui apertando a campainha. Nada.

Apertei a campainha uma, duas, três vezes. Toquei Ludmilla com o sino. Segurei a bicha por um minuto, nada. Lá dentro, tudo aceso, mas nem um sinal de movimento. Saquei o celular e liguei para o dela, mas só tocou até cair na caixa postal. Aproveitando os benefícios de ter duas mãos, continuei ligando enquanto seguia com a sinfonia da campainha.

Lendo assim, você pode até achar que eu estava muito calma, muito tranquila, mas a verdade é que na minha cabeça todos os tipos de coisas horrorosas tinham acontecido com a menina lá dentro, e eu estava presa no corredor.

O que uma pessoa normal faria numa hora dessas, alguém saberia me dizer?

Continuei a dinâmica campainha-telefone-gritos. A coitada da vizinha da frente até saiu para ver por que a garota insana do 801 está tentando demolir o prédio depois da hora do silêncio. Eu explico pra ela o que está acontecendo, e a boa senhora pergunta se eu não tenho a chave da correia. Queridos, eu nem sabia que correias tinham chave, então eu garanto que a imobiliária nunca entregou para a gente droga de chave de correia nenhuma. E se eu não tinha a chave, eu não podia entrar; e se Letícia não tinha a chave, não existia nenhuma possibilidade de ela ter resolvido apenas sair, deixando todas as luzes acesas, e passar a corrente por fora (por mais sentido que essa ideia possa fazer).

Sem saber o que fazer, Dona Silvana me empresta as chaves da corrente dela para tentar abrir a minha. Como era de se esperar, esse plano não vingou.

Então eu resolvi ligar para minha mãe (sim), mesmo sabendo que ela não podia fazer nada, apenas porque foi a única coisa que eu consegui pensar em fazer. Vai que ela tem alguma ideia, sei lá. Então meu pai entra na sinfonia e começa a ligar para o telefone da minha casa enquanto eu gritava e tocava a campainha e falava com a minha mãe e com a vizinha.

A essa altura, eu já tinha certeza absoluta que Letícia era morta, possivelmente assassinada, de uma forma bem sangrenta. O que significava também que em algum lugar do apartamento estava escondido um assassino muito perigoso. Tudo isso passou pela minha cabeça naqueles momentos.

Mando minha mãe ligar para os pais da garota. Mas, claro, ela perdeu os números de telefone que, antes de eu me mudar, ela tinha me garantido que precisava ter e nem lembrava mais que tinha recebido.

— O que os pais dela vão poder fazer?
— Nada, mas eu acho que eles deveriam saber que a filha deles está morta.

Enquanto isso, a vizinha liga para a casa de um outro vizinho para saber se ele podia vir cortar as minhas correntes. Ele não estava em casa. Eu já estava quase chorando, a vizinha estava em pânico também, meus pais já tinham entrado na pira do desespero e a sinfonia continuava. Será que eu devia chamar a polícia? Os bombeiros? Uma ambulância? Um chaveiro? (Na verdade, essa última hipótese nem passou pela minha cabeça naquele momento, gênia.) Pelo menos vinte minutos tinham se passado, mas parecia uma vida.

Olhei para a porta, a porta olhou para mim, tudo parado e aceso lá dentro. Eu já tinha certeza absoluta que eu não queria entrar ali, porque eu ia encontrar algo muito horrível que eu jamais ia superar enquanto eu vivesse. A Letícia estava morta e apodrecendo dentro de casa, não existia nenhuma outra explicação.

Então, só por via das dúvidas, eu gritei o nome dela uma última vez.

E a criatura me aparece.

Correndo.

Com cara de quem realmente acabou de levantar dos mortos.

Moral da história

Inimigos, quem precisa deles quando os amigos fazem o trabalho tão bem sozinhos?

Esse post é parte integrante do meu BEDA. Para saber mais sobre essa cilada leia esse post. Tem sugestão de tema ou pergunta para a minha pessoa? Deixe nos comentários ou entre em contato.

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12 Comments

  • Reply Banana 2 de agosto de 2015 at 10:36

    HAHAHAHHA Passarinha, eu já sabia dessa história, mas estava ansiosa pelo relato no blog. Eu também ia morrer do coração – ODEIO quando as pessoas me apavoram desse jeito e depois eu descubro que estavam apenas cochilando ou com o celular no silencioso. Quando eu e Anna formos incluídas no apê vamos proibir essa palha assada de corrente, pelo amor!

    Te amo <3

  • Reply Amanda Tracera 2 de agosto de 2015 at 10:56

    AHAHAHAHAHAHAHA gente! Sabe que eu tô rindo da situação, mas, quando era pequena, já fiz coisa parecida com a minha avó, porque peguei no sono uma vez em que estava sozinha em casa e ela viria aqui fazer almoço e acabei nem ouvindo a campainha. Só fui acordar depois que a família inteira já tinha ligado, isso porque, de alguma maneira, eu comecei a ouvir gritos e sons de sino dentro do meu sonho. aahahahahaha

    Beijo!

