Pessoal

Ode às havaianas

A evolução dos sapatos é uma coisa muito curiosa. Eu não tinha sapatilhas quando era criança. Nem lembro da existência delas nesse planeta até mais ou menos o meio da minha adolescência. Na infância eu tinha muitas sandálias e tamancos (!), um ou outro tênis. Depois veio a pré-adolescência e os tênis de plataforma (!!), que graças a deus não duraram nada. E então os coturnos e all stars na minha fase emo-grunge-trevosinha-seguidora-das-sombras.

Durante a adolescência eu e meu all star éramos inseparáveis. Eu tinha vários, claro — um rosa, um de cano médio com estampa de caveirinha do lado de dentro, um branco de vinil que era muito maior que o meu pé, um branco de tecido mesmo que eu usava para ir para a escola e acabou virando rosa num dia que a rua inundou, um vermelho que era o meu segundo favorito, e por aí vai. Mas quando eu falo “meu all star”, eu falo de um específico: o preto que foi meu primeiro e meu último, e quase não saía do meu pé. Aquele bichinho nunca foi lavado (juro). Era absolutamente imundo e cheio de rabiscos, deliciosamente macio com todo o uso. Só de lembrar sinto saudades dele. No fim da vida do coitadinho eu frequentemente olhava para os meus pés e perguntava se ele ainda teria sola quando eu voltasse para casa.

Então as sapatilhas surgiram no mundo e de repente eram tudo o que a gente calçava. Eu superei minha fase dark e desapeguei do meu sapato de estimação. E nunca mais comprei outro all star. Hoje em dia estou 90% do meu tempo de sapatilha, porque elas são o mais próximo que eu consegui encontrar de socialmente aceitável (ou nem tanto, no caso da minha de estimação que uso todo dia) + suficientemente confortável (se você souber escolher e der sorte). Mas elas jamais serão meu sapato preferido.

Como todo mundo já sabe pelo título do post (sou péssima com mistério), eu sou uma amante assumida das havaianas. Exceto quando estou trabalhando, é muito provável que você me encontre desfilando por aí com um chinelo de borracha e sendo a pessoa mais feliz do mundo. E eu posso — sou carioca.

No meu ponto de vista, não há absolutamente nada que não se possa fazer calçando uma dessas. Começando pelo mais básico, como ir à praia, até passear na rua, ir ao mercado, à padaria, andar até a esquina sem propósito nenhum, descer até a portaria para colocar o lixo para fora, ir ao médico, ir ao shopping, à faculdade, ao curso de inglês. O único motivo de eu ainda não ter usado havaianas para a balada é amor aos meus pés, que com certeza terminariam ensopados e completamente pisoteados. Mas deveria ser levado em consideração que mais da metade da minha festa de formatura eu desfilei com as minhas havaianas estilizadas da turma, e não podia estar mais feliz com isso.

Houve uma época também em que eu tive coleção de havaianas. Tinha dezenas. Então minha mãe sorrateiramente se desfez de várias (é o único sapato que nós conseguimos dividir mesmo calçando números diferentes), e eu comprei outras. A vantagem de se calçar 35 é que atualmente dá para comprar havaianas tanto de modelos infantis, quanto de adultos. O que isso tem de bom? Tenho vários modelos das princesas. E sim, isso me faz muito feliz e não me causa nenhum tipo de constrangimento.

Nunca conheci ninguém que não gostasse de havaianas, apesar de a maioria das pessoas não adotarem como estilo de vida da mesma forma que eu. A verdade é que ninguém nesse mundo inventou nenhum calçado tão maravilhoso ainda (e sim, eu já tentei alpargatas e até gosto bastante). Havaianas são macias, não machucam, são um charme, muito mais baratas que qualquer outro sapato e ainda te impedem de levar choque (!).

Eu. amo. havaianas. Num nível inexplicável. Mas acho que deu para ter uma ideia.

he he he

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Esse post é parte integrante do meu BEDA. Para saber mais sobre essa cilada leia esse post. Tem sugestão de tema ou pergunta para a minha pessoa? Deixe nos comentários ou entre em contato.

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6 Comments

  • Reply Sharoneide 30 de agosto de 2015 at 00:51

    Acho que as pessoas deviam aprender com os cariocas a aceitar havaianas em, pelo menos, 80% das situações. Shopping, por exemplo, é um lugar que eu total não entendo a galera super se arrumar. Eu me arrumo? Às vezes. Mas ia preferir bem mais estar de havaianas, short e camiseta, ainda que meu batom de gótica estivesse lá porque também não posso negar minhas origens. Por favor, amiga, venha dar umas aulas pros brasilienses.

    te amo <3

  • Reply Bolo de Cookie 30 de agosto de 2015 at 12:38

    Acho importante chegar aqui para contar essa história que acho que você não sabe: minha avó não usa havaiana porque NÃO SABE USAR. Ela vem contando isso, meio chorando, diz que é desconfortável, que é pesado no pé, e muito, muito, MUITO difícil de usar. Sempre olho com a minha melhor cara e digo: sim, a senhora não sabia que tem que fazer um curso superior de usar havaiana? Tem mestrado e tudo sobre como usar, não é pra qualquer um mesmo não.

    Ela acha graça, mas me odeia, e eu acho graça, e não consigo entender (mais) essa neura.
    Também queria usar havaiana mais.

  • Reply Naninha 30 de agosto de 2015 at 15:46

    Amiga do céu, assino embaixo dessa ode porque AMO DEMAIS havaianas. Moro num lugar gelado e tenho 5 pares dentro do armário, imagina quando eu virar carioca? Já estou em dúvida de qual levarei nas minhas férias para me divertir por aí.

    Te amo!

  • Reply Alessandra Rocha 30 de agosto de 2015 at 23:07

    Ai Palo, NÃO ENTENDO como você e tantos cariocas e paulistas e pessoas num geral tem coragem de andar de chinelo na rua! Eu acho havaianas as coisas mais confortáveis e realmente tem poucos sapatos como elas, mas eu simplesmente não-uso-sapato-aberto-na-rua! Tenho nojinho! No máximo ia na padaria com eles quando morava no prédio, mas agora aqui em casa a padaria é mais longe e prefiro por um tênis ou uma sapatilha mesmo hahah

    Mas enfim, achei essa ode validíssima!

    beijo!

  • Reply Wanila 30 de agosto de 2015 at 23:10

    Gente, como me identifiquei com esse post! Embora minha fase das sapatilhas tenha passado e dado lugar as botinhas e coturnos, havaianas tem e sempre terão seu lugar. Graças a Deus meu cachorro parou de comê-las, e eu não preciso comprar uma nova a cada semana.

  • Reply Thays 12 de novembro de 2015 at 19:04

    Eu gostaria de saber o que fazer qd me olham com cara estranha pq estou usando havaianas?

    Trabalho em consultorio e as vezes saio durante o trabalho pra levar guias médicas na central da unimed que é muito longe do meu trabalho, ao invés de ir de salto, calço havaianas e vou e volto tranquila, mas tem umas mulheres que me olham como se eu fosse mendiga!

    as vezes fico com vergonha. kkkkkkkkkk

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