Pessoal

O drama de não viver sozinho (2/7)

Ou A arte de conviver

Talvez tudo fosse mais fácil se não existisse ninguém no mundo além de mim. Não existiria trânsito – e muito menos brigas de trânsito -, nem filas, nem guerras, nem doenças contagiosas… Eu só teria que conviver comigo mesma e ponto. Se bem que isso dificilmente poderia ser chamado de “com-viver”, e sim apenas “viver”, ou sobreviver.

Muitas vezes as pessoas me irritam. Cargas d’água do fato de eu ser uma pessoa irritável e elas, pessoas irritantes (todos somos). Em geral eu fico na minha (ou não), mas se tem uma coisa que eu tenho certeza é que eu não reajo nem de longe tão mal quanto algumas pessoas que nós vemos por aí todos os dias.

É disso que os jornais estão cheios: gente que não sabe conviver. Gente intolerante. Gente que não percebe que o outro sempre vai ser diferente, não importa a nossa vontade. Gente incapaz de ver que todo mundo que passa na nossa vida vai nos irritar em algum momento, e que talvez o problema seja conosco.

Todo ser humano que existe na terra (ou quase todo, Gandhi, Chico Xavier, Madre Teresa e similares podem ser dispensados) deveria ganhar um passe direto para uma aulinha básica de boas maneiras e paciência. Só assim para esse mundo ficar um pouco mais habitável.

No fim das contas, nós não temos saída. A ordem do dia é convivência ou morte, e muitas vezes se opta pela segunda opção. Mesmo que em alguns momentos um mundo solitário pareça desejável, na maior parte do tempo é apenas uma ideia muito deprimente. As it turns out, se nós precisamos de companhia para viver, precisamos também pagar o preço de aceitar o outro.

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5 Comments

  • Reply Milena M. 6 de agosto de 2013 at 00:47

    Essa é um dos maiores desafios do mundo pra mim, Palô! É muito difícil entender os outros porque estamos muito ocupados tentando entender a nós mesmos. Dificilmente estendemos aos outros a compreensão e a disposição que temos com nós mesmos. É triste, né? Mas ao mesmo tempo é tão difícil tentar melhorar…
    Continuemos tentando! Beijo!

  • Reply Ana Luísa 6 de agosto de 2013 at 01:26

    Amiga, já dizia Sartre: “O inferno são os outros”. Nesse momento, eu parafrasearia e diria ainda mais: “O inferno é o fato de nós precisarmos tanto dos outros”!
    Beijos!

  • Reply Gabriela, 6 de agosto de 2013 at 02:04

    Ai, Palo… eu tenho visto muito disso aí. Dessa intolerância toda, desse “não saber conviver” entre as pessoas. Acho triste.
    As pessoas deveriam aprender a tratar os outros como pessoas também, seres humanos. O que eu acho que daria certo: se colocar no lugar do outro antes de qualquer coisa, antes de qualquer impulso. Vendo o lado do outro, muitas vezes enxergamos mais além.
    Beijo! <3

  • Reply Mayra 6 de agosto de 2013 at 16:11

    ” Mesmo que em alguns momentos um mundo solitário pareça desejável, na maior parte do tempo é apenas uma ideia muito deprimente. As it turns out, se nós precisamos de companhia para viver, precisamos também pagar o preço de aceitar o outro.” QUE SENSACIONAL. Eu nem sei o que comentar, porque é aquele tipo de coisa que a gente tá cansado de saber, mas nunca aprende, sabe? Gênia. Passarei o dia refletindo!
    Abraços!

  • Reply Anna Vitória 6 de agosto de 2013 at 19:39

    A última frase diz tudo, Palomitcha. E tem que pensar também que os outros aguentam a gente, né? Fico pensando que tem dias que conviver comigo deve ser uma droooooooga, então relevo quando algumas presenças são uma droga também, haha.
    Beijo!

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