  • Reply Chica 2 de agosto de 2015 at 12:27

    Meu Deus, no seu lugar eu teria feito um escândalo bem parecido – se não maior. Pra mim gente que some, seja por 20 minutos ou 20 dias, é porque morreu de desastre. É sempre a primeira coisa que eu penso, por mais que meu lado racional me encha de indícios que algo ruim assim ter acontecido é mínima. Não atendeu o celular, morreu. Me ligou fora de hora, alguém morreu. É maravilhoso ser euzinha.

    Pode deixar que no nosso apê ninguém vai viver episódios de quase-morte, muito menos fechar correntes <3
    te amo!

  • Reply Ana 2 de agosto de 2015 at 12:32

    HAHAHAHAHAAHH Morta com o relato. Eu acho que ia tentar destruir a porta de tanto bater, e muito possivelmente já ia calcular se ia dar tempo de passar na cozinha pegar uma faca antes de adentrar o terror que deveria ter acontecido lá pelos quartos e coisa e tal.

    Uma vez minha irmã, quando nova, se trancou dentro do nosso antigo apartamento e a gente teve que chamar os bombeiros pra tirar ela de lá. Ainda que era no segundo andar, mas foi uma baita de uma cena.

    Beijos!

  • Reply Pudim 2 de agosto de 2015 at 13:08

    Hahahhahahahahaha no dia que você contou eu morri de rir, porque dias atrás (PENSAVA EM VOCEE) estávamos com Letícia no Pavão Azul e você contou uma versão mais light dessa mesma história. #ai #leticia

    E sim, amiga, tem chave nesse tipo de corrente que vocês tem. Tudo bem que com esse recadinho meigo ela não se atreveria em usar, mas é melhor prevenir, né? Manda logo fazer essa chave.

    Hahahahahah
    Beijos!

  • Reply Thay 2 de agosto de 2015 at 13:28

    HAHAHA, como a nossa mente viaja para os piores cenários em questão de segundos, não é mesmo? No seu lugar eu possivelmente teria pensado em todas as coisas ruins possíveis e impossíveis, pois pra quê coerência? Sempre que ligo pra alguém e a pessoa não atende eu logo penso que a pessoa tá de morta a pior, HAHAHA. XD

    E curti a delicadeza do recado, melhor não correr o risco de passar por tudo isso de novo.
    Um beijo!

  • Reply Sharoneide 2 de agosto de 2015 at 13:56

    HAHAHAHAHAHAHA Amiga, socorro
    Quando cê contou essa história eu fiquei aflitíssima porque, obviamente, teria pensado as piores coisas possíveis. É claro que Letícia estava morta, apodrecendo, o apartamento cheio de sangue e o assassino possivelmente escondido em algum lugar. Acho que a gente anda assistindo muito filme.

    Agora um comentário muito inútil: essas correntes super lembram minha infância porque minha mãe vivia passando na porta. Sdds.

    te amo <3

  • Reply Ana Flávia 2 de agosto de 2015 at 14:46

    Dividir apartamento e quase morrer de susto, quem nunca?!
    Bom que depois que passa o susto, rende textos assim, pra gente se divertir. HAHA
    Tomara que menina Letícia não se arrisque a usar de novo essa corrente, mas, vai que né?!
    Se tem a chave desse negócio, faça uma cópia antes que morra do coração ou mate a menina de novo. hehe

    Beijos.

    (obrigada pelo recadinho lindo lá no Prato, amei.)

  • Reply Plân 2 de agosto de 2015 at 15:39

    Amiga, pelo amor de cristo, como tu conseguiu ficar 20 minutos na loucura e na pira de ficar chamando ela? Eu, nos primeiros cinco minutos, estaria no chão, chorando e já teria ligado para polícia. Obviamente eles ficariam putíssimos, mas enfim.
    Campanha Letícia, tenha o sono mais leve, amiga, pelo amor. E sim, não use mais essa corrente dos diabos.
    Beijos, meu amô <3

  • Reply Rafaela 2 de agosto de 2015 at 23:09

    Amiga, eu vi seu desespero sendo contado lá no wpp da Máfia e quase morri. Odeio quando as pessoas somem também. Uma vez meu belo papito resolveu dar uma passeada de moto, sem avisar a ninguém, e nós ficamos umas 3 horas sem notícias — eu cheguei a sair mais cedo da faculdade pra iniciar uma busca de carro. Juro, foi terrível. E depois ele simplesmente apareceu, com um sorrisão na cara.

    Desesperador.

    Te amo! Beijo

  • Reply Wanila 3 de agosto de 2015 at 14:18

    Juro que tô rindo tanto que nem sei o que comentar! hahahah

  • Reply Bela 26 de setembro de 2015 at 12:35

    Meu apenas HSUIHAUISHUAHUHS drama!
    Pensei que eu passava apuros dividindo a casa com minha irmã

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