Pessoal

O Muro

E eu faço tempestades em simples copos d’água, sem me arrepender depois de ter exagerado. E me irrito com coisas demais, e falo demais, durmo demais, reclamo demais. Há coisas demais em excesso em mim. Abundancia nem sempre é bom, tudo tem que ir somente até atingir um limite. Mas aonde fica o limite? Como se sabe se ele já ficou para trás, ou se ainda está muito a frente, posso estar pisando nele nesse exato momento e nem me importar com isso. O prazer de cruzar limites, ir até perto do fogão quando a mamãe falou que eu tinha que ficar longe da cozinha. Me empurrar, me forçar para ir até depois do lugar que eu achava que podia ir, decidir o que eu quero, e não o que querem para mim. O objetivo de viver é errar, bater com a cara na parede e depois levantar, feliz da vida porque caiu, escolher ir na direção da parede ao invés de desviar, até aquela parede não ser mais tão interessante, então a gente procura outra, quem sabe maior e mais forte, testar a própria resistência, muito além dos próprios limites. Fazer o que quer fazer, porque no fim é isso que se tem que fazer, não agradar ao mundo, e sorrir em frente às câmeras, mas ser menosprezado, e sorrir sem que niguém precise ver.

Texto postado originalmente no Uol blog.

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