Pessoal

Os pais da gente

Quando nossos pais deixam de ser os gigantes que sabem mais do que qualquer um sobre o mundo e sobre a vida? Em que momento eles deixam de ser onipotentes e se tornam só… Pessoas? É como se, de um momento para o outro, eles simplesmente não tivessem mais a resposta para os males do mundo.
Eu sempre achei que eles tinham as respostas certas, mas de um tempo para cá eu comecei a enxergar que, quando muito, eles só tem uma resposta, e ela não é necessariamente a melhor. Para falar a verdade, ela nem mesmo é sempre boa.
A parte mais chocante é que essa revelação geralmente vem combinada com a descoberta que algumas respostas — na verdade, quase todas — vem de nós mesmos, e elas são tão válidas quanto quaisquer outras.
Enquanto isso, aqueles deuses olímpicos que costumavam representar toda a sabedoria e força que existia no mundo viram gente exatamente como a gente. Com defeitos, muitos defeitos. Mas eu acho que eles nunca se tornam só humanos. Na pior das hipóteses, sempre serão uma constelação brilhante no céu indicando o norte.
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8 Comments

  • Reply Ana Luísa 31 de julho de 2012 at 11:46

    A gente sempre passa por essa fase onde percebe que os pais são somente humanos.. Mas mesmo sendo somente humanos, eles são constelações! 🙂

  • Reply Alessandra Rocha 31 de julho de 2012 at 19:53

    hahahahaha é um choque quando percebemos isso né? mas eles sempre serão aquele algo a mais, bem como voce disse uma constealação brilhando para indicar o norte, ou pelo menos aquilo que eles acharem ser um norte, é incrível a autonomia que a gente ganha com o passar do tempo né? Assustadora tambem, mas acho que ao mesmo tempo não tem sentimento melhor…

    Lindo o texto Palominha, como sempre <3

  • Reply Lays Caroline 1 de agosto de 2012 at 01:25

    Olá, achei seu blog no #VoltaMundoblogueiro e achei essa postagem bem interessante, principalmente na parte em que você fala “que algumas respostas — na verdade, quase todas — vem de nós mesmos”. Acho que essa é a grande verdade, nossos pais não deixam de ter sabedoria, nós é que passamos a conseguir julgar o que vivemos e pensar em caminhos, soluções e respostas.
    Gostei da postagem, voltarei a visitar, se der, dê uma passadinha no meu blog
    http://lentescomdefeito.blogspot.com.br/

  • Reply Larissa L. 1 de agosto de 2012 at 10:32

    Pá, acho que começamos a perceber nossos pais como pessoas quando crescemos, pelo menos comigo foi assim…!
    Talvez seja uma coisa de criança ou talvez seja uma coisa de criação, mas desde que consigamos autonomia, e sejamos respeitados por isso, nossos pais tornam-se pessoas e suscetíveis a falhas. Nem sempre com as melhores respostas, mas ao menos indicando ou aconselhando um norte! E acho que esse é o maior papel dos pais!
    Espero que vc não tenha se decepcionado nessa história toda…!
    Beijossss

  • Reply Vanessa 1 de agosto de 2012 at 14:18

    Já passei por essa fase e fiquei muito decepcionada hahaha Claro que por um lado é melhor ver os pais como eles realmente são, ou seja, como humanos. Mas não é fácil se conformar com isso hehe O lado bom é que começamos a pensar mais sobre essas respostas que nós mesmas precisamos encontrar. E no que fazer com essas respostas.

  • Reply del 1 de agosto de 2012 at 18:53

    Taí uma coisa que não sei nada a respeito. Mas infelizmente, toda criança está sujeita aos males da verdade. Um dia a gente descobre que nossos pais, na verdade, envelhecem como todo mundo.

  • Reply Mayra 5 de agosto de 2012 at 22:31

    Ai Pa, esse texto me lembrou o final de Gilmore Girls, quando a Rory pergunta pra Lorelai se deve ou nao aceitar o pedido de casamento e a Lorelai diz que é ela quem sabe. Foi como se o mundo tivesse desmoronado e a magia que vivia em volta da “mãe” tivesse simplesmente desaparecido. Isso é terrível, mas minha sorte é que ainda não senti em relação aos meus pais, espero que demore…
    Abraços!

  • Reply Nina 6 de agosto de 2012 at 06:48

    Existe uma crônica interessantíssima do Contardo Calligaris, que bem complementa a sua. Não me recordo o título, mas sei que nela ele expõe, por exemplo, que os pais não serão nossos heróis eternos e que o amor incondicional é inexistente. Logo, não sentiremos um amor pleno pelos nossos pais, tampouco eles por nós.
    É triste pensar assim, mas acredito que se houvesse desapego,l tudo seria melhor e mais fácil.
    Abraços.

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